Edição 1853 . 12 de maio de 2004

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Televisão
Gugu virou caça

Foi-se o tempo em que o apresentador
do SBT só tinha de se preocupar com
Faustão. Hoje, todos mordem um
pedaço de sua audiência


Ricardo Valladares


Divulgação
Gugu Liberato: plástica nas pálpebras e reforço na imagem de pai


Gugu Liberato completou no dia 1º de abril trinta anos de televisão, mas não tem motivos para festejar. Ele, que chegou a ser rei dos domingos em 2001 e 2002, passa por uma fase negra. Desde o começo do ano passado, a fórmula de seu programa dava mostras de esgotamento, mas depois de setembro, com a infame "farsa do PCC", na qual atores disfarçados de bandidos ameaçaram celebridades de seqüestro e morte em pleno Domingo Legal, uma crise de audiência e credibilidade abateu-se sobre o show de Gugu. Se nos tempos áureos o apresentador do SBT desfrutou de médias de 23 pontos no Ibope, hoje ele tem problemas para manter-se em 14. O preço do merchandising no Domingo Legal, que até setembro era de 180.000 reais, despencou para 40.000 reais, e boa parte do espaço é ocupada por produtos que levam o nome do próprio Gugu. Contratos valiosos de publicidade foram encerrados. Para piorar, a luta do apresentador não é mais apenas contra seu adversário histórico, o Domingão do Faustão, da Rede Globo. A Rede TV!, a Bandeirantes e a Record abocanharam parte de sua audiência. Nos últimos tempos, essas emissoras adotaram a estratégia dos predadores: partiram para cima do loiro ao perceber que ele estava ferido.

Durante um bom tempo, entrar na refrega domingueira contra Gugu e Faustão parecia perda de tempo para os canais menores. Eles passavam filmes de segunda categoria no período da tarde ou repetiam incessantemente os mesmos informes publicitários sobre métodos de emagrecimento. Em meados de 2003, no entanto, já existia um consenso nos bastidores das emissoras de que uma parte do público, cansada do vai-e-vem entre Gugu e Faustão, prestigiaria novidades. A primeira a se arriscar foi a Rede TV! com Pânico, um show de auditório anárquico (e às vezes bastante grosseiro) que satiriza celebridades e outros programas de televisão. O Pânico estreou às 18h30, duas semanas depois de acontecer a farsa do PCC. "Foi uma feliz coincidência. O tombo do Gugu ajudou nosso programa a embalar. Hoje, chegamos a dar picos de 8 pontos, enquanto o Domingo Legal desce a 12, o que demonstra que estamos roubando o seu espectador", diz Mônica Pimentel, diretora de programação da Rede TV!.

A Bandeirantes e a Record também decidiram mostrar as garras. A primeira pôs no ar, há sete meses, uma atração em que Márcia Goldschmidt ajuda pessoas a resolver suas pendências afetivas. O programa começa às 15h30 e aumentou o ibope da emissora de 2 para 5 pontos. Pode parecer pouco, mas faz muita diferença no aspecto comercial. "Nós tínhamos uma pesquisa que demonstrava que algumas mulheres estavam cansadas do padrão Gugu versus Faustão. Achamos que o momento de conquistá-las era agora, com um programa sobre casos amorosos", diz Marcelo Parada, vice-presidente do canal. A aposta da Record, finalmente, foi num programa de variedades ao estilo do Fantástico. Muito ao estilo, aliás: a emissora contratou como âncora, por 40.000 reais, o apresentador Celso Freitas, ex-locutor da atração da Globo. O Domingo Espetacular começa às 18 horas, logo depois dos jogos de futebol que a Record transmite. Parte da audiência tende agora a ficar no canal, em vez de migrar para o SBT.

Apesar das "mordidas", Gugu ainda conta com um consolo importante (além do salário fixo de 1,2 milhão de reais, sem merchandising): o apoio de Silvio Santos. "Enquanto ele me der ao menos 10 pontos de audiência, não há crise do ponto de vista da emissora. Ganhar da Globo é uma questão de vaidade dele, não de obrigação", diz Silvio. O dono do SBT afirma ainda que o principal motivo para ter feito recentemente o piloto de um programa de domingo com Ratinho não foi a intenção de espicaçar Gugu ou procurar uma alternativa ao Domingo Legal. "Era um projeto antigo. Por contrato, Ratinho deve ao SBT um dia de programação", afirma ele. Silvio Santos enxerga, no entanto, alguns traços de desânimo em Gugu. O loiro nega. "Meu estímulo não foi abalado, nem será. Meço minha credibilidade dia a dia, ao sair em São Paulo ou viajar para o Paraguai. A abordagem das pessoas na rua continua a mesma", diz ele. Pelo sim, pelo não, o fato é que Gugu resolveu dar alguns retoques na imagem. Há duas semanas, ele se internou num hospital para cuidar de uma hérnia e aproveitou para fazer uma plástica nas pálpebras. Além disso, aumentou a freqüência de suas aparições como pai de família – ele tem aparecido em revistas acompanhado de João Augusto, de 2 anos, e das gêmeas Sofia e Marina, de 4 meses. Gugu encomendou uma pesquisa ao SBT, que servirá de base para a reformulação de seu programa. Enquanto isso, o Domingo Legal fica em compasso de espera. Denúncias e escândalos, nem pensar.

 

OS PREDADORES

Depois da "farsa do PCC", o Domingo Legal entrou em crise. A Bandeirantes, a Rede TV! e a Record aproveitaram para atacar


Fotos divulgação
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Em Jogo da Vida, Márcia resolve problemas amorosos


ANARQUISMO
Pânico: sátira e grosseria


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Domingo Espetacular: lembra muito o Fantástico

 
 
 
 
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