Edição 1853 . 12 de maio de 2004

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Estilo
Eu uso, sim.
E daí?

A saia tipo kilt vira expressão
de criatividade – deles


Claudio Rossi
Gomes e Vidal de "kilt brasileiro", em São Paulo: a pergunta mais freqüente é o que vestem por baixo


Quem andou passeando por festas, shows e outros ambientes da vida noturna de algumas capitais brasileiras percebeu que há meninos circulando sem calça. Calma, que nada mais comprometedor fica à mostra. Esses grupos de rapazes moderninhos aderiram à saia, o traje masculino por excelência durante a maior parte da história da humanidade, mas aparentemente relegado ao cemitério da moda alguns séculos atrás. Por que usar saia em vez de calça justo agora? Ora, que pergunta: trata-se de uma legítima expressão de liberdade e, principalmente, de estilo, defendem os usuários. Especialmente o kilt, o saiote de pregas xadrez típico da Escócia que astros como Sean Connery e Ewan McGregor gostam de exibir em ocasiões especiais, parece ter caído no gosto da turma – só que em uma versão mais tropical, que substitui a lã por tecidos leves, como algodão e viscose. "Homens dos mais variados estilos e gostos têm procurado os kilts, desde roqueiros e clubbers até aqueles que só querem se vestir de forma original e diferente", explica Emerson Gomes, 28 anos, que trabalha com atendimento a clientes corporativos em uma empresa de telecomunicações e, nas horas vagas, costura em casa, e vende, o "kilt brasileiro", para ser usado com camiseta (por dentro ou por fora) e sapato e meia – tênis, nunca. Gomes diz que vende de cinco a seis kilts por mês ("Já atendi encomenda de Porto Alegre, Salvador, Cuiabá"), a preços que vão de 90 a 170 reais, dependendo do tecido. Ele mesmo veste kilt quase o tempo todo (menos no trabalho), inclusive para ir ao supermercado e ao cinema. "As pessoas olham com curiosidade. Sempre perguntam o que eu uso por baixo", conta (resposta: cueca normal). Sua mulher, Maria Helena Fernandes, aprova: "É uma prova de personalidade e estilo". Muita gente nem percebe do que se trata. "O kilt é tão discreto que chega a parecer uma bermuda grande", diz Denis Vidal, 29 anos, colega de trabalho de Gomes que aderiu à moda recentemente. Já na família, o hábito rende problemas. "Minha mãe fala que eu fico parecendo menina. Minha irmã faz pior: tenta esconder", reclama o estudante Alexandre Meloni, 21 anos, que usa kilt de vez em quando.

 
 
 
 
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