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Salto
evolutivo
Se lhe disserem que
o livro
está morrendo, não acredite.
Ele está mudando, e para melhor
Carlos Graieb
Fotos J. Miranda

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| O
plástico foi abandonado para o acabamento das
capas. Em seu lugar entraram os laminados, que podem ter detalhes
de verniz |
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Popular
na França há tempos, a capa flexível,
mais barata que a dura e mais resistente que a brochura, começa a
ser usada aqui |
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Já há máquinas que tornam mais simples a produção da
capa dura. Mas o mercado brasileiro ainda tem dificuldade para
aceitá-la |
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Novos
tipos de cola tornaram as brochuras mais
robustas. Apesar da melhoria nos serviços gráficos, as editoras ainda
recorrem a métodos artesanais - como na
pintura das laterais deste livro |
Tempos
atrás, esteve em voga a discussão sobre "a morte do livro".
Especulava-se a respeito do impacto que a internet teria sobre os leitores,
ou sobre a substituição da página impressa pela página
eletrônica. O assunto, hoje, está praticamente encerrado.
Ao contrário do que previam os alarmistas, a produção
e a venda mundial só cresceram nos últimos anos. Como disse
certa vez o historiador da leitura Alberto Manguel, "o melhor recipiente
para um texto continua sendo o livro tradicional". E existe, ainda, uma
outra observação a fazer: longe de estar moribundo, o livro
é um objeto em evolução. O brasileiro que freqüenta
livrarias está em boa posição para constatar esse
fato. No prazo de uma década, ele assistiu a duas revoluções.
A primeira foi a revolução do design. As editoras resolveram
contratar artistas gráficos para mudar a cara de seus produtos.
O resultado se fez sentir sobretudo nas capas, que passaram a ser mais
modernas e bonitas. A segunda revolução aconteceu nos últimos
quatro anos e tem a ver com métodos de produção industrial.
Surgiram novos tipos de encadernação, novos materiais para
acabamento e até novas formulações de cola que tornam
os volumes mais robustos e duráveis.
Desde 1998, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em São
Paulo, submete os livros didáticos e paradidáticos adquiridos
anualmente pelo Ministério da Educação a uma bateria
de testes, para avaliar sua chamada "qualidade física" (por oposição
ao conteúdo, que eles não analisam). São 43 experimentos,
alguns deles realizados em engenhocas (veja
quadro),
que observam desde as falhas de impressão até a alvura do
papel e a tensão que uma página agüenta antes de se
rasgar ou se desprender da lombada. "Os defeitos diminuíram em
80% desde que começamos", diz Maria Luiza Otero D'Almeida, responsável
pelo Laboratório de Papel e Revestimento. "Desde 1999, por exemplo,
não encontramos uma capa descolada." Ela ressalta que, como só
testa os livros didáticos, não pode garantir a qualidade,
digamos, das obras de ficção na lista de mais vendidos de
VEJA. Mas, nas grandes gráficas, os mesmos equipamentos e materiais
dos livros escolares são empregados nas obras de literatura
cujo acabamento tende a ser mais sofisticado. Velhas colas que ressecavam,
por exemplo, saíram de uso. Um composto bem mais resistente se
tornou padrão, e hoje é muito improvável que um romance
se desmonte em suas mãos enquanto você lê na praia.
Entre as editoras brasileiras, uma das mais "vanguardistas" sempre foi
a Companhia das Letras. Sua diretora de produção, Elisa
Braga, afirma que atualmente é mais fácil produzir livros
diferenciados. "Os serviços gráficos no Brasil deram um
salto, até porque empresas estrangeiras vieram para cá.
Existem mais técnicas disponíveis, com utilização
difundida e barata", afirma. O acabamento das capas, por exemplo, mudou
bastante. Antes, elas eram feitas quase que exclusivamente de plástico
(que às vezes formava bolhas e se desgrudava). Hoje, o que mais
se usa é a laminação, que pode ser fosca ou brilhante
e receber detalhes em verniz. O resultado, que não aumenta o preço
do livro, é mais agradável inclusive ao tato.
Outra novidade são as capas flexíveis, que ficam entre a
brochura e a capa dura. Populares na França há um bom tempo,
elas começaram a surgir no Brasil dois anos atrás. Só
mesmo a capa dura ainda não "pegou" por aqui. Às vezes,
até livros grandes, de arte e fotografia, não são
feitos com ela. O motivo principal é o custo. A capa dura encarece
um livro em cerca de 20%, e isso assusta o comprador brasileiro. Atualmente,
uma única editora, a Cosac & Naif, mantém no mercado
uma coleção de obras literárias encadernadas em capa
dura. "Fizemos isso porque nosso público sempre foi um pouco mais
elitizado", conta o gerente de produção, José Luiz
Sousa. "Mesmo assim, tivemos de diminuir nossa margem de lucro para tornar
a coleção viável."
Curiosamente, ainda há espaço para o trabalho artesanal
no mercado. A Companhia das Letras tem uma coleção de livros
policiais cujas laterais são pintadas de cores como amarelo e azul.
Não há processo industrial para fazer isso. É preciso
usar um revólver de tinta e trabalhar em lotes de cinco ou seis
livros por vez. Dono do Ateliê Editorial e professor de editoração
na Universidade de São Paulo, Plinio Martins Filho é um
profissional que não abre mão de velhos procedimentos. Lança
uma coleção de poesia cujas capas são confeccionadas
uma a uma, em impressoras antigas que ainda empregam clichês de
chumbo. O tecido das lombadas é colado manualmente. "Eu tenho uma
certa nostalgia e gosto de preservar velhas técnicas", declara
ele. "Mesmo sem ser um grande fã da industrialização
no trabalho do livro, contudo, tenho de reconhecer: as edições
populares melhoraram muito."
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Testes
de laboratório
Desde
1998, os livros didáticos adquiridos pelo governo são submetidos
a 43 experimentos no Instituto de Pesquisas Tecnológicas, em São
Paulo. Veja dois deles:
Fotos Antonio Milena
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O
aparelho page
pull: quanta
tensão uma página agüenta antes de se soltar
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Análise
de alvura e opacidade: para determinar se o papel favorece
ou não a leitura
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