|
|
VEJA Recomenda
DISCOS
Tim Mosenfelder/Getty Images
 |
 |
| Arctic Monkeys: já na história
da música pop |
|
Whatever People Say I Am, That's What
I'm Not, Arctic Monkeys (Trama) Em três anos de
carreira, o quarteto surgido em Sheffield, na Inglaterra, entrou
para a história da música pop de seu país.
Esse seu primeiro disco vendeu exatas 118.501 cópias na semana
do lançamento, e assim se tornou a estréia mais bem-sucedida
na história do rock inglês. O curioso é que
eles não ostentavam ambições maiores. O Arctic
Monkeys surgiu porque seus integrantes todos fãs do grupo
americano The Strokes ganharam instrumentos dos pais. É
a falta de pretensão que dá frescor ao disco. Faixas
como I Bet You Look Good at the Dancefloor e Fake Tales
of San Francisco são rápidas, têm guitarras
no volume máximo e funcionam na pista como todo rock deveria
ser.
Jorge Rosenberg
 |
 |
| Gnatalli: valsas e sinfonias, choros e sambas
|
|
Centenário, Radamés Gnatalli
(InterCD) O maestro e compositor gaúcho Radamés
Gnatalli (1906-1988) transitou pelo erudito e pelo popular. Compôs
valsas e sinfonias e criou o arranjo de cordas de Lábios
que Beijei, sucesso do cantor Orlando Silva. As duas facetas
de Radamés estão representadas nesse álbum
duplo, lançado para lembrar seu centenário de nascimento.
Radamés, Aida e Sandoval, o primeiro CD, traz o compositor
e seus irmãos na interpretação das Brasilianas
7 e 8, peças em que Gnatalli mistura música erudita
e ritmos populares (um dos movimentos chama-se Variações
para um Tema de Viola). O outro disco é Radamés
Interpreta Radamés, em que ele mostra seus dotes de solista,
tocando choros e sambas ao piano.
DVD
Laura (Estados Unidos, 1944. Fox)
Laura (Gene Tierney) foi assassinada e, apesar da reduzida lista
de suspeitos, o detetive McPherson (Dana Andrews) está num
beco sem saída. Quem estará mentindo? O afetado Waldo
Lydecker, amigo da morta? Seu noivo, o aproveitador Shelby? Ou sua
tia, que tem uma queda por Shelby? Dirigido por Otto Preminger,
esse clássico do noir é uma das mais prazerosas demonstrações
de um dos cânones do gênero o estilo é tudo,
e a trama está ali mais para despistar do que para ser solucionada.
Andrews interpreta o detetive com uma indiferença que contribui
muito para manter a força do filme. Mas quem brilha é
Clifton Webb. No papel de Lydecker, ele tem as melhores falas, e
também a tarefa mais difícil: convencer que um sujeito
obviamente homossexual está louco de amor por uma mulher.
TELEVISÃO
Capaz de provocar partes iguais de hilaridade e
mortificação, a série The Office tanto
a original, britânica, quanto a versão americana, que
estréia neste domingo 9 no canal FX é o experimento
mais ousado da televisão recente. Imitando um documentário,
ela registra a rotina de uma firma que vende papel para escritórios:
a panaquice exasperadora do chefe, Michael Scott (Steve Carell,
de O Virgem de 40 Anos); a bajulação compulsiva
do esquisito Dwight; a paixão recolhida entre a recepcionista
Pam e o vendedor Jim; e o sonambulismo do restante da equipe. O
que torna esse espaço uma versão dadaísta do
inferno é a cegueira de Michael, que se acha um rei da comédia
e o melhor dos chefes mas não passa de uma máquina
de gafes e insultos, movida por um desejo desesperado de atenção.
Criada para a BBC pelo genial Ricky Gervais, The Office era
tão perfeita que parecia uma temeridade adaptá-la
para a televisão americana. Eis aí um caso, porém,
em que a tradução não resultou em traição.
Graças à solidez dos personagens de Gervais e aos
esforços da equipe americana em ser fiel ao seu espírito,
a nova The Office chega perto, muito perto, do brilho de
seu modelo.
LIVROS
Bertrand Guay/AFP
 |
 |
| Ben Jelloun: entre o Ocidente e o mundo islâmico
|
|
O Último Amigo, de Tahar
Ben Jelloun (tradução de Maria Ângela Villela;
Bertrand Brasil; 128 páginas; 22 reais) Marroquino radicado
em Paris, Ben Jelloun é um escritor empenhado em promover
um entendimento maior entre o Ocidente e o mundo islâmico.
E é também um dos maiores representantes literários
do mundo árabe atual. O romance O Último Amigo
toma a situação política do Marrocos como
pano de fundo para falar de Mamed e Ali, adolescentes que se conhecem
na escola, em Tânger, no fim dos anos 50. A história
é relatada primeiro da perspectiva de Ali, e depois de Mamed,
em uma jogada narrativa muito habilidosa: o que no início
parece uma história de amizade acaba se revelando uma trama
de interesse e egoísmo. Leia
trecho.
Entre
a Mentira e a Ironia, de Umberto Eco (tradução
de Eliana Aguiar; Record; 128 páginas; 27,90 reais) Em
seu último romance, A Misteriosa Chama da Rainha Loana,
o italiano Umberto Eco revisou, por meio de um personagem que
perde a memória, as leituras que marcaram sua infância
e sua juventude. Os quatro ensaios desse livro se encaixam no espírito
do romance. São revisões de quatro figuras fundamentais
para a imaginação do autor de O Nome da Rosa:
o conde de Cagliostro um famoso charlatão e místico
do século XVIII , Manzoni, o romancista sentimental de Os
Noivos, o humorista Campanile e o quadrinista Hugo Pratt, criador
do aventureiro Corto Maltese. É um livro que conjuga o costumeiro
apuro crítico de Eco com uma leitura mais afetiva dos autores
que marcaram sua formação. Leia
trecho.
Hulton Archive/Getty Images
 |
 |
| Gorki: política infame, bela obra |
|
Três Russos e Como Me Tornei Escritor,
de Máximo Górki (tradução de Klara Gourianova;
Martins Fontes; 198 páginas; 36,50 reais) Górki
(1868-1936) foi uma espécie de autor oficial do stalinismo,
merecendo até a consagração de virar nome de
cidade na União Soviética. A despeito desse currículo
infame, o autor de A Mãe era um escritor de inegável
talento, como o leitor pode constatar nesses quatro ensaios. Como
Me Tornei Escritor fala de sua formação e dos
autores que o influenciaram. Os outros textos são apreciações
apaixonadas de três mestres russos: Tolstoi, Tchekov e Andreiev.
Entusiasmado sobretudo pela obra de Tolstoi, Górki chega
a conferir dimensões divinas ao autor de Guerra e Paz.
Tolstoi, diz ele, seria um "deus russo, mais astuto, talvez,
do que todos os outros deuses". Leia
trecho.
|