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Um
ser de outro planeta
Vodu, amizade íntima com crianças
e
nariz postiço. Assim é o bizarro
mundo
do cantor Michael Jackson
Marcelo Marthe
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| Vanity
Fair: "Michael
Jackson é o reverso de Pinóquio: mais mentiras, menos
nariz?" |

Veja também |
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É
triste a constatação, mas a lista de fatos bizarros em torno
do cantor Michael Jackson não pára de crescer. Na semana
passada, foi a revista americana Vanity Fair que trouxe à
tona revelações estarrecedoras. Uma delas diz que o astro,
depois de inúmeras cirurgias plásticas que destruíram
a cartilagem nasal, já não tem mais nariz, e precisa recorrer
a uma prótese para circular em público. A história
mais espantosa, no entanto, fala do envolvimento de Jackson com o vodu.
Sim, você leu certo: vodu. Segundo a revista, em meados de 2000,
o astro viajou à Suíça para participar de um estranho
ritual. Decidido a se vingar de seus desafetos, ele pagou 150 000 dólares
para que um bruxo africano conhecido como Baba realizasse uma cerimônia
de vodu contra 25 pessoas, entre as quais vários de seus ex-colaboradores
e alguns peixes graúdos do showbiz. No ritual, foram sacrificados
42 bois. "Desapareça, Steven Spielberg! Desapareça, David
Geffen!", amaldiçoou Baba, referindo-se, respectivamente, ao cineasta
que dirigiu E.T. e a um dos maiores empresários da indústria
do entretenimento. Jackson estaria ressentido com Spielberg por não
ter sido escolhido para encarnar Peter Pan, seu personagem predileto,
no filme Hook (1991) papel que coube ao ator Robin Williams.
E enxergaria em Geffen o chefão de uma "máfia gay" que boicotara
suas tentativas de fazer carreira em Hollywood. De acordo com a Vanity
Fair, essa não foi a única vez que Michael Jackson recorreu
à bruxaria. Algum tempo antes, ele havia se submetido a um banho
purificador em sangue de ovelhas, com o objetivo de exorcizar seus problemas
financeiros. O descarrego foi arranjado por uma misteriosa egípcia,
que se apresentou ao astro com uma carta de recomendação
de um certo figurão árabe, o príncipe Nawaf Bin Abdulaziz
Al-Saud, atual chefe do serviço de inteligência da Arábia
Saudita. O efeito da reportagem da Vanity Fair é particularmente
devastador neste momento, pois completa o quadro grotesco pintado pelo
documentário Living with Michael Jackson exibido
na Inglaterra e nos Estados Unidos no começo do mês passado,
e no Brasil no último dia 2, pelo canal pago Sony. Produzido pelo
jornalista inglês Martin Bashir, o polêmico programa
que a Rede Globo pode vir a transmitir em breve contém confissões
chocantes do autoproclamado Rei do Pop. Por exemplo: Jackson, que no começo
dos anos 90 sofreu acusações de pedofilia, admite que ainda
hoje divide sua cama com crianças (veja
quadro).
Reuters
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| O
astro, com Paris e Prince Michael I: ele levou a menina para casa
com placenta e tudo |
Não é exagero dizer que Jackson foi um ícone tão
influente na cultura pop dos anos 80 quanto Marilyn Monroe na década
de 50 ou os Beatles, na de 60. A música negra americana não
seria o que é hoje sem álbuns como Off the Wall (1979)
e Thriller (1982). Ele também popularizou e aperfeiçoou
o break, aquela coreografia em que os dançarinos se movimentam
como bonecos. Jackson vendeu 210 milhões de discos ao longo da
carreira e faturou mais que qualquer outro artista em atividade
algo na casa de 1 bilhão de dólares. Nos últimos
anos, contudo, sua carreira entrou numa equação perversa:
suas excentricidades passaram a atrair muito mais atenção
que seu trabalho e, conseqüentemente, seus discos passaram a vender
cada vez menos. O último deles, Invincible, lançado
em 2001, não chegou a 2 milhões de cópias vendidas
nos Estados Unidos um décimo do necessário para pagar
seu custo de 30 milhões de dólares. O astro está
à beira da falência. Há cinco anos, ele tomou um empréstimo
estimado em torno de 200 milhões de dólares, e que precisará
ser quitado em breve. Não é difícil imaginar motivos
para que Jackson topasse a proposta de Bashir para fazer um documentário
sobre sua intimidade. Ele supôs que mostrar sua casa, seus filhos
e sua rotina seria uma forma de apagar a imagem de maluco e, pior ainda,
de pedófilo. Seria uma oportunidade para apresentar-se como um
bom rapaz. O tiro saiu pela culatra: o programa mostrou que nenhum
aspecto da existência de Michael Jackson é normal.
