Edição 1 644 -12/4/2000

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As gatas de botas

Cano curto ou longo, de pele ou couro de
cobra, com ou sem salto
o inverno é delas

A bota veio para quebrar neste outono-inverno. Não importa a versão, será peça obrigatória no guarda-roupa de patricinhas e modernas, de endinheiradas e menos favorecidas. Além das estampas animais, o calçado ganhou muitas cores, num vale-tudo em que entram todos os tipos e tamanhos de bico, salto e cano. "As botas compõem pelo menos 60% da nossa coleção", diz a paulista Mirella Beneduci, estilista da grife que leva o sobrenome da família. Como sempre acontece, pouca gente vai acertar e muita, muita gente vai errar na escolha do modelo. Aproveitando a ocasião, é até capaz de alguma engraçadinha ressuscitar aquelas botas brancas de cano alto, lembra? Não dá mesmo para esquecer.

O apelo fashion das botas começou no século XVII, quando a nobreza européia levou para o ambiente palaciano aquelas enormes, acima do joelho, usadas por mosqueteiros e caçadores. Era então um calçado exclusivamente masculino. Os primeiros sapatinhos femininos abotinados, de salto e cadarço, fizeram furor no século XIX. Desde então, as botas batem ponto nas vitrines em todos os invernos europeus. No ameno frio brasileiro só emplacam, sobretudo as de cano alto, quando a moda manda. Nunca, no entanto, foram tão extravagantes. Há aquelas que trazem tachas no cano, dentro do melhor estilo punk, em modelo da Yes Brazil, e outras com listras de zebra e de tigre. Existe até uma bota de patchwork em couro de cobra, criada pela Beneduci. "É um estilo hippie-chique", define Mirella. Chique, não, chiquérrimo e carésimo: a obra de arte custa 847 reais.

Cano alto e saia Na hora de escolher a bota, algumas verdades são irretorquíveis. Primeira e fundamental: mulheres baixinhas, ou que têm pernas muito grossas, devem passar longe das botas. E, se a opção for por uma peça mais chamativa, na cor ou no material, o resto da roupa deve ser monocromático e discretíssimo. Salto, vale qualquer um, a qualquer hora, com a seguinte ressalva: é no mínimo penoso passar oito horas do dia ou mais equilibrando-se sobre 10 centímetros de salto fino e, ainda por cima, bico fino. "Para o dia-a-dia, o indicado são os modelos de bico mais largo, com saltos de até 6 centímetros. São os mais confortáveis", diz Jefferson Birman, dono da Arezzo. Quanto ao cano, a regra fundamental diz que cano curtinho só combina com calça comprida saia, nunca. Com os modelos de cano alto, o ideal é usar uma saia reta na altura do joelho, deixando pelo menos três dedos entre o fim da bota e a barra. De todos os pecados, porém, o mais imperdoável nesta estação é colocar a calça para dentro do cano. "É a morte", decreta o estilista Fernando Pires.

 


Fotos Selmy Yassuda