Edição 1853 . 12 de maio de 2004

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Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
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Cartas
Radar
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Cartas

 

"Ainda bem que VEJA tem a mania de nos informar sobre assuntos que dizem respeito a nossa saúde!"
Willian Luis Domingues
Por e-mail

 

Transtorno obsessivo-compulsivo

Senti-me de certa forma aliviada por saber que não sou a única nessa prisão absurda criada por nós mesmos. Hoje, graças à terapia medicamentosa, comportamental e sobretudo à busca espiritual, encontro-me livre desse martírio que me escravizou por um bom tempo. Acrescento também que ter a mente e o corpo sempre produzindo de maneira útil e positiva, mesmo que no começo pareça impossível, é muito importante para sair desse ciclo patológico que às vezes parece não ter fim ("Mentes que aprisionam", 5 de maio).
Fernanda G. Mattosinho
Maringá, PR

Desde os 6 anos de idade tenho certas compulsões, como não pisar em linhas no chão e alinhar todos os sapatos da casa. Aos poucos vou me controlando e eliminando certos pensamentos nos quais me baseio todos os dias, atribuindo às manias o fato de certas coisas não darem certo no meu cotidiano. VEJA mais uma vez empenhou-se em nos esclarecer sobre um problema que já atinge uma parcela acentuada da população e aumentou a minha motivação de ler todos os exemplares a cada semana que passa.
Nádia Leão Ferreira Dias
Santa Helena de Goiás, GO

O que percebi de mais importante foi a colocação de que o TOC, apesar de não ter cura, apresenta excelente controle quando se associa o tratamento medicamentoso adequado ao acompanhamento psicoterápico, enfatizando que "a boa notícia é que a ciência hoje consegue manter o TOC sob controle".
Doutor Edson F. Nascimento
Psiquiatra e psicoterapeuta
Ribeirão Preto, SP

Quem não tem alguma mania das citadas que jogue a primeira pedra. Eu mesma já me "peguei" várias vezes esperando algum fato ocorrer para que eu prosseguisse em minhas atitudes. Como, por exemplo, concluir uma ação somente se o celular tocar ou se eu ouvir uma música específica ou, até mesmo, se um pensamento positivo vier à tona. Essas situações podem não ser saudáveis, por isso as informações contidas na reportagem são de extrema importância.
Carolina Mendes
Americana, SP

Ao ler a excelente reportagem sobre as manias descobri que sofro de colecionismo. Coleciono VEJA, que me é útil no presente, útil para pesquisar o passado e certamente será útil no futuro. Não consigo jogá-la fora.
Paulo Roberto Santos
Joá, RJ

 

Andréa Salgado

Ao ler a entrevista com a professora Andréa (Amarelas, 5 de maio), saltaram-me aos olhos algumas opiniões com as quais não concordo: "Poder ter metade da minha vida de volta. Porque inteira eu sei que não vou ter nunca mais". Tenho, há três anos, uma lesão medular e, nessa condição, uso cadeira de rodas e afirmo, com convicção, que tenho uma vida inteira! Está certo que, diferentemente da professora, eu tenho as minhas pernas, mas não as sinto, não as movo. E minha vida, ao estudar, trabalhar, me relacionar com as pessoas, sair, me divertir, é completa, inteira, plena, dentro dos meus limites.
Pablo André Flôres
Sapiranga, RS

A resiliência é caracterizada por um conjunto de atitudes adotadas pelo ser humano para resistir aos embates da vida. O ser resiliente não foge das opressões e consegue neutralizar seus efeitos sem que necessariamente as mesmas sejam afastadas ou diminuídas. A professora Andréa Salgado demonstra quanto é resiliente ao dar a volta por cima na situação traumatizante que está vivendo e se transformar, crescendo com a experiência.
Fátima Araújo de Carvalho
São José dos Campos, SP

Em 1972, perdi minha irmã, então com 11 anos, atingida por uma lancha pilotada por um sujeito alcoolizado. Como havia laços distantes de parentesco com o autor, valeu a velha hipocrisia e o assassino não foi punido, além de ter tido o acinte de afirmar na minha cara que "fora mais uma emoção em sua vida". Quando do acidente com Lars Grael chorei muito, por ele e por mim, já que não me considero suficientemente confortada, mesmo quase 32 anos depois da perda de minha irmã. Mais recentemente chorei muito pela Andréa e por mim. Quando haverá punição para assassinos neste país?
Monique Rouquet
São Paulo, SP

