Edição 1 644 -12/4/2000

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Bye, especuladores

O crescimento dos investimentos diretos torna
o Brasil menos dependente do capital volátil

Karin Finkenzeller


Regis Filho

Uma das formas mais eficientes de medir a confiança do mercado internacional em um país é ver quanto dinheiro estrangeiro está entrando em negócios como construção de fábricas e compra de empresas. Nesse quesito, o Brasil tem-se saído muito bem nos últimos meses. O volume de investimentos externos diretos chegou a 30 bilhões de dólares em 1999. No primeiro bimestre de 2000 a cifra encostou nos 5 bilhões. É mais do que o Brasil tem de desembolsar para cobrir o déficit de seus compromissos externos assumidos no mesmo período. Os dólares, que não vieram para comprar gigantescas empresas telefônicas ou elétricas em processo de privatização, são um indício de que se pode esperar um crescimento consistente do país nos próximos anos. "O clima para investir no Brasil está cada vez mais favorável", diz o economista Antônio Corrêa de Lacerda, vice-presidente da Sobeet, entidade que estuda as empresas transnacionais e a globalização econômica.

Os investimentos diretos não são apenas suficientes para cobrir o déficit externo do país. Eles também estão superando, e muito, o dinheiro especulativo que vem do exterior para obter lucro fácil no mercado financeiro. Essa é uma ótima notícia para o Brasil, que, até muito pouco tempo atrás, tinha de alçar os juros a alturas estratosféricas para convencer investidores estrangeiros de que arriscar uma aplicação no país valia a pena. Em 1998, o estoque de capital internacional especulativo chegou a 32 bilhões de dólares. Mas bastou que a crise russa sobreviesse, afetando todos os mercados emergentes, para a dinheirama toda ir embora, fragilizando a economia brasileira. A situação hoje é bem diferente. O mercado calcula que o volume de capital volátil no país não chegue a 2 bilhões de reais. E os especuladores não estão fazendo falta para fechar as contas externas.

Dólares menos ariscos estão desembarcando no Brasil cada vez mais animados porque as notícias sobre o desempenho da economia do país são positivas. Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou uma pesquisa segundo a qual a produção industrial brasileira cresceu em fevereiro como não crescia desde abril de 1997. O avanço foi de 3,1% sobre janeiro. Outra novidade tranqüilizadora foi a decisão do governo de antecipar o pagamento de 10,2 bilhões de dólares a organismos como o Fundo Monetário Internacional (FMI), que socorreram o Brasil em setembro de 1998, quando os especuladores deixaram o país ao desabrigo. Para o economista-chefe do Banco Bilbao Vizcaya em São Paulo, Octavio de Barros, notícias como essas têm tornado o país imbatível em matéria de atração de investidores. "Somente a China está rivalizando com o Brasil em volume de investimentos externos, com a diferença de que lá 80% do dinheiro é dos próprios chineses, que estão trazendo seu capital de volta ao país", diz.

Os sintomas do otimismo estrangeiro em relação ao Brasil podem ser percebidos nos hotéis de grandes cidades, em escritórios de governo e nas federações de indústrias e câmaras de comércio. Em poucos dias, a área de relações internacionais da Federação das Indústrias de São Paulo recebeu emissários de governos e de empresas da Itália, Hungria, Egito, Israel e Cingapura. O cônsul para assuntos econômicos de Israel Gal Mor revela que seu país pretende multiplicar por três o volume de investimentos no Brasil, dos 100 milhões de dólares atuais para 300 milhões de dólares nos próximos anos. Já a Câmara de Comércio Brasil-Alemanha apurou que empresas estimam em 7 bilhões de dólares o total de recursos a ser investidos no país até 2004. Uma pesquisa da câmara descobriu também que 73% das companhias alemãs já instaladas no Brasil consideram o cenário atual favorável a novos investimentos.

 

 
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