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Edição 1 793 - 12 de março de 2003
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Lauro Jardim [e-mail: ljardim@abril.com.br]

 

O poder do tráfico barra o poder público

José Paulo Lacerda/AE
Teixeira: enfrentamento a caminho


O governo vem, há tempos, instalando computadores em áreas carentes, em todo o país. Houve apenas um Estado em que a instalação não andou, porque os traficantes de drogas impediram a entrada dos equipamentos. Foi, claro, no Rio de Janeiro. Em 35% das favelas cariocas, os técnicos contratados pelo Ministério das Comunicações tiveram de dar meia-volta. Neste mês, o projeto será retomado. E a decisão do ministro Miro Teixeira, apoiada por Márcio Thomaz Bastos, é começar justamente pelas comunidades em que o tráfico não permitiu. Resta saber quantas balas haverá no meio do caminho.


GOVERNO

Palocci, a âncora
Apesar dos esperneios da esquerda do PT, cada vez mais Antônio Palocci é neste governo o que Armínio Fraga representou em alguns momentos do governo FHC — uma espécie de fiador da estabilidade para os agentes econômicos e para o mercado.

 

CONGRESSO

Farra de celulares
Uma conta estranha: a Câmara dos Deputados dá telefones celulares aos sete integrantes da mesa diretora, aos treze líderes da Casa e a seus chefes de gabinete. Ao todo, portanto, deveriam ser quarenta aparelhos. Pois é, uma investigação recém-terminada mostrou que são 150 os agraciados com celulares. Mais da metade deles terão de ser devolvidos. É um bom começo — deve diminuir a conversa fiada na Câmara. Mas ainda há gordura para cortar.

 

TUCANOS

Serra on-line
José Serra era um zero à esquerda diante de um computador. Agora, em sua temporada americana, aprendeu a usar o e-mail e a internet. Está maravilhado. Seus interlocutores também. Notívago, Serra sempre gostou de conversar ao telefone madrugada adentro, para desespero dos interlocutores. Pelo e-mail, os amigos podem responder a Serra em horários mais civilizados.

Ricardo Sérgio ataca o Leão
Ricardo Sérgio, ex-diretor do Banco do Brasil e ex-arrecadador de campanhas tucanas, quem diria, partiu para a briga contra o Leão. Entrou com uma representação na Receita Federal acusando-a de ter aberto seu sigilo bancário.

Reunião de ex
No fim do mês, depois de dar uma passadinha pelo Brasil, o globe-trotter FHC se encontra com Bill Clinton em Nova York. Vão falar da guerra e, com certeza, mal de George W. Bush, não necessariamente nessa ordem.

 

ECONOMIA

O gigante se move
Mais uma da série "nem tudo vai mal": no mês passado, a Usiminas produziu 435.000 toneladas de aço, um aumento de 10% em relação ao mesmo período de 2002. Mais: desde 1997, nunca a siderúrgica produzira tanto num mês de fevereiro. Desse total, 73% foram vendidos no mercado interno.

 

ESPORTE

Correndo por dinheiro
A Coca-Cola está prestes a anunciar um superpatrocínio aos atletas brasileiros que forem às Olimpíadas de Atenas, no ano que vem. É um patrocínio nos moldes americanos, premiando em dinheiro o desempenho. Ou seja, só fatura quem ganhar medalha ou obtiver sua melhor performance durante o evento. Uma medalha de ouro nos 100 metros rasos, por exemplo, renderá 90.000 reais. Um recorde mundial, mais 72.000 reais, e assim por diante. Atualizando a velha máxima olímpica, o importante é competir... por dinheiro.

 

Ela é o terror das seguradoras

Ricardo Rollo
Kombi: o seguro custa até quatro vezes mais

A boa e velha Kombi, quem diria, virou o terror das seguradoras. Elas querem distância do veículo, que está há 45 anos firme no mercado — firme mesmo, já que a Volkswagen ainda prevê vida longa ao utilitário. As seguradoras consideram alto demais o risco. A prova disso é que normalmente um seguro custa entre 8% e 10%, em média, sobre o valor do carro. Já o proprietário de uma Kombi paga entre 30% e 35%. O presidente de uma grande seguradora diz que o problema é o grande número de roubos de Kombi, o que encarece o seguro.


CORRUPÇÃO

Estamos melhorando?
As fraudes diminuíram no país. A afirmação pode parecer meio duvidosa no país do Silveirinha, mas é o resultado de um extenso estudo feito pela KPMG sobre a corrupção. Produzido a partir de entrevistas com executivos das 1.000 maiores empresas públicas e privadas, o levantamento revela que 76% dos entrevistados declaram ter sofrido algum tipo de fraude no ano passado. Parece muito — e é. Mas na pesquisa anterior, feita em 2000, esse porcentual era de 81%.

 

LIVROS

A volta do INL
Gilberto Gil vai recriar o Instituto Nacional do Livro (INL), extinto no governo Collor.

 

CRIMINALIDADE

Superescolta aérea
O tempo anda tão quente nas estradas brasileiras que o transporte de telefones celulares está sendo feito com escoltas fortemente armadas na frente e atrás dos caminhões. Como se não bastasse, surge agora uma novidade: um helicóptero monitora todo o percurso. Pode parecer, mas os fabricantes não estão exagerando. Afinal, cada um desses caminhões transporta um pote de ouro em cada carregamento: cerca de 1 milhão de reais em celulares.

O abacaxi Beira-Mar
O governo vai insistir com Geraldo Alckmin para que Fernandinho Beira-Mar fique mais um tempinho em São Paulo, além dos trinta dias combinados. Se não der, o ministro Márcio Thomaz Bastos já tem duas outras opções.

 

CINEMA

Olhos grudados nas telas
Uma extensa (e inédita) pesquisa feita pelo Datafolha investigando os hábitos dos espectadores de cinema no país revela que o carioca é mais assíduo que o paulista diante das telas: 18% dos entrevistados do Rio de Janeiro disseram que vão ao cinema pelo menos uma vez a cada quinze dias. Em São Paulo, apenas 10% dos entrevistados fazem o mesmo.


Colaboraram Felipe Patury e Ronaldo França

 
 




Foto Reuters

 

   
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