 

Cartas

Voltando à discussão sobre os processadores velozes (Cartas, 28 de abril), os testes do site Tom's Hardware (http://www. tomshardware.com), um dos mais bem conceituados e imparciais do mundo, comprovam que o processador da AMD, Athlon 64 FX, é superior ao Pentium 4 Extreme Edition, da Intel. Mesmo os processadores da AMD tendo um clock muito menor que os de seu concorrente. Isso acontece devido à pesquisa e à alta tecnologia utilizada pela AMD. Foram feitos diversos testes, entre eles os que avaliam apenas a velocidade do processador e não de outros "itens", como os softwares e jogos usados atualmente que necessitam de grande capacidade de processamento. Mesmo com o sistema operacional utilizado sendo de 32 bits, o processador AMD Athlon 64 FX saiu-se melhor nos referidos testes.
Grégori Fonseca
Por e-mail

 

Claudio de Moura Castro

O senhor Claudio Moura Castro, em "Cadê a velhinha da licitação?" (Ponto de vista, 5 de maio), conseguiu reunir clareza e concisão para tratar de um tema importante para a vida do país: "a arte de fazer a burocracia produzir resultados". Possivelmente devido à juventude da nossa democracia há sempre uma vontade de trocar chefias, subchefias, coordenadorias, por se julgar que o governo anterior não fez bem seu trabalho e que a nova equipe é melhor. Ou por simples razões ideológicas ou mesmo fisiológicas. O fato é que, quando isso ocorre em uma escala além do razoável, compromete-se o resultado e jogam-se fora o conhecimento acumulado em determinado processo de trabalho e a conceituação que ele traz consigo, de maneira irrecuperável.
Moacir de Oliveira
Brasília, DF

 

Medicina

Com sentimento de orgulho e satisfação, li a matéria "Doutor, me ouça!" (5 de maio), de Anna Paula Buchalla. A novidade da doutora Rita Charon, da Universidade Columbia, é uma realidade vivenciada há mais de duas décadas pela equipe multidisciplinar do Centro de Referência, Pesquisa, Capacitação e Atenção Integral à Adolescência e Família (Adolescentro). Fazemos parte de um serviço público da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal. Constatamos na prática que a atitude de saber ouvir e de confirmar o outro como sujeito competente e ator de suas ações tem trazido soluções criativas e efetivas para o cliente e sua família e mantém o entusiasmo e a constante busca de aprimoramento de toda equipe.
Regina Borges
Médica pediatra e hebiatra
adolescentro@ambr.com.br
Brasília, DF

 

Violência contra a criança

Senti-me realmente enojado, angustiado e horrorizado ao ler a reportagem "Quando a infância é um inferno" (5 de maio). Sou pai de duas crianças: uma menina de 4 anos e um garotinho de 1 ano e 1 mês, a quem amo e respeito acima de qualquer coisa neste mundo. Não consigo de maneira alguma sequer tentar compreender o que vai pela mente deturpada de um ser abjeto que faz essas atrocidades com uma criança indefesa e inocente. Devemos repensar nossos valores e nossas leis.
Carlos Eduardo Barretti
Por e-mail

Estou chocada em saber pela primeira vez na vida pelas palavras de uma criança a violência brutal e traumática que um pai é capaz de cometer contra seu próprio filho. Atos dessa natureza, cometidos contra crianças, são imperdoáveis; são crianças indefesas e inocentes.
Marcelle F. Machado
Campos dos Goytacazes, RJ

 

Especial Mulher

Adorei a edição Especial Mulher de VEJA (maio de 2004). Os tópicos são bastante abrangentes, não só pela abordagem histórica como pelas entrevistas e dicas.
Marisa A. Silva
Por e-mail

As edições especiais de VEJA são sempre um presente precioso, mas essa particularmente nos brindou com o conteúdo da entrevista de Costanza Pascolato. Basta um olhar direcionado a essa grande mulher para traduzir sem dificuldade alguma o significado de "chic".
Beth Seixas
São Paulo, SP

