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Um
tapa, um assopro
Em
Infidelidade, o diretor Adrian
Lyne se fascina com o
desejo feminino.
Mas condena as
suas conseqüências
Isabela
Boscov
Fotos divulgação
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Diane,
com Martinez:
entre o prazer com o amante e a culpa pela traição
ao marido (Gere, à dir.)
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Veja também |
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Em
Infidelidade (Unfaithful, Estados Unidos, 2002),
que estréia nesta sexta-feira no país, o objeto de desejo
dos personagens masculinos não é nenhuma lolita, mas uma
mulher beirando os 40. Também Richard Gere não interpreta
o seu habitual tipo prepotente, e sim um marido titubeante, que se vê
traído pela mulher. Há que se creditar ao diretor Adrian
Lyne certa originalidade, e também alguma audácia: o inglês
Lyne é um dos poucos cineastas hoje na ativa em Hollywood que não
têm medo de lançar mão das convenções
do melodrama. Inspirado em A Mulher Infiel, que o francês
Claude Chabrol dirigiu em 1969, Infidelidade trata de Constance
(Diane Lane), uma mulher dos subúrbios ricos de Nova York que vive
o conforto de seu casamento e de sua afluência numa espécie
de transe. Ela ama o marido, o filho e a sua casa. Não imagina
que possa ter algum anseio por atender até o dia em que conhece
um jovem livreiro francês (Olivier Martinez) que lhe acena com algo
desconhecido: risco, duplicidade e um tipo de sexo que não tem
nada a ver com afeto. Logo Constance estará se dividindo entre
a cama dele e a sua, entre o desejo e a culpa. E seu marido estará
se perguntando qual a razão das sutis mudanças no comportamento
da mulher.
Lyne que antes de ser cineasta foi publicitário não
perdeu nenhum dos vícios de seus sucessos anteriores, como 9
1/2 Semanas de Amor, Atração Fatal ou Proposta Indecente.
Tudo em seus filmes é ao tre o desejo e a culpa. E seu marido estará
se perguntando qual a razão das sutis mudanças no comportamento
da mulher.
Lyne que antes de ser cineasta foi publicitário não
perdeu nenhum dos vícios de seus sucessos anteriores, como 9
1/2 Semanas de Amor, Atração Fatal ou Proposta Indecente.
Tudo em seus filmes é ao mesmo tempo acetinado e realçado,
como num comercial que tivesse saído do eixo. De certa forma, isso
serve bem ao seu filão. Por sua natureza, o melodrama gira em torno
de um único grande tema: a repressão feminina. A mulher
que rompe o noivado sem contar para o amado que ficou paralítica,
a mãe que suporta as piores humilhações vindas da
filha em nome da devoção, a médica que, entre seus
doentes e seu grande amor, escolhe os primeiros são enredos consagrados
do gênero. Ele fica bem mais interessante, contudo, quando é
capaz de combinar, a esse instinto para o sacrifício, seu pólo
oposto o da perda súbita e tempestuosa de controle. É
essa a linha seguida por Lyne em Infidelidade e, espertamente,
ele a aplica a seus dois protagonistas, a mulher e o marido.
Fiel à sua marca registrada, Lyne capricha na voluptuosidade com
que filma os encontros entre Constance e o livreiro. Quanto mais intensos
eles se tornam, maior o tamanho da tragédia que virá a reboque
deles, claro. "Todo caso termina em desastre", avisa uma amiga a Constance.
Pode parecer uma contradição que o homem que tenha reinventado
o soft porn com 9 1/2 Semanas de Amor seja um moralista
de carteirinha. Mas todos os seus filmes contêm lições
sobre as tentações do sexo e os perigos de ceder a elas.
Como a sua Constance, Lyne vive dividido entre a lascívia e o temor
a ela.
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