Como costuma fazer sempre que uma nova história sobre ele começa
a circular, a primeira reação de Jackson foi desacreditar
o documentário. Bashir, um jornalista inglês de ascendência
paquistanesa que conquistou sua reputação graças
a uma série de entrevistas feitas com a princesa Diana em 1995,
na qual ela revelou ao mundo que estava traindo o príncipe Charles,
foi acusado por Jackson de distorcer aquilo que ele havia dito. O astro
anunciou a abertura de um processo contra Bashir e, de quebra, produziu
um documentário "alternativo", feito com imagens que um câmera
particular seu captou durante as gravações de Bashir. Essa
versão autorizada foi transmitida nos Estados Unidos, pelo canal
Fox, semanas depois de Living with Michael Jackson ir ao ar. A
comparação mostra que Bashir não distorceu nada
apenas mostrou Jackson abrindo o coração. O cantor ainda
pôs amigos e parentes para abafar o caso. Na semana passada, sua
irmã La Toya o defendeu na CNN, numa entrevista ao apresentador
americano Larry King e até o pai do cantor, tão demonizado
por ele no documentário, entrou em cena, por telefone, para apoiá-lo.
Curiosamente, Bashir também foi atacado por outro flanco. A duquesa
de York, Sarah Ferguson, ex-cunhada de Diana, veio a público denunciar
que o jornalista teria enganado a princesa. "Ele a iludiu ao se colocar
na posição de um homem maravilhoso que entendia bem as dores
dela", acusa Fergie. Tão logo a edição de abril da
Vanity Fair chegou às bancas, a jornalista Maureen Orth
também foi contestada e não por Jackson. Roger Friedman,
colunista da Fox News, a acusou de plagiar matérias suas e levantou
suspeita sobre o caso do vodu. Segundo ele, não haveria indício
de mágoa de Jackson em relação a Steven Spielberg
e David Geffen, apontados como seus inimigos.
AFP
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O incrível episódio
em que Jackson sacudiu o caçula na varanda do hotel: a mãe
foi de aluguel
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A despeito de todo esse tiroteio, será difícil para Jackson
negar muito do que se revelou a seu respeito nas últimas semanas.
Especialmente no caso do documentário de Bashir, um repórter
excelente que não conseguiu tanto quanto os espectadores
de seu programa evitar o espanto com as informações
que foi colhendo. O Michael Jackson que vem à tona no programa
é um sujeito completamente fora de sintonia com a realidade. Aos
44 anos, ele se compara o tempo todo a Peter Pan, o personagem que não
queria crescer. Em seu rancho californiano, conhecido como Neverland (Terra
do Nunca), o cantor se diverte com crianças no parque de diversões
e no zoológico que mantém no local. Brinca de kart e exibe
a árvore em que sobe em busca de inspiração para
compor. "Guerra de bexiga com água e subir em árvores é
o que mais gosto de fazer na vida", relata. Bashir acompanha Jackson numa
sessão de compras em Las Vegas. O cantor entra numa loja de mobiliário
e vai apontando aquilo que quer levar, sem jamais conferir os preços
nem mesmo examinar aquilo que está levando. A fatura fica na bagatela
de 6 milhões de dólares.
No documentário, Jackson dá um depoimento inédito
sobre as violências cometidas por seu pai, Joe, na época
em que este empresariava o grupo dos filhos, o Jackson 5, no fim dos anos
60. Segundo o cantor, o pai lhe dava surras, algumas com fio de ferro
de passar roupa, toda vez que ele se mostrava desatento nos ensaios da
banda. Ele fala de outro trauma que viveu naquela época: um de
seus irmãos mais velhos o deixava constrangido ao fazer sexo com
garotas no mesmo quarto em que ele dormia nas turnês. Jackson também
narra seu traumático início na vida sexual, com a então
namoradinha Tatum O'Neal, a filha do ator Ryan O'Neal. "Eu não
estava pronto para as coisas que ela queria. Lembro que deitei na cama
e, quando ela veio por cima, cobri o rosto com as mãos", diz o
astro, revirando os olhos com horror.
Na hora de falar sobre suas cirurgias plásticas, Jackson desconversa.
No documentário, ele jura que as mudanças em seu rosto foram
naturais, em decorrência do crescimento e da idade. E fica indignado
com as perguntas sobre mudanças em seu tom de pele. "Quantos brancos
ficam o dia todo sob o sol para parecer negros? O comércio de bronzeadores
é um negócio multimilionário e ninguém denuncia
isso", argumenta. Jackson afirma que fez uma plástica no nariz
para "respirar melhor e alcançar notas mais altas". Quando Bashir
questiona se ele está sendo honesto ao falar que fez apenas essa
plástica na vida, ele se corrige: "Foram duas. Pelo que me lembro".
