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1 755 - 12 de junho de 2002 |

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De
olhos bem abertos
O brasileiro fica acordado para
ver o futebol da Copa. Mesmo
quando o jogo não é da seleção
Ricardo
Valladares
Epitácio Pessoa/AE
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| Pessoas
se reúnem para assistir ao jogo do Brasil: salto de audiência nas
manhãs e madrugadas |
São
3 e meia da madrugada e mais uma partida da Copa do Mundo de futebol está
começando. Um jogo como México e Croácia, Rússia
e Tunísia ou Suécia e Nigéria, com seleções
nas quais ninguém aposta muito e que nem mesmo fazem parte da chave
do Brasil o que as tornaria um pouco mais interessantes. Engana-se,
no entanto, quem imagina que o locutor da Rede Globo, que tem os direitos
exclusivos de exibição do campeonato no Brasil, vai narrar
a partida apenas para os satélites. Desde que a Copa começou,
em 31 de maio, praticamente dobrou o número de televisores ligados
no país entre 2 e meia e 6 horas da manhã. Ele foi de 10%
para 19%. A audiência da emissora também teve um salto impressionante:
passou de 4 para 13 pontos em média. Dois anos atrás, nas
Olimpíadas de Sydney, que teve várias provas realizadas
na madrugada brasileira, os índices de ibope nem se mexeram nesse
horário. Depois das 8 horas, os jogos atraem mais público
ainda as médias giram em torno dos 30 pontos. E nem é
preciso dizer que, com o Brasil em campo, a audiência tende a explodir:
ela foi de 64 pontos na primeira partida da seleção. O futebol,
definitivamente, tem o poder de arrancar o espectador brasileiro da cama.
A Rede Globo investiu um caminhão de dinheiro ao comprar, da Fifa,
os direitos de transmissão de todos os jogos da Copa. Foram 220
milhões de dólares 150 milhões para mostrar
os jogos na televisão aberta e mais 70 milhões para exibi-los
na TV paga. A maior emissora mexicana, a Televisa, desembolsou muito menos
que isso num pacote com as dezoito principais partidas. "Pagamos 10 milhões
de dólares", diz o diretor de esportes da Televisa, Alberto Sosa.
A Globo tentou repassar parte dos direitos que adquiriu para outras emissoras
brasileiras, mas nenhuma se interessou elas estão se virando
na base das velhas e boas mesas-redondas de futebol. No mercado publicitário,
também foi difícil vender cotas de patrocínio. Só
uma semana antes do primeiro jogo a última cota foi negociada.
Estima-se que o prejuízo da emissora chegue a 100 milhões
de dólares. Receber bons relatórios de audiência tem
sido, ao menos, um consolo.
Divulgação
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| Galvão
Bueno e Arnaldo Cezar Coelho: custos cortados |
Por
causa desses prejuízos, a Globo enviou para o Japão e a
Coréia uma equipe bem menor que a do Mundial da França,
em 1998. Custos foram cortados. Não é por acaso que as jornalistas
Fátima Bernardes e Ana Paula Padrão, apresentadoras dos
dois principais jornais da emissora e encarregadas de dar um toque de
charme à cobertura da Copa, só fazem suas intervenções
a céu aberto. "Não montamos cenário por economia",
afirma um diretor da Globo. A carga de trabalho não está
brincadeira. "Por causa da diferença de fuso, estamos dormindo
pouquíssimas horas", diz o comentarista de arbitragem Arnaldo Cezar
Coelho. Mas ninguém acusa o baque. Muito menos o locutor Galvão
Bueno, que, nesta Copa de transmissão exclusiva, é mais
do que nunca o dono da bola.
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