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Edição 2051

12 de março de 2008
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Só falta ele correr sozinho

Os tênis de corrida nestas páginas foram selecionados em meio a centenas de marcas e modelos por uma razão: além de terem o repertório básico de qualquer bom calçado do gênero, eles são os mais avançados em tecnologia.


Monica Weinberg

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A lista foi consenso entre quatro especialistas consultados por VEJA, entre eles treinadores, médicos desportistas e o americano Ray Fredericksen, ligado ao laboratório da Universidade de Michigan, cuja área de pesquisa há vinte anos é justamente a biomecânica dos tênis. Todas as tecnologias avaliadas são indicadas para esportistas amadores afeitos às corridas de longa distância, algo como 4 milhões de brasileiros. Os atletas profissionais, afinal, preferem tênis com menos aparatos, porém mais leves. Segundo a análise do grupo, nenhum deles deixa de cumprir com suas promessas de proporcionar mais amortecimento, conforto ou, em certos casos, até a melhora no desempenho do atleta. Os especialistas jogam luz, no entanto, sobre um outro lado da questão: às vezes, tais efeitos são tão sutis que não chegam a fazer diferença relevante na prática. Eis as avaliações.

Sistema de ajuste de pisada

O que promete: reduzir o impacto sofrido pelo corpo durante o exercício e melhorar o desempenho do atleta na corrida

Como funciona: por meio de um sistema mecânico, o tênis altera a pisada: em vez de o corredor encostar primeiro o calcanhar no chão – caso de 80% das pessoas –, ele passa a tocar a pista com a parte anterior do pé. Esse tipo de movimento imita a corrida com os pés descalços, de menor impacto

Comentário dos especialistas: antes de encarar longas distâncias com esse tênis, o mais indicado para o corredor é que tente se adaptar a ele gradativamente – sem isso, o esforço exigido de músculos e ligamentos que não costumam ser acionados pode causar lesões. Com um treino prévio, o calçado de fato diminui o impacto do exercício no corpo. Quanto à melhora na performance, ela será insignificante para atletas amadores

Modelo indicado: Newton Running Gravity (ainda não está à venda no país, mas é possível comprá-lo por meio do site www.newtonrunning.com – sai por 545 reais, incluindo a taxa de envio ao Brasil e o imposto de importação*)

 

Amortecimento em gel com resina estabilizadora

O que promete: basicamente, o mesmo que qualquer outro tênis de corrida: proporcionar, ao mesmo tempo, uma pisada macia e firme – duas características aparentemente excludentes, ambas fundamentais

Como funciona: duas cápsulas de gel, uma na parte da frente do tênis e a outra sob o calcanhar, são responsáveis pelo amortecimento. A outra diferença em relação aos demais modelos é que, nesse caso, uma espécie de resina plástica reveste o gel, de modo a evitar que ele se comprima – e, com isso, deixe a pisada macia demais

Comentário dos especialistas: cumpre exatamente com aquilo que promete. Nenhum outro tênis no mercado consegue combinar tão bem maciez e firmeza

Modelo indicado: Asics Gel Kayano 14 (500 reais)

 

Entressola com Mogo

O que promete: mais conforto e durabilidade em comparação com os outros tênis do mercado

Como funciona: o MoGo, um tipo de liga plástica, reveste a entressola do tênis – algo normalmente feito com EVA, uma espécie de espuma

Comentário dos especialistas: a troca de um material pelo outro de fato confere a sensação de conforto prometida. Quanto à longevidade do tênis, pesquisas mostram que, com o MoGo, o desgaste é 33% menor

Modelo indicado: Brooks Trance 7 (500 reais)

 

Amortecimento "inteligente"

O que promete: ajustar automaticamente o amortecimento ao longo da corrida, de acordo com a velocidade do atleta, o tipo de terreno e a inclinação da pista – o que reduziria o impacto do exercício e o risco de lesão

Como funciona: um sensor instalado sob o calcanhar mede o impacto sofrido pelo pé quando toca o chão. Essa informação é transmitida a um microprocessador programado para avaliar se o amortecimento está adequado. Caso seja necessário, ele ativa um sistema mecânico capaz de aumentar ou diminuir a absorção do impacto

Comentário dos especialistas: o sistema funciona como o prometido, mas, na prática, a diferença é tão pequena que não se traduz em um ganho relevante para esportistas amadores – eles podem ser beneficiados, em medida semelhante, por amortecedores bem mais simples (e baratos)

Modelo indicado: Adidas 1.1 (800 reais)

 

Amortecimento centralizado

O que promete: fornecer amortecimento para um grupo específico de corredores – os 20% que encostam primeiro a parte do meio do pé no chão. Com isso, o tênis reduziria o risco de lesões e duraria mais

Como funciona: o sistema de amortecimento do tênis, quase sempre na região do calcanhar, nesse caso foi instalado no meio do calçado

Comentário dos especialistas: esportistas com tal estilo de corrida passam a correr menos risco de lesões. E têm um calçado mais duradouro, uma vez que a região do meio do pé, onde o desgaste é naturalmente maior nesse caso, ganha proteção extra

Modelo indicado: New Balance MR/WR 800 (400 reais – será lançado no Brasil em agosto)

 

 
Roberto Setton

Erro comum

A apresentadora de televisão Tatiana Dumenti, 23 anos, corre três vezes por semana. Ela costumava sentir dores no joelho e descobriu que o fato de nunca aposentar seu velho par de tênis contribuía para isso: "Não sabia que ele tinha prazo de validade. O tênis ainda parecia novo"

* Os preços publicados nestas páginas expressam a média do mercado

 

Cartilha básica

Os especialistas chamam atenção para três informações imprescindíveis sobre qualquer tênis de corrida:

1 pisada

Cada modelo é confeccionado para um tipo de pisada – sem considerar isso, o corredor pode acabar pagando caro por um par que não lhe sirva. São três as pisadas. A mais comum é para dentro (pronada), seguida pela neutra. Os cinco modelos ao lado são indicados para esses dois grupos. Apenas 10% das pessoas têm a pisada para fora (supinada). Para tirar isso a limpo, vale consultar um médico ou fazer uso de um aparelho específico, disponível em algumas lojas

2 Como usar

Depois de uma corrida, o amortecimento do tênis está comprimido e deformado – e, para voltar ao normal, precisa de 24 horas sem uso. Quem corre todo dia, portanto, deve considerar a compra de um segundo par

3 Quando aposentar o tênis

O amortecimento de um tênis vai se desgastando conforme o uso – até não fazer mais efeito nenhum. Embora os fabricantes digam que isso aconteça por volta dos 500 quilômetros de corrida, os especialistas consultados por VEJA garantem que um bom amortecimento resiste a cerca de 1 000 quilômetros. É bom tomar nota num papel


Especialistas consultados: Cláudio de Araújo (médico da Universidade Gama Filho), Cláudio Castilho (treinador), José Telles (maratonista), Moisés Cohen (médico da Unifesp), Ricardo D’Ângelo (treinador), Samir Daher (traumatologista) e Todd Peapody (Runner’s World Shoe Laboratory)

Com reportagem de Camila Pereira e Renata Moreira



 

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