Se for verdadeira, a revelação da Vanity Fair de
que ele já não ostenta seu nariz, e sim uma prótese,
pode significar a expiação de mais um trauma que remonta
à sua adolescência. O jovem Jackson teve sua auto-estima
ferida porque seu pai zombava de seu nariz. "Esse narigão não
veio da minha família", dizia Joe Jackson. Segundo a revista, pessoas
que viram o cantor sem a prótese atestam que ele fica com o aspecto
de uma múmia egípcia.
AFP
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| La
Toya Jackson, no programa de Larry King: ela saiu em defesa do irmão
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O
mais perturbador na personalidade de Michael Jackson é a estranha
relação que ele mantém com as crianças. Para
começar, o jeito como cria seus três filhos Prince
Michael I, de 5 anos, Paris, de 4 anos, e Prince Michael II, de 1 ano.
Os dois mais velhos vivem longe da mãe, a enfermeira Debbie Rowe,
desde o nascimento. No documentário, o astro conta com toda a naturalidade
que, quando Paris nasceu, ele agarrou a menina tão logo o cordão
umbilical foi cortado e a levou para casa ainda envolvida na placenta.
Jackson submete os filhos a dietas rigorosas e não os deixa aparecer
em público sem máscaras. No ano passado, numa viagem do
cantor a Berlim, Bashir acompanhou de perto a polêmica aparição
em que ele sacudiu seu caçula na janela de um hotel. Indignado
com as manchetes no dia seguinte, Jackson deu ao jornalista uma entrevista
em que parecia fora de si, chacoalhando a criança em seus braços,
enquanto lhe dava mamadeira. No programa, o cantor revela que o garoto
foi gerado por uma mãe de aluguel que ele nem chegou a conhecer.
E tenta explicar como, sendo ele negro (pelo menos nas fotos antigas e
em seus documentos), tem três filhos branquíssimos. "Você
precisa saber que os negros são chamados de pessoas de cor porque
têm várias cores", diz.
É
lastimável o tipo de amizade que Jackson insiste em manter com
os filhos alheios. O cantor, vale repetir, já enfrentou um processo
por assédio a um menor e só se livrou da queixa e
de ir para a cadeia depois de pagar uma indenização
de 25 milhões de dólares, em 1993. Segundo a Vanity Fair,
uma antiga empregada do cantor também teve o seu cala-boca
milionário depois de flagrá-lo espremido junto com seu filho
dentro de um saco de dormir e vê-lo nu mais de uma vez na presença
de garotos. No documentário inglês, o astro dá entrevista
ao lado de Gavin, um garoto de 12 anos que ele acolheu porque sofria de
câncer, mas que continua a freqüentar seu rancho. De mãos
dadas com Jackson, e de rosto encostado em seu ombro, Gavin conta que
já dormiu no quarto do cantor. Jackson sorri e esclarece que, enquanto
o garoto ocupou sua cama, ele dormiu no chão. Quando Bashir questiona
se ele acha normal um homem de 44 anos dividir o quarto com crianças,
o artista se sai com esta: "Quando você fala em cama, logo pensa
em sexo. Mas não tem nada a ver. Eu cubro as crianças, ponho
uma música e leio uma história para elas. Tomamos leite
quente e comemos biscoitos. É encantador. O mundo inteiro devia
fazer isso". Só no mundo paralelo em que vive Jackson isso não
é um problema.
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CENAS
DA TERRA DO NUNCA
Exibido
pelo canal pago Sony no domingo passado, o documentário
Living with Michael Jackson traz cenas inéditas
da intimidade do astro. O programa causa perplexidade ao mostrar
que Jackson é mais do que excêntrico: em sua vida,
não há um único aspecto normal
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| Diversão:
em sua propriedade, na Califórnia, Jackson possui brinquedos
como uma pista de kart. Mas ele gosta mesmo é de fazer
guerra com bexigas cheias de água |
Compras:
num shopping center, em Las Vegas, o cantor torrou 6 milhões
de dólares de uma só tacada, sem conferir preços
e sem sequer avaliar aquilo que adquiria |
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| Crianças:
Jackson, que há dez anos foi acusado de pedofilia, acha
natural dividir seu quarto com garotos. É o caso de Gavin,
de 12 anos, com quem surge em cena de mãos dadas |
Filhos:
depois de chacoalhá-lo numa varanda de hotel, Jackson
dá mamadeira a Prince Michael II já ocultado
por um véu, como seus irmãos mais velhos |
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