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Edição 1 755 - 12 de junho de 2002
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A temporada de
decisões está aberta

Convenção do PMDB deve aprovar
o apoio à
candidatura de Serra.
Mas a briga vai até o fim

Maurício Lima

 
Marcio Gouthier/Folha Imagem
Reunião da ala governista: aliança com Serra tem de 60% a 70% dos votos na convenção do próximo sábado


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A cobertura diária da campanha eleitoral na VEJA on-line

A partir desta semana, a disputa presidencial começará a tomar uma forma mais visível. Está aberta a temporada das convenções partidárias, que termina no fim do mês, nas quais cada legenda terá de definir seu destino – se lança candidato próprio ao Palácio do Planalto, se apóia alguém ou se fica sozinha. No início da semana, estarão reunidos os convencionais do PSB, legenda de Anthony Garotinho, e também os representantes dos três partidos que apóiam a candidatura de Ciro Gomes – PPS, PDT e PTB. Não se espera nenhuma surpresa nessas convenções. O PSB deve oficializar a candidatura de Garotinho, e a tróica partidária de Ciro planeja uma convenção festiva para lançar seu nome. A maior incógnita é outra convenção – a do PMDB, prevista para sábado 15. Com duas alas em pólos opostos, uma que apóia e outra que se opõe ao governo, os peemedebistas decidirão se formalizam, ou não, a aliança com o PSDB de José Serra. A convenção – que, em se tratando de PMDB, pode ter de tudo, de discursos elogiosos a agressões brutais – será em Brasília.

Caso desista do casamento com os tucanos, o PMDB produzirá um vexame para a candidatura Serra, que até já escolheu um vice do partido, a deputada Rita Camata, do Espírito Santo. Conforme a contabilidade dos cardeais do PMDB, no entanto, esse risco parece mínimo. A ala governista do partido, que prega a aliança com os tucanos, calcula ter entre 60% e 70% dos 694 votos da convenção. Além disso, na história recente os governistas do PMDB construíram um fornido currículo de vitórias. A última derrota que sofreram para os oposicionistas, que hoje defendem uma aproximação com o PT de Luís Inácio Lula da Silva, aconteceu em 1995, e ainda assim por uma diferença de apenas um voto (veja quadro). A matemática histórica não mede o tamanho de cada ala, pois parte de seus militantes muda de lado com rapidez de calango assustado, mas dá uma medida da força que o governismo exerce sobre suas hostes. Mas repita-se: como se trata do PMDB, tudo pode acontecer. "Nenhuma disputa no PMDB está definida até que se conte o último voto", diz o senador alagoano Renan Calheiros.

 
Ana Araujo
Encontro dos oposicionistas num hotel de Brasília: chances reduzidas de apoiar o PT

Conhecendo a inconsistência do partido, todos os candidatos estão de olho em alguma sobra da legenda. Seja qual for a decisão da convenção, um racha há de haver. Lula, do PT, corteja os integrantes da ala oposicionista, dando a entender que gostaria de incluir o senador Pedro Simon como candidato a vice em sua chapa. "Uns cacos dessa pedaceira vão sobrar para mim", previu Ciro Gomes, no início da semana passada. Até Garotinho diz que tem seu quinhão ali. Ele admite que não conta com apoio "institucional, partidário", mas garante que tem "manifestações pessoais" de apoio de deputados estaduais e federais do PMDB. O governo, por seu turno, também está empenhado em agradar ao parceiro para garantir uma margem segura de votos pró-Serra na convenção. Na semana passada, o presidente Fernando Henrique até nomeou Luciano Barbosa para ser o novo ministro da Integração Nacional. Ele é do PMDB alagoano, foi indicado por Renan Calheiros e pode arranjar uns votinhos. Até então, Luciano Barbosa ocupava um cargo na prefeitura de Arapiraca, no interior de Alagoas.

Como no fundo é um consórcio de interesses regionais, o PMDB só consegue aproximar-se de algo parecido com unidade caso os acordos nos Estados sejam devidamente equacionados. Daí por que, para arrancar a aliança com Serra na convenção, tucanos e peemedebistas estão debruçados em minúcias paroquiais. Em sucessivas reuniões na semana passada, decidiu-se, por exemplo, que o PSDB terá de intervir em seu diretório no Acre para afastar os tucanos locais dos braços do PT e forçá-los a aderir ao PMDB. Em Goiás, tenta-se um arranjo no qual tucanos e peemedebistas teriam os próprios candidatos ao governo estadual – e Serra, a exemplo do que fez Fernando Henrique na campanha presidencial de 1998, evitaria viagens a Goiás para não melindrar os adversários. Assim é feita a costura.

As dificuldades do PMDB são agudas, porém não exclusivas. O PFL, antes tão celebrado por sua unidade e seu profissionalismo, também virou um mosaico. Está praticamente fechado com Ciro Gomes em dezesseis Estados, mas no restante, em que pese a resistência do presidente da legenda, Jorge Bornhausen, deve apoiar Serra. No PL, desdobra-se uma longa negociação para selar uma aliança nacional com o PT, mas existem obstáculos até agora não superados em nada menos que treze Estados. O próprio PSDB ainda não encontrou unanimidade em torno da candidatura de Serra – pois os tucanos do Ceará, sob o comando de Tasso Jereissati, dão apoio a Ciro Gomes. Um exemplo: no último programa de televisão do diretório cearense do PSDB, Ciro apareceu quatro vezes na tela. Serra não apareceu nenhuma vez.

 


 
 
   
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