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Edição 2051

12 de março de 2008
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Economia
Uma fortuna real

Buffett aposta na alta da moeda brasileira e fica ainda mais bilionário


Julia Duailibi

O fundador da Microsoft, Bill Gates, perdeu o posto de homem mais rico do planeta, título que ostentava havia treze anos. De acordo com o ranking da revista americana Forbes, divulgado na semana passada, o megainvestidor Warren Buffett assumiu a primeira posição da lista, com uma fortuna pessoal estimada em 62 bilhões de dólares. O inusitado é que Buffett ultrapassou Gates não só com lucros advindos de operações no mercado de ações e de títulos. Também teve uma mãozinha do real – sim, a moeda brasileira, que ganhou 26% de valor em relação ao dólar nos últimos doze meses. Por meio de sua companhia, a Berkshire Hathaway, o investidor de 77 anos lucrou 100 milhões de dólares com a compra de reais. Ele mesmo descreveu o caráter inusitado do investimento: "Há não muito tempo, trocar dólares por reais seria uma coisa impensável. Afinal de contas, no último século, cinco versões da moeda brasileira simplesmente viraram confete" (na verdade foram oito versões).

A revelação de Buffett atiçou as críticas da turma que credita a valorização do real a certo artificialismo suicida do Banco Central brasileiro. Balela. O problema não está na sobrevalorização do real, mas na desvalorização do dólar. O próprio Buffett contou ter abocanhado, desde 2001, 2,3 bilhões de dólares comprando outras moedas como dólares canadenses e australianos – sinal de que existe algo de novo no cenário econômico mundial. Há outros sintomas disso. Os empresários de países emergentes vêm ampliando seu espaço no clube do bilhão. Dos 226 novos bilionários que surgiram em um ano, 82 vieram da Rússia, da China e da Índia. O mais rico entre todos os emergentes, o mexicano Carlos Slim subiu ao segundo posto do ranking, ultrapassando Bill Gates. Existem dezoito brasileiros na lista da Forbes, dois a menos que no ano passado. Antônio Ermírio de Moraes, dono da Votorantim, teria a maior fortuna brasileira, com 10 bilhões de dólares. Ele pulou da 226ª para a 77ª posição, ultrapassando Joseph Safra, o líder no ano passado. Uma das novidades é o empresário Eike Batista, cujos negócios na área de mineração lhe renderam 6,6 bilhões de dólares – Batista já havia se autodeclarado o homem mais rico do Brasil, com 16,6 bilhões de dólares, 10 bilhões a mais do que lhe credita a Forbes. A presença de brasileiros encolheu devido à exclusão dos quatro integrantes da família Constantino, dona da Gol, cuja fortuna decresceu com o impacto do caos aéreo na cotação das ações da empresa. Ao todo, há no mundo 1.125 bilionários – na lista anterior, constavam 946 nomes. Pela primeira vez, dois negros de origem africana entraram no ranking (o sul-africano Patrice Motsepe e o nigeriano Aliko Dangote). Sinal de que o capitalismo vai multiplicando fortunas.

 
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Foto Oscar Cabral



 

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