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DVDs
Crepúsculo
dos Deuses (Sunset Blvd., Estados Unidos, 1950. Paramount)
Gloria Swanson tinha sido uma estrela idolatrada na era do cinema
mudo, mas estava completamente esquecida desde o início dos anos
30. A culpa fora, em certa medida, do diretor austríaco Erich von
Stroheim, que também tinha em extravagância o que tinha em
talento. Von Stroheim enfrentara um sem-número de escândalos
com a censura e fora demitido por praticamente toda Hollywood. Desde 1928,
quando dirigira Gloria em Queen Kelly um desastre para ambos
, estava banido dos sets. William Holden era bem mais novo que os
dois, mas sua carreira estava se tornando cada vez mais insignificante.
Foram essas três tristes figuras que o diretor Billy Wilder escolheu
para protagonizar essa obra-prima (nunca lançada em vídeo
no Brasil). Mais apropriado, impossível. Crepúsculo
é narrado pelo roteirista Joe Gillis (Holden), que começa
o filme boiando morto numa piscina e explica os eventos que levaram ao
seu assassinato. Sem dinheiro e sem trabalho, ele se envolve com Norma
Desmond, uma estrela decadente do cinema mudo (Gloria, claro), e seu estranho
mordomo (Von Stroheim), que alimenta com fidelidade patética as
ilusões de grandeza da patroa. Magnificamente escrito e filmado,
o filme é de uma crueldade sem par no seu comentário sobre
a ambição, a vaidade e a falta de escrúpulos que
regem Hollywood. "Eu ainda sou grande. Os filmes é que ficaram
pequenos", diz Norma, numa das falas mais célebres do cinema. Os
filmes, talvez. Wilder, não.
Alvorada Cinematográfica
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Brandauer,
como o coronel Redl:
o manipulador manipulado |
Coronel Redl (Oberst Redl, Hungria/Alemanha/Áustria,
1985. New Line) Na ótima entrevista incluída nos
extras, o diretor húngaro István Szabó diz que, na
juventude, tentou descobrir o que torna o cinema único. A resposta
que encontrou foi a sua capacidade de revelar a transformação
que as emoções provocam no rosto humano. Redl é
um exemplo e tanto dessa capacidade no que o elenco, liderado por
Klaus Maria Brandauer, ajuda muito. Alfred Redl é um filho de camponeses
que consegue uma vaga na Academia Militar do Império Austro-Húngaro.
Para pagar sua dívida de gratidão, ele defende sanguineamente
a monarquia e o imperador Francisco José, a despeito de todos os
seus erros desastrosos. Como em outros filmes de Szabó, o dilema
aqui gira em torno de um homem que se acredita um manipulador até
descobrir, tarde demais, que sempre foi manipulado, e que sua força
nada significa diante de suas fraquezas.
10
Years of Later: 30 Great Live Performances, vários intérpretes
(Warner) Exibido no Brasil pelo canal pago People+Arts, o programa
Later... With Jools Holland, da rede inglesa BBC, honra o bordão
do "quem sabe faz ao vivo". O apresentador e pianista Holland traz ao
palco nomes consagrados do pop internacional, artistas emergentes e atrações
de world music em performances acima da média. 10 Years of Later
seleciona trinta entre as melhores apresentações do programa,
acrescidas de entrevistas e cenas de bastidores. Há desde a energia
do grupo sueco The Hives (Hate to Say I Told You So) até
o rock cerebral de Radiohead e R.E.M. (Paranoid Android, Country Feedback).
Os pontos altos são as divas Mary J. Blige e PJ Harvey, que combinam
talento e sensualidade nas faixas No More Drama e Down by the
Water.
DISCOS
How
Sweet It Is, Joan Osborne (Sum) Quem se lembra da cantora
apenas pelo hit chatinho One of Us, de 1996, terá uma surpresa
agradável ao conferir esse disco. How Sweet It Is mostra
que Joan se sai melhor como intérprete do que como compositora.
Ela, que começou cantando em bares antes de ser descoberta por
um olheiro do selo Mercury, recria diversas gemas da soul music e do rock
das décadas de 60 e 70, dando às composições
um toque de originalidade. Love's in Need of Love Today, de Stevie
Wonder, por exemplo, ganhou uma pegada eletrônica. Smiling Faces
Sometimes (que o grupo Temptations gravou em 1970) foi encorpada pelos
vocais cavernosos de Isaac Hayes. O ponto alto do CD é a recriação
de Axis:
Bold as Love, de Jimi Hendrix. Até o lendário
guitarrista ficaria arrepiado com os arranjos de cordas e sopros e os
vocais delicados que Joan imprimiu à canção.
André Lobo
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| Nana
Caymmi: grande voz da MPB |
Nana
Caymmi e Renascer, Nana Caymmi (CID) Se alguém
tinha dúvidas da importância de Nana Caymmi na história
da MPB, pode comprovar seu talento nesses dois CDs, lançados originalmente
em 1975 e 1976. Com sua voz grave, Nana se destaca pelo estilo emotivo
de canto uma habilidade de interpretação compartilhada
apenas com nomes como Elis Regina e Maria Bethânia. Nana Caymmi
debutou em discos no início dos anos 60. Logo depois, mudou-se
para a Venezuela com o marido, e retomou a carreira apenas na década
seguinte. Os discos foram produzidos por Dori Caymmi, irmão da
cantora, e têm repertório primoroso que vai de Milton Nascimento
(Ponta de Areia) a Tom Jobim (Pois É). Destaque,
em Renascer, para Desenredo, de Dori Caymmi e Paulo César
Pinheiro.
LIVROS
Os
Órfãos de Ruanda, de Elmore Leonard (tradução
de Aulyde Soares Rodrigues; Rocco; 241 páginas; 28 reais)
Um dos mais originais autores de ficção policial em atividade,
o americano Leonard inicia seu romance num cenário inusitado: Ruanda,
a nação africana dilacerada por conflitos étnicos.
É lá que o americano Terry Dunn mantém uma pequena
paróquia. Seu comportamento tem pouco em comum com o de um padre
normal, e o leitor logo percebe que está diante de um dos carismáticos
pilantras que são a especialidade de Leonard. Antes de mudar-se
para a África, Dunn foi contrabandista e fraudador de impostos
nos Estados Unidos. E é para lá que terá de voltar
para enfrentar velhos fantasmas e algumas aventuras novas. Leonard
disse certa vez que sua única regra ao escrever era "cortar todas
as partes chatas". A regra foi seguida à risca nesse livro.
Sangue
na Lua, de James Ellroy (tradução de Alves Calado;
Record; 270 páginas; 38 reais) Mesmo antes da consagração
definitiva com Dália Negra e Los Angeles, Cidade Proibida,
o americano Ellroy criou um personagem antológico do gênero
policial: o detetive Lloyd Hopkins. Ele foi protagonista de uma série
de três romances, dos quais esse, lançado originalmente em
1984, é o primeiro. Suas principais características são
o QI altíssimo e a obsessão em resolver seus casos
que o levam a descuidar-se de sua vida íntima e aproximar-se com
freqüência da ilegalidade. Sua tarefa nesse livro tenso é
prender um psicopata responsável por vinte assassinatos
e só Hopkins consegue enxergar a ligação que existe
entre os crimes, cometidos ao longo de muitos anos. Leia
trechos do livro.
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