Horton e o Mundo dos Quem:
um elefante com a voz de Jim Carrey que incomoda
muita gente
Horton e o Mundo dos Quem(Horton Hears a Who!, Estados Unidos, 2008. Estréia
nesta sexta-feira) Juntar novamente Jim Carrey e a obra
do autor infantil Dr. Seuss (1904-1991) parece, à primeira
vista, uma temeridade como quem viu o insuportável
O Grinch não consegue esquecer. Mas, graças
à criatividade do ateliê Blue Sky, de Robôs
e da série A Era do Gelo, o saldo aqui é
encantador. Carrey empresta sua voz ao expansivo elefante Horton,
que incomoda muita gente quando cisma que, num pequeno grão
de pólen que passou voando perto dele, existe todo um
mundo habitado por pessoas minúsculas. Perseguido por
uma canguru rea-cionária e pela massa que ela manobra,
Horton ainda assim insiste na sua teoria. Não só
prova que ela é verdadeira, como, com a ajuda do prefeito
do pequeno mundo dos Quem (com a voz excelente de Steve Carell),
enfrenta perigos terríveis para conduzir o grãozinho
até um lugar seguro. O enredo é perfeito para
o time da Blue Sky, cujos maiores atributos são o humor
com um quê de absurdo (o traço marcante das rimas
de Dr. Seuss, preservadas na narração) e o talento
para seqüências de ação que são
verdadeiros delírios da causa e efeito. Veja
as cenas
DVD
Divulgação
A Fúria: alguma
coisa fora de esquadro
A Fúria(He
Was a Quiet Man, Estados Unidos, 2007. Focus) Com
uma carreira composta de muitos baixos e só um ou outro
alto, Christian Slater não é a recomendação
que se procura para alugar um filme. Esse aqui, porém,
é uma grata surpresa. Slater interpreta Maconel, um desses
zumbis de escritório que, certo dia, prestes a massacrar
os colegas, mal se salva dos tiros de um sujeito que teve a
mesma idéia antes dele. Maconel mata o agressor (afinal,
ele já estava de revólver na mão) e resgata
uma moça gravemente ferida, que é seu objeto de
desejo e instantanea-mente vira um herói na mídia
e na empresa, com direito a promoção, carro e
cartão corporativo. A maneira como o diretor Frank A.
Cap-pello narra essa história, contudo, deixa uma vaga
sensação de que algo aí está fora
de esquadro e talvez não corresponda à realidade.
Veja
as cenas
LIVROS
A
Exceção, de Christian Jungersen (tradução
de Ryta Vinagre; Intrínseca; 560 páginas; 39,90
reais) Seria de esperar que os funcionários do
Centro Dinamarquês de Informações sobre
Genocídios seguissem os elevados princípios humanitários
que a organização defende. Mas seu escritório,
ocupado por quatro mulheres chefiadas por um homem manipulador,
é dividido por rixas e competições mesquinhas.
A tensão do trabalho aumenta quando as funcionárias
começam a receber e-mails ameaçadores, cujo provável
autor é um criminoso de guerra sérvio. Contrastando
a politicagem miúda do escritório com os grandes
pesadelos genocidas do século XX, o dinamarquês
Christian Jungersen construiu um thriller psicológico
envolvente e muito inteligente. Leia
trecho.
Isto
É Biologia, de Ernst Mayr (tradução
de Claudio Angelo; Companhia das Letras; 440 páginas;
56 reais) O alemão Ernst Mayr (1904-2005) já
foi chamado de "Darwin do século XX". Seu trabalho
foi fundamental para a grande síntese da biologia moderna:
a convergência da teoria da evolução de
Darwin e das descobertas da genética. Uma de suas últimas
obras, Isto É Biologia é um estimulante
cruzamento entre filosofia, história da ciência
e divulgação científica. Mayr apresenta
uma espécie de história da biologia, acessível
para o leigo. O livro começa explicando como se define
cientificamente a vida. No capítulo final, examina as
implicações éticas da biologia moderna
e propõe um novo "humanismo evolutivo". Leia
trecho.
DISCOS
Divulgação
Radiohead: sucesso da internet
agora nas lojas
In
Rainbows, Radiohead (Flamil) O novo disco do
quinteto inglês tornou-se um fenômeno do mercado
por causa de sua estratégia de lançamento
em outubro do ano passado, ele estava disponível para
download, pelo preço que o fã achasse justo (estima-se
que 1 milhão de pessoas tenham baixado o álbum).
Neste ano, In Rainbows chegou às lojas de discos
e também teve bons resultados, alcançando os primeiros
lugares nas paradas dos Estados Unidos e da Inglaterra. Muito
mais do que a uma estratégia de marketing, o êxito
de In Rainbows se deve à excelência musical
do Radiohead. O quinteto capitaneado pelo guitarrista e vocalista
Thom Yorke e pelo guitarrista Jonny Greenwood sabe como poucos
misturar rock, música clássica, eletrônica
e experimental. As faixas Bodysnatchers e House of
Cards são ótimos exemplos dessa mistura.
Punk
1977-2007: 30th Anniversary Edition, vários intérpretes
(Music Brokers) O movimento punk surgiu com a proposta
de trazer o rock às suas origens (segundo os artistas
desse gênero, os roqueiros da época trocaram a
simplicidade do rock por longas firulas instrumentais). A tal
"simplicidade" deu origem a muita porcaria, mas também
a artistas de qualidade indiscutível. É o caso
do quarteto americano Ramones, que colabora com versões
demo de Judy is a Punk e I Wanna Be Your Boyfriend.
A coletânea, que está sendo lançada em três
CDs, divide-se entre grandes nomes (a única ausência
sentida é a do Clash), seguidores e raridades. Este último
item tem como destaque artistas que não se assumiram
como punks, porém influenciaram o movimento. Entre eles
estão Iggy Pop & Stooges e o grupo MC5 numa
versão demolidora de Kick Out the Jams.