Edição 1951 . 12 de abril de 2006

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DISCOS

 
Tim Mosenfelder/Getty Images
Arctic Monkeys: já na história da música pop  

Whatever People Say I Am, That's What I'm Not, Arctic Monkeys (Trama) – Em três anos de carreira, o quarteto surgido em Sheffield, na Inglaterra, entrou para a história da música pop de seu país. Esse seu primeiro disco vendeu exatas 118.501 cópias na semana do lançamento, e assim se tornou a estréia mais bem-sucedida na história do rock inglês. O curioso é que eles não ostentavam ambições maiores. O Arctic Monkeys surgiu porque seus integrantes – todos fãs do grupo americano The Strokes – ganharam instrumentos dos pais. É a falta de pretensão que dá frescor ao disco. Faixas como I Bet You Look Good at the Dancefloor e Fake Tales of San Francisco são rápidas, têm guitarras no volume máximo e funcionam na pista – como todo rock deveria ser.

 

Jorge Rosenberg
Gnatalli: valsas e sinfonias, choros e sambas  

Centenário, Radamés Gnatalli (InterCD) – O maestro e compositor gaúcho Radamés Gnatalli (1906-1988) transitou pelo erudito e pelo popular. Compôs valsas e sinfonias e criou o arranjo de cordas de Lábios que Beijei, sucesso do cantor Orlando Silva. As duas facetas de Radamés estão representadas nesse álbum duplo, lançado para lembrar seu centenário de nascimento. Radamés, Aida e Sandoval, o primeiro CD, traz o compositor e seus irmãos na interpretação das Brasilianas 7 e 8, peças em que Gnatalli mistura música erudita e ritmos populares (um dos movimentos chama-se Variações para um Tema de Viola). O outro disco é Radamés Interpreta Radamés, em que ele mostra seus dotes de solista, tocando choros e sambas ao piano.

 

DVD

Laura (Estados Unidos, 1944. Fox) – Laura (Gene Tierney) foi assassinada e, apesar da reduzida lista de suspeitos, o detetive McPherson (Dana Andrews) está num beco sem saída. Quem estará mentindo? O afetado Waldo Lydecker, amigo da morta? Seu noivo, o aproveitador Shelby? Ou sua tia, que tem uma queda por Shelby? Dirigido por Otto Preminger, esse clássico do noir é uma das mais prazerosas demonstrações de um dos cânones do gênero – o estilo é tudo, e a trama está ali mais para despistar do que para ser solucionada. Andrews interpreta o detetive com uma indiferença que contribui muito para manter a força do filme. Mas quem brilha é Clifton Webb. No papel de Lydecker, ele tem as melhores falas, e também a tarefa mais difícil: convencer que um sujeito obviamente homossexual está louco de amor por uma mulher.

 

TELEVISÃO

Capaz de provocar partes iguais de hilaridade e mortificação, a série The Office – tanto a original, britânica, quanto a versão americana, que estréia neste domingo 9 no canal FX – é o experimento mais ousado da televisão recente. Imitando um documentário, ela registra a rotina de uma firma que vende papel para escritórios: a panaquice exasperadora do chefe, Michael Scott (Steve Carell, de O Virgem de 40 Anos); a bajulação compulsiva do esquisito Dwight; a paixão recolhida entre a recepcionista Pam e o vendedor Jim; e o sonambulismo do restante da equipe. O que torna esse espaço uma versão dadaísta do inferno é a cegueira de Michael, que se acha um rei da comédia e o melhor dos chefes – mas não passa de uma máquina de gafes e insultos, movida por um desejo desesperado de atenção. Criada para a BBC pelo genial Ricky Gervais, The Office era tão perfeita que parecia uma temeridade adaptá-la para a televisão americana. Eis aí um caso, porém, em que a tradução não resultou em traição. Graças à solidez dos personagens de Gervais e aos esforços da equipe americana em ser fiel ao seu espírito, a nova The Office chega perto, muito perto, do brilho de seu modelo.

 

LIVROS

 

Bertrand Guay/AFP
Ben Jelloun: entre o Ocidente e o mundo islâmico  

O Último Amigo, de Tahar Ben Jelloun (tradução de Maria Ângela Villela; Bertrand Brasil; 128 páginas; 22 reais) – Marroquino radicado em Paris, Ben Jelloun é um escritor empenhado em promover um entendimento maior entre o Ocidente e o mundo islâmico. E é também um dos maiores representantes literários do mundo árabe atual. O romance O Último Amigo toma a situação política do Marrocos como pano de fundo para falar de Mamed e Ali, adolescentes que se conhecem na escola, em Tânger, no fim dos anos 50. A história é relatada primeiro da perspectiva de Ali, e depois de Mamed, em uma jogada narrativa muito habilidosa: o que no início parece uma história de amizade acaba se revelando uma trama de interesse e egoísmo. Leia trecho.

Entre a Mentira e a Ironia, de Umberto Eco (tradução de Eliana Aguiar; Record; 128 páginas; 27,90 reais) – Em seu último romance, A Misteriosa Chama da Rainha Loana, o italiano Umberto Eco revisou, por meio de um personagem que perde a memória, as leituras que marcaram sua infância e sua juventude. Os quatro ensaios desse livro se encaixam no espírito do romance. São revisões de quatro figuras fundamentais para a imaginação do autor de O Nome da Rosa: o conde de Cagliostro – um famoso charlatão e místico do século XVIII –, Manzoni, o romancista sentimental de Os Noivos, o humorista Campanile e o quadrinista Hugo Pratt, criador do aventureiro Corto Maltese. É um livro que conjuga o costumeiro apuro crítico de Eco com uma leitura mais afetiva dos autores que marcaram sua formação. Leia trecho.

 

Hulton Archive/Getty Images
Gorki: política infame, bela obra  

Três Russos e Como Me Tornei Escritor, de Máximo Górki (tradução de Klara Gourianova; Martins Fontes; 198 páginas; 36,50 reais) – Górki (1868-1936) foi uma espécie de autor oficial do stalinismo, merecendo até a consagração de virar nome de cidade na União Soviética. A despeito desse currículo infame, o autor de A Mãe era um escritor de inegável talento, como o leitor pode constatar nesses quatro ensaios. Como Me Tornei Escritor fala de sua formação e dos autores que o influenciaram. Os outros textos são apreciações apaixonadas de três mestres russos: Tolstoi, Tchekov e Andreiev. Entusiasmado sobretudo pela obra de Tolstoi, Górki chega a conferir dimensões divinas ao autor de Guerra e Paz. Tolstoi, diz ele, seria um "deus russo, mais astuto, talvez, do que todos os outros deuses". Leia trecho.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Cultura; Brasília: Sodiler, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Cultura; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva, Leitura; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Natal: Sodiler; Vitória: Leitura; Campo Grande: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Fnac, Sodiler, Submarino.

 

 
 
 
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