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A
temporada de
decisões está aberta
Convenção do PMDB deve aprovar
o apoio à
candidatura de Serra.
Mas a briga vai até o fim
Maurício
Lima
Marcio Gouthier/Folha Imagem
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| Reunião
da ala governista: aliança com Serra tem de 60% a 70% dos votos na
convenção do próximo sábado |

Veja também |
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A
partir desta semana, a disputa presidencial começará a tomar
uma forma mais visível. Está aberta a temporada das convenções
partidárias, que termina no fim do mês, nas quais cada legenda
terá de definir seu destino se lança candidato próprio
ao Palácio do Planalto, se apóia alguém ou se fica
sozinha. No início da semana, estarão reunidos os convencionais
do PSB, legenda de Anthony Garotinho, e também os representantes
dos três partidos que apóiam a candidatura de Ciro Gomes
PPS, PDT e PTB. Não se espera nenhuma surpresa nessas convenções.
O PSB deve oficializar a candidatura de Garotinho, e a tróica partidária
de Ciro planeja uma convenção festiva para lançar
seu nome. A maior incógnita é outra convenção
a do PMDB, prevista para sábado 15. Com duas alas em pólos
opostos, uma que apóia e outra que se opõe ao governo, os
peemedebistas decidirão se formalizam, ou não, a aliança
com o PSDB de José Serra. A convenção que,
em se tratando de PMDB, pode ter de tudo, de discursos elogiosos a agressões
brutais será em Brasília.
Caso desista do casamento com os tucanos, o PMDB produzirá um vexame
para a candidatura Serra, que até já escolheu um vice do
partido, a deputada Rita Camata, do Espírito Santo. Conforme a
contabilidade dos cardeais do PMDB, no entanto, esse risco parece mínimo.
A ala governista do partido, que prega a aliança com os tucanos,
calcula ter entre 60% e 70% dos 694 votos da convenção.
Além disso, na história recente os governistas do PMDB construíram
um fornido currículo de vitórias. A última derrota
que sofreram para os oposicionistas, que hoje defendem uma aproximação
com o PT de Luís Inácio Lula da Silva, aconteceu em 1995,
e ainda assim por uma diferença de apenas um voto (veja
quadro). A matemática histórica não
mede o tamanho de cada ala, pois parte de seus militantes muda de lado
com rapidez de calango assustado, mas dá uma medida da força
que o governismo exerce sobre suas hostes. Mas repita-se: como se trata
do PMDB, tudo pode acontecer. "Nenhuma disputa no PMDB está definida
até que se conte o último voto", diz o senador alagoano
Renan Calheiros.
Ana Araujo
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| Encontro
dos oposicionistas num hotel de Brasília: chances reduzidas de apoiar
o PT |
Conhecendo
a inconsistência do partido, todos os candidatos estão de
olho em alguma sobra da legenda. Seja qual for a decisão da convenção,
um racha há de haver. Lula, do PT, corteja os integrantes da ala
oposicionista, dando a entender que gostaria de incluir o senador Pedro
Simon como candidato a vice em sua chapa. "Uns cacos dessa pedaceira vão
sobrar para mim", previu Ciro Gomes, no início da semana passada.
Até Garotinho diz que tem seu quinhão ali. Ele admite que
não conta com apoio "institucional, partidário", mas garante
que tem "manifestações pessoais" de apoio de deputados estaduais
e federais do PMDB. O governo, por seu turno, também está
empenhado em agradar ao parceiro para garantir uma margem segura de votos
pró-Serra na convenção. Na semana passada, o presidente
Fernando Henrique até nomeou Luciano Barbosa para ser o novo ministro
da Integração Nacional. Ele é do PMDB alagoano, foi
indicado por Renan Calheiros e pode arranjar uns votinhos. Até
então, Luciano Barbosa ocupava um cargo na prefeitura de Arapiraca,
no interior de Alagoas.
Como no fundo é um consórcio de interesses regionais, o
PMDB só consegue aproximar-se de algo parecido com unidade caso
os acordos nos Estados sejam devidamente equacionados. Daí por
que, para arrancar a aliança com Serra na convenção,
tucanos e peemedebistas estão debruçados em minúcias
paroquiais. Em sucessivas reuniões na semana passada, decidiu-se,
por exemplo, que o PSDB terá de intervir em seu diretório
no Acre para afastar os tucanos locais dos braços do PT e forçá-los
a aderir ao PMDB. Em Goiás, tenta-se um arranjo no qual tucanos
e peemedebistas teriam os próprios candidatos ao governo estadual
e Serra, a exemplo do que fez Fernando Henrique na campanha presidencial
de 1998, evitaria viagens a Goiás para não melindrar os
adversários. Assim é feita a costura.
As dificuldades do PMDB são agudas, porém não exclusivas.
O PFL, antes tão celebrado por sua unidade e seu profissionalismo,
também virou um mosaico. Está praticamente fechado com Ciro
Gomes em dezesseis Estados, mas no restante, em que pese a resistência
do presidente da legenda, Jorge Bornhausen, deve apoiar Serra. No PL,
desdobra-se uma longa negociação para selar uma aliança
nacional com o PT, mas existem obstáculos até agora não
superados em nada menos que treze Estados. O próprio PSDB ainda
não encontrou unanimidade em torno da candidatura de Serra
pois os tucanos do Ceará, sob o comando de Tasso Jereissati, dão
apoio a Ciro Gomes. Um exemplo: no último programa de televisão
do diretório cearense do PSDB, Ciro apareceu quatro vezes na tela.
Serra não apareceu nenhuma vez.
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