Edição 1951 . 12 de abril de 2006

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Carta ao leitor
A conquista de uma repórter


Paulo Vitale

Há mais de um ano a repórter Juliana Linhares, de 28 anos, tenta entrevistar Suzane von Richthofen, a ex-estudante paulista que confessou ter participado do assassinato de seus pais, o engenheiro Manfred Albert von Richthofen e a psiquiatra Marísia von Richthofen. O casal foi morto em outubro de 2002 pelo então namorado da ex-estudante, Daniel Cravinhos, com a ajuda de seu irmão, Cristian Cravinhos. "Como todo o Brasil, fiquei chocada com a notícia de que aquela menina de classe média, com cara de anjo, poderia ser a mandante do crime", diz Juliana. Sem conseguir tirar a história da cabeça, e decidida a entender o que movera Suzane a ultrapassar a tênue fronteira que separa o bem do mal, ela empenhou-se em buscar contato com a moça. Foram dezenas de telefonemas trocados com os advogados de Suzane, outras tantas reuniões e algumas expectativas frustradas.

A persistência foi recompensada na semana passada, quando a repórter pôde conversar por duas horas com Suzane, atualmente hospedada no apartamento de um advogado que trabalhou com seu pai. Aliás, uma condição para que VEJA tivesse acesso a ela foi a de não revelar o endereço do apartamento – a família já teve problemas com vizinhos que não aceitam a presença de Suzane no prédio. "Durante todo o tempo, ela tentou esconder o rosto, cobrindo-o com os cabelos e baixando a cabeça", diz Juliana. A entrevista com a ex-estudante (a primeira desde o crime) e as conversas com pessoas que convivem ou conviveram com ela, além da leitura dos dez volumes que compõem o processo em que Suzane é acusada de duplo homicídio triplamente qualificado, resultaram na reportagem que começa na página 104.

 
 
 
 
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