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Transgênico
gaulês
O Pacto dos Lobos é o melhor
épico de terror com
artes marciais
da história. Até porque é o único
Isabela
Boscov
Divulgação
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| Monica
Bellucci, como a espiã disfarçada de prostituta: só para agradar |
Se
fosse para descrever a trama, poder-se-ia dizer que ela trata de como
um naturalista francês e seu fiel escudeiro indígena descobrem
uma conspiração nos bastidores do Ancien Régime,
na França do século XVIII, enquanto tentam caçar
a "besta de Gévaudan", uma criatura misteriosa que vem chacinando
mulheres e crianças nessa região. Mas fica difícil
explicar como se encaixam aí o discurso anticolonialista, o romance
aristocrático, as alusões satânicas e as artes marciais.
Na verdade, nem vale a pena tentar alguma explicação para
O Pacto dos Lobos (Le Pacte des Loups, França,
2001), que estréia nesta sexta-feira no país. Enorme sucesso
na França, onde vendeu mais de 5 milhões de ingressos, essa
aventura pega carona em todos os gêneros B que um dia seu diretor,
Christophe Gans, porventura tenha apreciado: o terror da produtora inglesa
Hammer e do italiano Dario Argento, os faroestes de Sergio Leone, os filmes
de luta de Hong Kong e até Duro de Matar tudo isso
misturado ao drama histórico francês, dedicado a rever os
sentimentos da nação no período que antecedeu a Revolução
de 1789. A surpresa é que Gans tem tanto entusiasmo pelo que faz
que, à sua moda, a mistura funciona.
O
Pacto dos Lobos parte de um ponto, digamos, verídico
a lenda da besta de Gévaudan, que matou cerca de uma centena de
pessoas por volta de 1760 e depois foi "identificada" como sendo um casal
de lobos. A partir daí, está-se por conta da imaginação
de Gans. O naturalista (Samuel Le Bihan), diz o diretor, representa o
iluminismo voltairiano. O aristocrata sinistro de um braço só
interpretado por Vincent Cassel sinaliza as vicissitudes da monarquia.
Já a prostituta-espiã vivida pela bela Monica Bellucci (de
Malena) é só artifício. Está lá
para entreter, assim como as cenas de luta, os figurinos opulentos e a
besta em si, uma criatura feita sem muito apuro em computação
gráfica. O verdadeiro herói aqui é o índio
Mani o havaiano Mark Dacascos, rei das videolocadoras , um
tipo silencioso que mantém uma comunicação íntima
com os lobos e a natureza. Gans adora Dacascos e nunca perde uma chance
de exaltar o balanço da sua longa cabeleira negra. O diretor só
erra mesmo quando tenta o impossível: dar algum sentido a essa
história deliciosamente sem pé nem cabeça.
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