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Trabalho
Brotaram
empregos no campo
Longe
das grandes cidades: é lá que o
país
consegue criar mais postos de trabalho

Leandra
Peres
Raul Junior
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| Feira
agrícola em Ribeirão Preto: o agronegócio criou novos pólos
de desenvolvimento |
O
interior brasileiro acaba de produzir uma boa notícia num
dos campos mais espinhosos da atual conjuntura econômica:
as taxas de desemprego. Um estudo recém-concluído
pelo Ministério da Fazenda demonstra que as pequenas e médias
cidades de várias regiões do país ampliaram
o seu ritmo de criação de postos de trabalho, ao contrário
do que acontece nos grandes centros urbanos. Em 2000, 197.000 novos
empregos formais surgiram no interior dos seguintes Estados: Pará,
Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São
Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Entre abril de 2003 e
março de 2004, esse número saltou para 365.000 empregos.
Foi um aumento de 85%. Nas capitais desses mesmos Estados, detectou-se
um movimento inverso. A criação de novas vagas com
carteira assinada caiu 10%: passou de 309.000 para 277.000. Segundo
o secretário de Política Econômica do Ministério
da Fazenda, Marcos Lisboa, o impacto desses dados é considerável.
"Uma mudança na distribuição geográfica
do emprego está em curso no país", diz ele.
O
desemprego é um calcanhar-de-aquiles do governo Lula. Uma
de suas promessas de campanha era a criação de 10
milhões de empregos novos em quatro anos meta que
já foi abandonada. Apropriar-se do bom resultado que se observa
no interior é sem dúvida uma tentação.
O programa político do PT, que foi ao ar na semana passada,
tratou do assunto. Por isso, não custa lembrar que as boas
notícias auferidas pelo Ministério da Fazenda não
são mérito de um governo específico, mas resultado
do trabalho de quem planta e investe no país. O movimento
de interiorização do emprego que agora se observa
tem duas causas principais. Uma delas é o processo de desconcentração
industrial que se opera há mais de uma década no Brasil.
Ele se deve em boa parte à eliminação de subsídios
governamentais que tornavam mau negócio, para diversas indústrias,
a idéia de afastar-se dos grandes centros urbanos. O segundo
e mais importante motivo é o excelente desempenho dos setores
de agricultura e pecuária. O agronegócio tem desbravado
rincões e criado novos pólos de desenvolvimento no
Brasil. Enquanto a economia nacional encolheu 0,2% no ano passado,
o PIB do Brasil agrícola aumentou 5%. Um em cada 3 reais
gerados na economia brasileira tem alguma ligação
com a agropecuária. Em termos globais, esse setor responde
atualmente por 37% dos empregos do país.
As
conseqüências de longo prazo de uma "nova distribuição
geográfica do emprego no país" seriam muito benéficas.
Com a industrialização e os maciços investimentos
em infra-estrutura que foram feitos durante a década de 70,
no período do milagre econômico, o Brasil assistiu
a um intenso processo de migração do campo para as
cidades. A expansão das regiões urbanas continuou
nos anos 80, e, nesse período de baixo crescimento econômico,
inflação descontrolada e calote nas dívidas
públicas, tornou-se ainda mais flagrante a dificuldade que
as cidades brasileiras tinham de absorver novos moradores. Esse
inchaço das grandes cidades levou os serviços públicos
ao ponto de colapso e resultou em fenômenos como o aumento
desenfreado da violência. A volta do emprego para o interior
reduziria as pressões sobre as metrópoles brasileiras.
Além
de demonstrar a pujança do interior, o resultado do estudo
do Ministério da Fazenda pode significar que o desemprego
no Brasil é um pouquinho menor do que se imagina. Os principais
índices de desemprego do país, o do IBGE e o do Dieese,
fazem medições apenas em capitais e regiões
metropolitanas. A coleta de dados no campo poderia trazer boas surpresas
mas não a ponto de demonstrar que o desemprego no
Brasil está em queda. De acordo com o IBGE, havia 2,7 milhões
de pessoas sem trabalho no país em março. Isso corresponde
a uma taxa de desemprego de 12,8% o pior resultado desde
outubro do ano passado. Com uma política voltada para o crescimento
econômico, a queda desse número para 9% seria factível,
segundo os economistas. Daí em diante, a situação
só melhoraria com outro tipo de reforma. "Seria preciso mudar
as leis trabalhistas para aumentar a flexibilidade do sistema e
reduzir os custos de contratação. Esse é o
grande nó do mercado de trabalho hoje em dia", diz o economista
José Márcio Camargo, da PUC do Rio de Janeiro. "No
curto prazo a taxa de desemprego cai com a recuperação
da economia, mas no longo prazo serão necessárias
medidas estruturais."
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