 

Radar

Em sua edição desta semana, a revista VEJA publica a nota "O mesmo de Maluf" (Radar, 5 de maio), assinada pelo jornalista Felipe Patury, resumindo meu perfil profissional à condição de advogado do ex-prefeito Paulo Maluf. O tom do texto parece forçar o sentido de que, por ser advogado de Maluf, haveria algo de errado em representar personalidades que não sejam do mesmo arco político. Cabe esclarecer que representamos também personalidades ligadas ao PSDB, ao PDT, ao PFL e a outras legendas. Representamos a Editora Abril – esta, há muito mais tempo que ao ex-prefeito Paulo Maluf. Igual e ocasionalmente, prestamos consultoria a jornalistas de VEJA. O Escritório Leite, Tosto e Barros, onde atuam mais de 100 advogados da mais alta especialização no campo do direito empresarial, tem em seu departamento eleitoral apenas uma parte de seu acervo judicial.
Ricardo Tosto
Sócio do Escritório Leite, Tosto e Barros
São Paulo, SP

 

Educação

Foi com grande satisfação que tomamos conhecimento da matéria "As melhores da turma" (5 de maio), em que São Caetano do Sul foi classificada em primeiro lugar no país na porcentagem de universitários na faixa etária de 18 a 24 anos. O Instituto Mauá de Tecnologia (IMT) muito se orgulha de contribuir para esse feito. A Escola de Engenharia Mauá tem entre seus alunos mais de 500 residentes em São Caetano do Sul, muitos com bolsas de estudo concedidas pelo IMT por indicação da prefeitura. O IMT também contribui para a erradicação do analfabetismo no município, patrocinando o programa Proalfa, em convênio com a prefeitura. Os monitores que lecionam nesse programa são alunos do Centro Universitário do IMT.
Professor Helio Nanni
Superintendente de planejamento e desenvolvimento
Instituto Mauá de Tecnologia
São Caetano do Sul, SP

 

Homofobia

Somos os organizadores da Parada do Orgulho GLBT da cidade de São Paulo, citada na matéria "País com parada gay não é homofóbico" (5 de maio). A parada existe justamente porque precisamos de visibilidade e pleiteamos leis que nos reconheçam como cidadãos plenos em direitos, já que o somos em nossos deveres. As leis de que dispomos não protegem a grande maioria da população homossexual brasileira, sobretudo a das áreas distantes dos grandes centros. A homofobia no Brasil existe, sim. É grave, preocupante e precisa ser firmemente denunciada e combatida, e não abafada.
Reinaldo Pereira Damião
Presidente da Associação do Orgulho de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros de São Paulo
www.paradasp.org.br
São Paulo, SP

Na qualidade de decano do Movimento Homossexual Brasileiro, protesto contra a matéria "País com parada gay não é homofóbico". O fato de termos um rei Pelé e um Carnaval afro-baiano não significa que não exista racismo no Brasil. Há, sim, uma guerra contra os homossexuais no país, e a homofobia começa dentro de casa, quando pais repetem de norte a sul: "Prefiro um filho morto a homossexual!" E a cidade de Bocaiúva do Sul, cujo prefeito baixou decreto proibindo a entrada de homossexuais? E o deputado do Espírito Santo que propôs clínicas de cura para gays e lésbicas?
Luiz Mott
Secretário de Direitos Humanos do Grupo Gay da Bahia, professor titular de antropologia, Universidade Federal da Bahia
Salvador, BA

 

Diogo Mainardi

Tenho de reconhecer: a acidez realística do senhor Diogo Mainardi (essencial, para quem pensa o Brasil), no texto "Os revoltados a favor" (5 de maio), refresca e dá ânimo a nossa inteligência, tão menosprezada pela mídia em geral.
Nazareno Damião da Silva
Natal, RN

Parabéns, Mainardi. Continue a espetar nossa calma e a agredir nossa imensa hipocrisia. Que cada um saiba buscar outros articulistas com visão mais ponderada e menos amarga, mais à direita, mais à esquerda, mais acima ou mais abaixo e, ao final, formar a própria opinião. Enfim, obrigado, senhor Mainardi, por acreditar no Brasil.
Thogo Lemos dos Santos
Uberlândia, MG

