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Um
alvo a menos
Eminem
decide poupar
os
gays. Mas só eles
Sérgio
Martins

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A
trégua que o rapper americano Eminem deu aos gays parece ser definitiva.
Ao longo de toda a sua carreira, o cantor foi o rei das letras preconceituosas
dirigidas contra quase tudo, mas principalmente contra mulheres e homossexuais.
Contudo, em seu novo disco, The Eminem Show, ele surpreende,
exibindo nível zero de homofobia. Ou melhor, quase zero, já
que ficaram uma ou duas alfinetadas, coisa pouca para quem costumava usar
uma verdadeira serra elétrica verbal. Há pouco mais de um
ano, o rapper já havia protagonizado um encontro insólito
com o pop star inglês Elton John, gay assumido. Aconteceu no ano
passado, durante a entrega do Grammy, o maior prêmio da indústria
fonográfica. Os dois fizeram um dueto e, depois, trocaram elogios
e mimos. As amenidades de The Eminem Show, no entanto, terminam
no baixo teor de homofobia. O disco traz insultos grotescos contra as
mulheres. Outras vítimas tradicionais do cantor recebem seu quinhão:
seu pai, sua ex-mulher e sua mãe (a quem ele dedica o verso "Espero
que você arda no inferno"). Finalmente, o vice-presidente americano,
Dick Cheney, e sua mulher, Lynne, são eleitos alvos institucionais.
Por causa disso, já apareceu gente na imprensa americana querendo
qualificar Eminem como "contestador". Exagero, é claro. Ele é
uma armação que já vendeu 25 milhões de discos,
valioso sobretudo por ser loiro um rapper com quem a garotada branca,
que havia tempo ouvia esse tipo de música, pôde identificar-se
plenamente. Com cinismo, e não revolta, é o próprio
Eminem quem grita na faixa White America: "Se eu fosse negro, não
teria vendido nem a metade dos meus discos".
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