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Medicina
A bexiga de laboratório
Médicos conseguem reconstituir o órgão
usando as células dos próprios pacientes
Brian Walker/AP
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| A bexiga reconstruída: ajuda de um molde biodegradável
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Um grupo de médicos da
Universidade Wake Forest, nos Estados Unidos, anunciou na semana
passada uma conquista significativa na trilha de um dos grandes
desafios da medicina: reconstruir órgãos do corpo
humano. A equipe conseguiu, pela primeira vez, reconstituir em laboratório
a bexiga de sete pacientes, todos portadores de mielomeningocele,
um defeito congênito que, entre outras conseqüências,
prejudica o funcionamento dos rins e causa vazamento de urina. Por
mais de um século, tratou-se essa doença retirando
pedaços do estômago ou do intestino e colando-os à
bexiga, sempre com indesejáveis efeitos colaterais. A nova
técnica significa, na prática, o transplante de uma
bexiga nova em folha. A grande vantagem é que não
existe risco de rejeição, já que as células
utilizadas para a criação da nova bexiga são
do próprio paciente. Até então, apenas tecidos
mais simples, como pele, vasos sanguíneos e cartilagens,
haviam sido reproduzidos em laboratório. "Nosso objetivo,
no futuro, é recriar outras partes do corpo para ajudar a
suprir a falta de órgãos para transplante", diz o
médico Anthony Atala, que coordenou a equipe responsável
pela reconstrução da bexiga.
Durante o procedimento, os médicos
retiraram 1 milhão de células da bexiga dos pacientes,
o correspondente a um pedaço de 2 centímetros, e as
colocaram num molde biodegradável no mesmo formato do órgão.
Nos dois meses seguintes, as células se reproduziram e chegaram
a 1,5 bilhão, criando uma nova bexiga, que foi implantada
nos pacientes. A equipe de Atala passou dezesseis anos estudando
as células da bexiga antes de conseguir o desenvolvimento
do órgão em laboratório. Os primeiros implantes
foram feitos em 1999 em pacientes de 4 a 19 anos do Hospital da
Criança em Boston, nos Estados Unidos, mas os resultados
só foram divulgados agora porque os médicos queriam
estar seguros de que teriam sucesso na empreitada. Os implantes
reduziram o vazamento da bexiga e melhoraram a qualidade de vida
dos pacientes. "Agora posso sair e me divertir normalmente", diz
Kaitlyne McNamara, de 16 anos, que deixou de usar fraldas depois
que recebeu a nova bexiga. Há outras pesquisas em andamento
na Universidade Wake Forest para tentar reconstruir corações,
fígados, rins, pâncreas, nervos e outros tecidos. Se
forem bem-sucedidas, elas abrirão um novo horizonte para
o combate às doenças.

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