Panorama
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Tradutor do Google "Viabilizar
a comunicação das culturas pela rede mundial de computadores Tive
uma grata surpresa ao receber VEJA. O assunto da reportagem de capa, "A língua
do Google" (5 de maio), é exatamente o que escolhi para trabalhar
com meus alunos na feira cultural do Colégio Internacional Anhembi Morumbi.
Alunos do 6º ano até o 3º do ensino médio vão apresentar
aos visitantes provas de como, através da internet do tradutor do
Google , o homem poderá superar finalmente as dificuldades de comunicação
entre os vários países do mundo. É claro que já incluí
a reportagem da edição 2 163 no trabalho! Na minha adolescência,
meu maior prazer ao estudar era fazer as traduções dos textos, livros
e músicas. Sonhava um dia falar inglês, saber um pouco de tudo, ser
culto. Ah, se existisse a internet e o Google naquela época... É
inegável a praticidade que os tradutores linguísticos da rede oferecem.
Mas é hora de perguntar a nós mesmos se não seria essa
mais uma ferramenta para incentivar a preguiça e o desinteresse em aprender
de fato. No meu tempo de estudante, realizar uma pesquisa ou uma tradução
era tarefa de dias, e o conhecimento do tema ficava na nossa memória. Hoje,
dois dias depois de pesquisar, a enorme maioria dos alunos nem se lembra do que
viu. O
uso do Google é importante, mas não substitui a leitura de um bom
livro. A quantidade de informações fragmentadas e diluídas
que obtemos por meio dessa ferramenta não é páreo para uma
edição que pode ser manuseada e saboreada como um bom vinho.
Indústria da demarcação de reservas indígenas Brilhante
a reportagem "A farra da antropologia oportunista" (5 de maio), sobre a "pilantropologia" nacional que pretende transformar nosso país
num imenso "Brasilistão" de índios, quilombolas e sem-terra.
Além de atentar contra o agronegócio, pedra angular da estabilidade
econômica, essa nefasta prática racista vai contra os rumos da história
do Brasil, que se tornou, em apenas cinco séculos, um país miscigenado
que é exemplo para o mundo. VEJA mais uma vez mostra as barbaridades que sabotam
e envenenam silenciosamente o meio rural brasileiro. Na edição
1 935 (14 de dezembro de 2005), a reportagem "Índios por imposição"
já mostrava claramente as façanhas da Funai e de ONGs de fabricar
índios pelo Brasil afora. Tudo o que índios, negros, brancos, pardos
e outros de qualquer cor desejam são o desenvolvimento e sua inclusão
no mercado de trabalho para terem uma vida digna para si e suas famílias.
Esses malandros que querem saquear o Brasil ficam nus diante de mais uma fantástica
reportagem. VEJA mostrou muito bem como
se manipulam as demarcações de terras, seja para índios,
seja para quilombolas, assim como os interesses escusos que cercam as ONGs, supostamente
encarregadas de atuar na proteção dessas populações.
Mas é preciso investigar também os benefícios que auferem
membros do Judiciário para dar ganho de causa a ações e interesses
tão estranhos, escusos e contrários ao bem do país. Abrir essa caixa-preta sórdida
e ultrajante terá de ser uma das prioridades do futuro presidente. Já
nos anos 80 os sem-terra faziam suas incursões atormentando legítimos
e produtivos proprietários rurais. Com a frouxidão das leis e das
autoridades, surgiram ONGs oportunistas e toda sorte de ladrões. Algo precisa
ser feito para colocar esses bandos em seus devidos lugares e dar tranquilidade
a quem quer, de fato, produzir.
Carta ao Leitor A Carta ao Leitor "Uma cadeia de fraudes e abusos"
(5 de maio) levanta o véu dos abusos, interesses fisiológicos e
ideológicos que permeiam a expansão de aldeias em propriedades particulares
legítimas e produtivas. O estado brasileiro responsável pela ruína
dos povos indígenas de Mato Grosso do Sul com as bênçãos
de membros do Ministério Público Federal que parecem mais versados
em Lênin e Marx do que em Constituição brasileira quer
por aqui expandir áreas de aldeias dando um "chapéu" nos
brasileiros que povoaram nossas fronteiras e as tornaram produtivas. Parabéns
a VEJA por colocar o dedo em mais uma vergonha com que o estado brasileiro insulta
a nação.
José Eduardo Dutra O PT está muito mal assessorado.
A começar pelo seu presidente, José Eduardo Dutra. Nas Páginas
Amarelas ele afirma que o partido não tem adotado nenhuma postura agressiva
em relação ao candidato adversário. Entretanto, durante a
mesma entrevista, quase todas as suas respostas foram de agressão aos partidos
de oposição e ao adversário do PT na corrida presidencial.
"Um conjunto de freiras franciscanas dentro de um bordel", por certo,
escandalizaria bem menos que a aliança PT-PMDB, outrora inimaginável.
Artigo de Maílson da Nóbrega O economista Maílson
da Nóbrega foi muito feliz em seu artigo "Quem descobriu o Brasil?
Lula ou Cabral?" (5 de maio). O relato sobre as declarações
de Lula que "redescobriu o Brasil" é uma crítica
muito bem elaborada, com conhecimentos sobre a história de nossa política.
