Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 755 - 12 de junho de 2002
Artes e Espetáculos Livros
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Brasil
Internacional
Geral
Guia
Artes e Espetáculos
  Infidelidade, com Richard Gere
O Pacto dos Lobos, um filme original
Kate & Leopold, com Meg Ryan
O futebol tira o brasileiro da cama
O novo CD do rapper branco Eminem
Melhora a qualidade da edição do livro no Brasil
O Jogo do Destino, de Nagib Mahfuz

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Luiz Felipe de Alencastro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
Gente
Datas

Para usar
VEJA on-line
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2002
Reportagens de capa
2000|2001|2002
Entrevistas
2000|2001|2002
Busca somente texto
96|97|98|99|00|01|02


Crie seu grupo




 

Salto evolutivo

Se lhe disserem que o livro
está morrendo, não acredite.
Ele está mudando, e para melhor

Carlos Graieb

 
Fotos J. Miranda
 
O plástico foi abandonado para o acabamento das capas. Em seu lugar entraram os laminados, que podem ter detalhes de verniz   Popular na França há tempos, a capa flexível, mais barata que a dura e mais resistente que a brochura, começa a ser usada aqui
 
Já há máquinas que tornam mais simples a produção da capa dura. Mas o mercado brasileiro ainda tem dificuldade para aceitá-la Novos tipos de cola tornaram as brochuras mais robustas. Apesar da melhoria nos serviços gráficos, as editoras ainda recorrem a métodos artesanais - como na pintura das laterais deste livro

Tempos atrás, esteve em voga a discussão sobre "a morte do livro". Especulava-se a respeito do impacto que a internet teria sobre os leitores, ou sobre a substituição da página impressa pela página eletrônica. O assunto, hoje, está praticamente encerrado. Ao contrário do que previam os alarmistas, a produção e a venda mundial só cresceram nos últimos anos. Como disse certa vez o historiador da leitura Alberto Manguel, "o melhor recipiente para um texto continua sendo o livro tradicional". E existe, ainda, uma outra observação a fazer: longe de estar moribundo, o livro é um objeto em evolução. O brasileiro que freqüenta livrarias está em boa posição para constatar esse fato. No prazo de uma década, ele assistiu a duas revoluções. A primeira foi a revolução do design. As editoras resolveram contratar artistas gráficos para mudar a cara de seus produtos. O resultado se fez sentir sobretudo nas capas, que passaram a ser mais modernas e bonitas. A segunda revolução aconteceu nos últimos quatro anos e tem a ver com métodos de produção industrial. Surgiram novos tipos de encadernação, novos materiais para acabamento e até novas formulações de cola que tornam os volumes mais robustos e duráveis.

Desde 1998, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em São Paulo, submete os livros didáticos e paradidáticos adquiridos anualmente pelo Ministério da Educação a uma bateria de testes, para avaliar sua chamada "qualidade física" (por oposição ao conteúdo, que eles não analisam). São 43 experimentos, alguns deles realizados em engenhocas (veja quadro), que observam desde as falhas de impressão até a alvura do papel e a tensão que uma página agüenta antes de se rasgar ou se desprender da lombada. "Os defeitos diminuíram em 80% desde que começamos", diz Maria Luiza Otero D'Almeida, responsável pelo Laboratório de Papel e Revestimento. "Desde 1999, por exemplo, não encontramos uma capa descolada." Ela ressalta que, como só testa os livros didáticos, não pode garantir a qualidade, digamos, das obras de ficção na lista de mais vendidos de VEJA. Mas, nas grandes gráficas, os mesmos equipamentos e materiais dos livros escolares são empregados nas obras de literatura – cujo acabamento tende a ser mais sofisticado. Velhas colas que ressecavam, por exemplo, saíram de uso. Um composto bem mais resistente se tornou padrão, e hoje é muito improvável que um romance se desmonte em suas mãos enquanto você lê na praia.

Entre as editoras brasileiras, uma das mais "vanguardistas" sempre foi a Companhia das Letras. Sua diretora de produção, Elisa Braga, afirma que atualmente é mais fácil produzir livros diferenciados. "Os serviços gráficos no Brasil deram um salto, até porque empresas estrangeiras vieram para cá. Existem mais técnicas disponíveis, com utilização difundida e barata", afirma. O acabamento das capas, por exemplo, mudou bastante. Antes, elas eram feitas quase que exclusivamente de plástico (que às vezes formava bolhas e se desgrudava). Hoje, o que mais se usa é a laminação, que pode ser fosca ou brilhante e receber detalhes em verniz. O resultado, que não aumenta o preço do livro, é mais agradável inclusive ao tato.

Outra novidade são as capas flexíveis, que ficam entre a brochura e a capa dura. Populares na França há um bom tempo, elas começaram a surgir no Brasil dois anos atrás. Só mesmo a capa dura ainda não "pegou" por aqui. Às vezes, até livros grandes, de arte e fotografia, não são feitos com ela. O motivo principal é o custo. A capa dura encarece um livro em cerca de 20%, e isso assusta o comprador brasileiro. Atualmente, uma única editora, a Cosac & Naif, mantém no mercado uma coleção de obras literárias encadernadas em capa dura. "Fizemos isso porque nosso público sempre foi um pouco mais elitizado", conta o gerente de produção, José Luiz Sousa. "Mesmo assim, tivemos de diminuir nossa margem de lucro para tornar a coleção viável."

Curiosamente, ainda há espaço para o trabalho artesanal no mercado. A Companhia das Letras tem uma coleção de livros policiais cujas laterais são pintadas de cores como amarelo e azul. Não há processo industrial para fazer isso. É preciso usar um revólver de tinta e trabalhar em lotes de cinco ou seis livros por vez. Dono do Ateliê Editorial e professor de editoração na Universidade de São Paulo, Plinio Martins Filho é um profissional que não abre mão de velhos procedimentos. Lança uma coleção de poesia cujas capas são confeccionadas uma a uma, em impressoras antigas que ainda empregam clichês de chumbo. O tecido das lombadas é colado manualmente. "Eu tenho uma certa nostalgia e gosto de preservar velhas técnicas", declara ele. "Mesmo sem ser um grande fã da industrialização no trabalho do livro, contudo, tenho de reconhecer: as edições populares melhoraram muito."

 

Testes de laboratório

Desde 1998, os livros didáticos adquiridos pelo governo são submetidos a 43 experimentos no Instituto de Pesquisas Tecnológicas, em São Paulo. Veja dois deles:

Fotos Antonio Milena
 

O aparelho page pull: quanta tensão uma página agüenta antes de se soltar

 

Análise de alvura e opacidade: para determinar se o papel favorece ou não a leitura



   
canaldecompras
O que é canal de compras
CDs DVn="center">
O que é canal de compras
CDs DVDs Vídeos
Saraiva.com.br
 
Livros
Saraiva.com.br
Livraria Nobel
 
Ingressos
Ingresso.com.br
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS