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Edição
1 644 -12/4/2000
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Surgem novos Consuelo Dieguez e Marcelo Carneiro Desde que era a capital do império, o Rio convive com as mazelas da burocracia estatal. Mas poucas vezes na história do Estado se viu uma torrente tão forte de irregularidades. Nos últimos trinta dias, membros da equipe do governador Anthony Garotinho foram acusados de fazer parte da "banda podre" da polícia, de contratar sem licitação na área de informática e de favorecer empresas em concorrências para obras públicas. À "Turma do Chuvisco", grupo de assessores de Campos que ajudou o governador a chegar ao Palácio Guanabara, soma-se agora um integrante de peso, que circula com a mesma desenvoltura de seus colegas entre a vida pública e os negócios privados. É o secretário estadual de Defesa Civil, coronel bombeiro Paulo Gomes dos Santos Filho. O coronel bombeiro Gomes, responsável por toda a regulamentação de serviços de combate a incêndio em prédios e apartamentos, é casado com Maria Zélia Silva Nascimento, dona do grupo Sermacol, que tem na segurança contra incêndio a maior parte de seu faturamento.
Enquanto o novo membro bombeiro se acomodava à caravana que veio de Campos, surgiam outras informações sobre as travessuras dos velhos integrantes da Turma do Chuvisco. O presidente da Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos (Asep), Ranulfo Vidigal Ribeiro, é primo de Henrique Alberto Santos Ribeiro, presidente do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem. Não haveria nada de mais. No entanto, as licitações do DER em Campos têm sido ganhas por empresários que acompanham Vidigal desde os tempos da prefeitura de São João da Barra, onde foi cassado por corrupção. A Imbé domina o mercado de licitações para asfaltar estradas na região. Coincidentemente, tem como responsável técnico Paulo César Paes de Freitas, um dos donos da Construtora Affonseca, que esteve no centro da cassação de Vidigal. Eram dela várias das obras fantasmas descobertas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). Jornais do Rio divulgaram o conteúdo de fitas que registram ligações nebulosas da turma de Campos. Outro que volta ao centro das denúncias é o secretário de Justiça, Antônio Oliboni, dono de um escritório de advocacia em que sua mulher, Marcela Pessanha, e seu sogro, Francisco de Assis Pessanha, já defenderam causas contra o Estado. A suspeita de irregularidades atinge também o principal projeto social de Garotinho, o programa Cheque Cidadão, comandado pelo chefe do Gabinete Civil, Jonas Lopes de Carvalho. O governo distribui todo mês 25.000 cheques nominais, no valor de 100 reais, a famílias carentes, que podem trocá-los por alimentos da cesta básica em supermercados. A suspeita é que essa verba esteja servindo a fins eleitoreiros. O Gabinete Civil escolheu as igrejas evangélicas reduto eleitoral de Garotinho e da vice-governadora, Benedita da Silva como o principal canal de distribuição dos cheques. Quem decide para quais igrejas vai o dinheiro é o pastor Everaldo Dias, ligado a Benedita. A vice-governadora foi escolhida candidata do PT à prefeitura do Rio, há duas semanas, em uma convenção na qual derrotou o ex-líder estudantil Vladimir Palmeira. Seus adversários atribuem boa parte dessa diferença ao uso do Cheque Cidadão para arrebanhar votos.Outro pastor, o deputado Francisco Silva, é responsável pela estratégia de comunicação de Garotinho, com forte apelo religioso. Dono da rádio Melodia, no Rio, Francisco Silva comprou outra emissora em São Paulo e alugou espaço para programas no Recife e em Belo Horizonte, depois de uma rápida passagem pela Secretaria de Habitação do Rio. É dele a indicação de Eduardo Cunha para a Companhia Estadual de Habitação, suspeita de favorecer uma empreiteira em concorrência para a construção de casas populares. Garotinho tem dois programas diários na rádio Melodia, em que fala para um público estimado em 200.000 ouvintes por minuto, segundo o Ibope. Também tem espaço garantido nas outras rádios controladas por Francisco Silva. O governador tem feito uso de toda sua verve para reafirmar que punirá quem não provar inocência. Se passar das palavras à ação, poderá amenizar o mal-estar que se instalou no Estado. Com reportagem de Ronaldo
França
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