Foi um aprendizado valioso. Serve de forte aviso o artigo de
Maílson da Nóbrega sobre o errado endeusamento de Lula, "nosso
guia". Meus pais, meu irmão e eu sobrevivemos, ao longo
de três anos detidos em campos de concentração, aos desatinos iniciados
por "Mein Führer" e "Il Duce". Se Lula ainda não leu
livros de história mundial e não sabe o que é postura de
chefe de estado, melhor seria observar o silêncio. Como diz o ditado popular,
"elogio em boca própria é vitupério". A
ignorância crassa de uma massa ensurdecida de bajuladores inconsequentes
é que faz Lula pensar ser aquilo que não é, nunca foi nem
será. O Brasil precisava, neste ano de eleições, ler acuradamente
o artigo de Maílson da Nóbrega.
Estádios para a Copa de 2014 Parabéns
pela coragem de publicar a reportagem "O plano B da Fifa" (5 de maio),
mas é fácil entender os motivos do atraso. Meses antes do evento,
o governo liberará a verba de emergência. E nós, passivos,
pagaremos de novo a conta. Como diria o famoso Agente
86 da TV, estamos assistindo ao velho truque de deixar que todos os prazos racionais
se explodam para que seja possível contratar as obras em regime de urgência
urgentíssima, bem ao gosto dos políticos desonestos e empreiteiros
gananciosos. Essa gente faz isso sempre, e a certeza da impunidade é tamanha
que eles nem se preocupam em modernizar os truques. A
Copa do Mundo seria uma grande oportunidade para o Brasil alavancar o seu turismo
marítimo, atividade que cresce no mundo. As empresas marítimas poderiam
trazer torcedores estrangeiros para acompanhar suas seleções na
Copa, com escalas em diferentes portos nacionais e evidente lucro para as cidades.
Esbarram, porém, em entraves como a pouca infraestrutura portuária.
Os portos brasileiros não têm instalações apropriadas
para receber turistas, e seus custos operacionais são muito altos. O atraso
nas obras de infraestrutura pode custar caro ao país e torna incerta a
vinda de turistas em navios que serviriam de hospedagem adicional na Copa de 2014,
como já ocorreu em eventos na Itália, na Grécia e na Austrália. É
uma vergonha para todos os brasileiros! A Copa de 2014 no Brasil foi anunciada
há trinta meses e nada foi feito! Eu não acredito que tudo será
feito nos próximos cinquenta meses. Lamentavelmente, a Fifa está
certa: a Copa de 2014 poderá ser mesmo na Inglaterra.
Lei de Anistia Não
consigo entender como a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de confirmar
a validade da Lei de Anistia não foi abordada pela revista, nem como notícia
e menos ainda como comentário, uma vez que se trata de questão de
interesse e repercussão nacional e internacional. Acho que não haveria
como o Supremo decidir de outra forma. Anistia não se faz pela metade.
Não há meia anistia, assim como não há meia virgindade.
Quem pensa em punir agentes do estado se esquece de que do outro lado há
quem tenha praticado crimes graves também. Anistia é para tudo apagar,
ou não é anistia. Tem razão o ministro Cezar Peluso quando
afirma que a cultura brasileira é de cordialidade. Ressuscitar o tema causaria
novas animosidades e atritos indesejáveis.
Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu Ao comparar a potência
das várias modalidades de geração de energia é preciso
verificar o fator de disponibilidade, ou seja, o período do ano em que
se conta com a totalidade da potência instalada. Nas hidrelétricas,
esse fator varia em torno de 50%. Nas eólicas, em torno de 30%. Nas usinas
nucleares, o fator de disponibilidade é de 90%. Assim, para atender à
potência média de Belo Monte (cerca de 4 500 MW), seriam suficientes
quatro usinas nucleares de 1 200 MW. Elas custariam em torno de 30 bilhões
de reais e seriam competitivas tanto com as hidrelétricas como com as eólicas.
Além do fator de competitividade, as usinas nucleares economizariam o custo
alto de transmissão, reduzindo também as perdas, por se localizarem
próximas aos centros de carga ("Como fazer... e como não fazer",
28 de abril).
Cyberbullying De
extrema importância a reportagem "A tecnologia a serviço dos
brutos" (5 de maio). Como médica de crianças e adolescentes,
percebo o crescente problema do bullying em tempo real ou virtual. O fato exige
conscientização e ações articuladas entre a família
e a escola. Muitos educadores ainda minimizam as "brincadeiras da idade". Reportagens como essa alertam a
sociedade e concorrem para o fortalecimento das políticas públicas
que minimizam a violência escolar, além de contribuir para o uso
ético e responsável da internet.
Poder nas favelas Excelente
a tática da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro
de "reocupar os morros" (5 de maio). Mas fica a pergunta: os bandidos
debandaram para onde? Fico feliz em ver que o Rio começa
a enfrentar com competência o poder paralelo exercido pelo tráfico.
Pena que a situação esteja desandando em Belo Horizonte e Contagem,
onde tivemos três ônibus incendiados em um mês e dois bairros
com toque de recolher. O que não falta no país é área
para atuação dos narcotraficantes.
Ditadores medrosos As imagens dos senhores Raúl Castro, Mahmoud
Ahmadinejad e Hugo Chávez apavorados diante de um mouse são espetaculares
("O rato que ruge", 5 de maio). O mesmo pavor eles devem sentir diante
de uma urna eleitoral e dos jornais e revistas que circulam livremente nos países
democráticos. E pensar que o nosso presidente Lula os afaga e os chama
de companheiros. |