As gatas de botas
Cano curto ou longo, de pele ou couro de
cobra, com ou sem salto –
o inverno é delas
A bota veio para quebrar neste outono-inverno. Não
importa a versão, será peça obrigatória
no guarda-roupa de patricinhas e modernas, de endinheiradas
e menos favorecidas. Além das estampas animais, o
calçado ganhou muitas cores, num vale-tudo em que
entram todos os tipos e tamanhos de bico, salto e cano.
"As botas compõem pelo menos 60% da nossa coleção",
diz a paulista Mirella Beneduci, estilista da grife que
leva o sobrenome da família. Como sempre acontece,
pouca gente vai acertar e muita, muita gente vai errar na
escolha do modelo. Aproveitando a ocasião, é
até capaz de alguma engraçadinha ressuscitar
aquelas botas brancas de cano alto, lembra? Não dá
mesmo para esquecer.
O apelo fashion das botas começou no século
XVII, quando a nobreza européia levou para o ambiente
palaciano aquelas enormes, acima do joelho, usadas por mosqueteiros
e caçadores. Era então um calçado exclusivamente
masculino. Os primeiros sapatinhos femininos abotinados,
de salto e cadarço, fizeram furor no século
XIX. Desde então, as botas batem ponto nas vitrines
em todos os invernos europeus. No ameno frio brasileiro
só emplacam, sobretudo as de cano alto, quando a
moda manda. Nunca, no entanto, foram tão extravagantes.
Há aquelas que trazem tachas no cano, dentro do melhor
estilo punk, em modelo da Yes Brazil, e outras com listras
de zebra e de tigre. Existe até uma bota de patchwork
em couro de cobra, criada pela Beneduci. "É um estilo
hippie-chique", define Mirella. Chique, não, chiquérrimo
e carésimo: a obra de arte custa 847 reais.
Cano alto e saia –
Na hora de escolher a bota, algumas verdades são
irretorquíveis. Primeira e fundamental: mulheres
baixinhas, ou que têm pernas muito grossas, devem
passar longe das botas. E, se a opção for
por uma peça mais chamativa, na cor ou no material,
o resto da roupa deve ser monocromático e discretíssimo.
Salto, vale qualquer um, a qualquer hora, com a seguinte
ressalva: é no mínimo penoso passar oito horas
do dia ou mais equilibrando-se sobre 10 centímetros
de salto fino e, ainda por cima, bico fino. "Para o dia-a-dia,
o indicado são os modelos de bico mais largo, com
saltos de até 6 centímetros. São os
mais confortáveis", diz Jefferson Birman, dono da
Arezzo. Quanto ao cano, a regra fundamental diz que cano
curtinho só combina com calça comprida –
saia, nunca. Com os modelos de cano alto, o ideal é
usar uma saia reta na altura do joelho, deixando pelo menos
três dedos entre o fim da bota e a barra. De todos
os pecados, porém, o mais imperdoável nesta
estação é colocar a calça para
dentro do cano. "É a morte", decreta o estilista
Fernando Pires.