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Diogo
Mainardi
Festa na Granja
"A festinha teve de ser suspensa
porque
o presidente Lula recebeu a notícia de
que o guarda-costas de seu filho havia
sido baleado no ABC paulista, durante
uma tentativa de assalto"
Jeany Mary Corner mandou suas garotas
de programa para uma festinha na Granja do Torto. Foi o que ela
declarou, em diferentes ocasiões, a dois jornalistas. Os
dois jornalistas estão dispostos a confirmar o depoimento
da cafetina, a qualquer hora e em qualquer lugar.
O fato teria ocorrido, segundo Jeany
Mary Corner, em 18 de junho de 2003. Tudo fora preparado para receber
o presidente. Os guardas da Granja do Torto haviam sido alertados
de que naquela noite, excepcionalmente, deveriam permitir a entrada
na propriedade de uma van com vidros escuros. Dentro da van estariam
as garotas de programa. Jeany Mary Corner não informou aos
jornalistas quantas elas eram. Nem seus nomes de guerra. Nem, mais
importante, quem iria pagar a conta. O que ela disse foi que, a
certa altura, a festinha teve de ser suspensa porque o presidente
Lula recebeu a notícia de que o guarda-costas de seu filho
havia sido baleado no ABC paulista, durante uma tentativa de assalto.
Jeany Mary Corner contou essa mesma
história a um terceiro jornalista. Como os outros dois, ele
pode confirmá-la. Ele pode confirmar também o que
aconteceu algum tempo depois. Os advogados de Jeany Mary Corner
levaram o assunto a representantes do governo e exigiram o pagamento
de uma soma em dinheiro para que ela, entre outras coisas, permanecesse
calada a respeito da festinha na Granja do Torto. O achaque de Jeany
Mary Corner deu certo: rendeu-lhe pelo menos 50.000 reais.
Pode ser que a cafetina tenha mentido
aos jornalistas. Pode ser que ela tenha inventado o episódio
da Granja do Torto apenas para exercer pressão sobre o governo.
O fato é que, por um certo período, antes que seus
advogados se acertassem com os emissários dos ministérios,
ela repetiu o relato, exatamente com os mesmos detalhes, a uma série
de testemunhas. Hoje em dia, Jeany Mary Corner se recusa a discutir
a questão com estranhos. Ela nega que suas garotas de programa
tenham participado de uma festinha na Granja do Torto. Ela nega
que seus advogados tenham tratado do assunto com integrantes do
governo. Ela nega que tenha falado sobre o episódio com jornalistas.
Jeany Mary Corner já não abre mais o bico. Ela está,
conforme suas palavras, "cansada disso tudo".
Os lobistas de Ribeirão Preto,
reunidos em torno de Rogério Buratti, estavam entre os melhores
clientes de Jeany Mary Corner. Como admitiu o próprio Buratti,
eles ofereciam garotas de programa aos políticos. Não
há nada de escandaloso em investigar se o episódio
da Granja do Torto tem algo a ver com isso. Especialmente porque
ocorreu, de acordo com a cafetina, apenas dois meses depois que
Buratti intermediou os contatos entre o governo e a GTech, prometendo
uma propina milionária ao PT.
Os brasileiros sempre respeitaram a
vida pessoal dos políticos. Chegou a hora de mudar. Os políticos
só nos aborrecem. Então vamos tentar tirar algum divertimento
deles importunando-os até na cama.
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