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Edição 2051

12 de março de 2008
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Curral eleitoral

O que leva um voto a valer mais ou menos
nos paredões do Big Brother Brasil


Marcelo Marthe

Fotos Divulgação/TV Globo
Os "emparedados": se a briga tivesse ido ao ar, tudo seria diferente?

Na terça passada, o Big Brother Brasil registrou o paredão mais eletrizante de suas oito edições. Os 64 milhões de votos configuram um novo recorde – a taxa de participação mais alta até então, de 55 milhões, havia sido obtida no ano passado. Esse também foi um paredão muito disputado. Dois indicados – o psiquiatra Marcelo e a modelo e jornalista Juliana – revezaram-se como os mais rejeitados até o último minuto. No final, Juliana foi defenestrada com 50% dos votos, contra 47% de Marcelo (a terceira "emparedada", a modelo Gyselle, ficou com meros 3%). Como se processa essa votação gigante? Cerca de 90% dos votos vêm da internet. Os 10% restantes se dividem entre os torpedos de celulares e as ligações telefônicas. Na hora de computar o total, entra em cena um segredinho industrial. Não se chega ao resultado por uma soma simples, e sim graças a uma ponderação matemática. Na "democracia" do BBB, um voto pela internet vale menos do que um por torpedo. E este, por sua vez, menos ainda do que o sufrágio pelo telefone. Os votos diurnos também têm peso menor que os noturnos. Essa equação, um tanto esotérica, representa uma tentativa de levar em conta as diferentes fatias da população que compõem a audiência do show.

O bardo Bial: contradições, buracos negros, supernovas...

As votações movimentam uma bolada. A cada ligação, o espectador paga cerca de 10 centavos. No caso dos torpedos, a conta sai em média por 35 centavos. A Globo não ganha com as ligações, mas divide com as companhias telefônicas parte do lucro dos torpedos – a cada paredão, obtém até 300.000 reais, o suficiente para cobrir os custos operacionais da votação. Mas isso é café pequeno perto do que rende o BBB. Só com publicidade, a emissora projeta um faturamento de 350 milhões de reais nesta edição.

O último paredão reavivou, ainda, uma velha questão: até que ponto a edição do BBB procura deliberadamente influir no resultado? No dia da eliminação, uma lavagem de roupa suja opôs Marcelo a Gyselle. A única aliada do psiquiatra gay (que parte do público vê como vilão) rompeu com ele. A briga teve início à tarde, mas só esquentou de vez à noite. Marcelo disse que a "amiga" era "mais falsa que uma nota de 15 reais". E alfinetou: "O que você fará quando as pessoas descobrirem o que fazia para ganhar a vida lá fora?" (o que se sabe de seu currículo é que ela desempenhou, com êxito, a função de seduzir um sujeito comprometido num reality show francês). Como o público é fã de Gyselle, a exibição da briga poderia ter pesado contra Marcelo. Mas a Globo só mostrou seu prelúdio, alegando que a discussão mais pesada ocorreu minutos antes de o programa ir ao ar. Programa que, por sinal, também viu o apresentador Pedro Bial quebrar seu recorde de verborragia. "Vocês são indivíduos, com toda a complexidade que isso implica. Cheios de incoerências, de contradições, de buracos negros, de supernovas", disse o bardo cósmico.

 



 

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