Bye, especuladores
O crescimento dos investimentos
diretos torna
o Brasil menos dependente do capital volátil
Karin Finkenzeller
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Regis Filho
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Uma das formas mais eficientes de medir a confiança
do mercado internacional em um país é ver quanto
dinheiro estrangeiro está entrando em negócios
como construção de fábricas e compra
de empresas. Nesse quesito, o Brasil tem-se saído muito
bem nos últimos meses. O volume de investimentos externos
diretos chegou a 30 bilhões de dólares em 1999.
No primeiro bimestre de 2000 a cifra encostou nos 5 bilhões.
É mais do que o Brasil tem de desembolsar para cobrir
o déficit de seus compromissos externos assumidos no
mesmo período. Os dólares, que não vieram
para comprar gigantescas empresas telefônicas ou elétricas
em processo de privatização, são um indício
de que se pode esperar um crescimento consistente do país
nos próximos anos. "O clima para investir no Brasil
está cada vez mais favorável", diz o economista
Antônio Corrêa de Lacerda, vice-presidente da
Sobeet, entidade que estuda as empresas transnacionais e a
globalização econômica.
Os investimentos diretos não são apenas suficientes
para cobrir o déficit externo do país. Eles
também estão superando, e muito, o dinheiro
especulativo que vem do exterior para obter lucro fácil
no mercado financeiro. Essa é uma ótima notícia
para o Brasil, que, até muito pouco tempo atrás,
tinha de alçar os juros a alturas estratosféricas
para convencer investidores estrangeiros de que arriscar uma
aplicação no país valia a pena. Em 1998,
o estoque de capital internacional especulativo chegou a 32
bilhões de dólares. Mas bastou que a crise russa
sobreviesse, afetando todos os mercados emergentes, para a
dinheirama toda ir embora, fragilizando a economia brasileira.
A situação hoje é bem diferente. O mercado
calcula que o volume de capital volátil no país
não chegue a 2 bilhões de reais. E os especuladores
não estão fazendo falta para fechar as contas
externas.
Dólares menos ariscos estão desembarcando
no Brasil cada vez mais animados porque as notícias
sobre o desempenho da economia do país são positivas.
Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) divulgou uma pesquisa segundo a qual a produção
industrial brasileira cresceu em fevereiro como não
crescia desde abril de 1997. O avanço foi de 3,1% sobre
janeiro. Outra novidade tranqüilizadora foi a decisão
do governo de antecipar o pagamento de 10,2 bilhões
de dólares a organismos como o Fundo Monetário
Internacional (FMI), que socorreram o Brasil em setembro de
1998, quando os especuladores deixaram o país ao desabrigo.
Para o economista-chefe do Banco Bilbao Vizcaya em São
Paulo, Octavio de Barros, notícias como essas têm
tornado o país imbatível em matéria de
atração de investidores. "Somente a China está
rivalizando com o Brasil em volume de investimentos externos,
com a diferença de que lá 80% do dinheiro é
dos próprios chineses, que estão trazendo seu
capital de volta ao país", diz.
Os sintomas do otimismo estrangeiro em relação
ao Brasil podem ser percebidos nos hotéis de grandes
cidades, em escritórios de governo e nas federações
de indústrias e câmaras de comércio. Em
poucos dias, a área de relações internacionais
da Federação das Indústrias de São
Paulo recebeu emissários de governos e de empresas
da Itália, Hungria, Egito, Israel e Cingapura. O cônsul
para assuntos econômicos de Israel Gal Mor revela que
seu país pretende multiplicar por três o volume
de investimentos no Brasil, dos 100 milhões de dólares
atuais para 300 milhões de dólares nos próximos
anos. Já a Câmara de Comércio Brasil-Alemanha
apurou que empresas estimam em 7 bilhões de dólares
o total de recursos a ser investidos no país até
2004. Uma pesquisa da câmara descobriu também
que 73% das companhias alemãs já instaladas
no Brasil consideram o cenário atual favorável
a novos investimentos.
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