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Carta ao leitor
A conquista de uma repórter
Paulo Vitale
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Há mais de um ano a repórter
Juliana Linhares, de 28 anos, tenta entrevistar Suzane von Richthofen,
a ex-estudante paulista que confessou ter participado do assassinato
de seus pais, o engenheiro Manfred Albert von Richthofen e a psiquiatra
Marísia von Richthofen. O casal foi morto em outubro de 2002
pelo então namorado da ex-estudante, Daniel Cravinhos, com
a ajuda de seu irmão, Cristian Cravinhos. "Como todo o Brasil,
fiquei chocada com a notícia de que aquela menina de classe
média, com cara de anjo, poderia ser a mandante do crime",
diz Juliana. Sem conseguir tirar a história da cabeça,
e decidida a entender o que movera Suzane a ultrapassar a tênue
fronteira que separa o bem do mal, ela empenhou-se em buscar contato
com a moça. Foram dezenas de telefonemas trocados com os
advogados de Suzane, outras tantas reuniões e algumas expectativas
frustradas.
A persistência foi recompensada
na semana passada, quando a repórter pôde conversar
por duas horas com Suzane, atualmente hospedada no apartamento de
um advogado que trabalhou com seu pai. Aliás, uma condição
para que VEJA tivesse acesso a ela foi a de não revelar o
endereço do apartamento a família já
teve problemas com vizinhos que não aceitam a presença
de Suzane no prédio. "Durante todo o tempo, ela tentou esconder
o rosto, cobrindo-o com os cabelos e baixando a cabeça",
diz Juliana. A entrevista com a ex-estudante (a primeira desde o
crime) e as conversas com pessoas que convivem ou conviveram com
ela, além da leitura dos dez volumes que compõem o
processo em que Suzane é acusada de duplo homicídio
triplamente qualificado, resultaram na reportagem que começa
na página 104.
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