 

Prefeituras

VEJA mais uma vez merece nossos cumprimentos pelo senso de oportunidade na veiculação de matéria em que, ao mesmo tempo que noticia a ocorrência de práticas político-administrativas danosas à população, dá conta das punições rigorosas a que estão sendo submetidos os agentes políticos menos sérios. Gostaria, no entanto, de destacar dois aspectos que lá não restaram explicitados. Primeiramente, cabe destacar a atuação firme e independente do Ministério Público de Contas, na condição de "fiscal da lei". Igualmente, não se pode deixar de assinalar que os melhores desempenhos da administração pública no Brasil se situam na esfera municipal. O fato de restarem condenados diversos prefeitos e presidentes de Legislativos municipais indica, sobretudo, que esses agentes estão mais visíveis, ao alcance e sujeitos ao controle epidérmico de sua própria comunidade, fator que recomenda que se busque com maior ênfase a descentralização do poder e dos recursos nacionais, naturalmente com o necessário fortalecimento das instituições de controle ("Pragas urbanas – desperdício, desvio e corrupção", 28 de abril).
Cezar Miola
Procurador-geral do Ministério Público junto ao TCE/RS e presidente da Associação Nacional dos Ministérios Públicos de Contas
Por e-mail

 

CORREÇÕES: O senhor Nelson Nolé é técnico em próteses, e não médico (Amarelas, 5 de maio). Na seção Datas (5 de maio), o vídeo em que o jogador David Beckham aparece dormindo é da fotógrafa e artista plástica Sam Taylor-Wood. O casamento do príncipe Johan Friso com a plebéia Mabel Wisse Smit foi desaprovado pelo governo holandês, e não pela família real (Datas, 5 de maio). A designação correta do automóvel BMW citado na nota "Como se compõe o preço do carro importado" (Guia, 5 de maio) é 530i, e não 350i.

 
POLÊMICA CATÓLICA


A reportagem "A TFP do B" (28 de abril), que falou dos Arautos do Evangelho, uma dissidência na Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP), mexeu bastante com os leitores de VEJA. Duzentos e cinqüenta e três deles escreveram para a redação comentando a reportagem. "Li e reli o artigo umas três vezes. Achei uma delícia", escreveu o paulistano João Luís Fisherman. O que prevaleceu, no entanto, foi a polêmica entre simpatizantes dos dois grupos. "É profundamente lamentável que a TFP caia assim nas mãos de quem vive na maior harmonia com os representantes do 'progressismo' católico, o qual não esconde seu desejo de incendiar o país", escreveu o padre Davi Francisquini, de São Paulo. "Fiquei muito contente pelo esclarecimento a respeito dos Arautos do Evangelho, que tive a honra e o prazer de conhecer na minha paróquia, com seu modo simples e desinteressado de atuar", escreveu de Bragança, Portugal, o leitor Elcio Antonio dos Santos.

 
Leia as opiniões dos leitores sobre a TFP e os Arautos do Evangelho

 

 
TRANSTORNO OBSESSIVO E GRAVIDEZ


O doutor Joel Rennó Jr., coordenador-geral do Pró-Mulher – Projeto de Atenção à Saúde Mental da Mulher, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, escreveu à redação cumprimentando-a pela publicação da reportagem "Mentes que aprisionam" (5 de maio), sobre o transtorno obsessivo-compulsivo, ou TOC. O doutor Rennó aproveitou para enviar uma contribuição relacionada ao transtorno na gravidez. "Como observei que a pesquisa foi profunda, resolvi fazer algumas considerações em relação à questão do gênero feminino", diz o professor. Eis algumas de suas observações:

• O início do TOC, quando ocorre durante a gravidez, é freqüentemente associado com obsessões agressivas, como, por exemplo, em relação a uma provável agressão ao bebê.

• O risco de TOC é oito vezes maior após abortamento.

• Sessenta e nove por cento das mulheres com TOC anterior à gestação não apresentam sintomas substanciais durante a gravidez.

• O período do pós-parto é mais consistentemente implicado na piora do TOC.

 
 
 
 
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