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Edição 1 793 - 12 de março de 2003
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Beijinho, beijinho;
tchau, tchau

Cada vez mais mulheres aceitam
e buscam o sexo sem compromisso,
com amigos ou desconhecidos

Ariel Kostman

 
Montagem sobre fotos de Pedro Rubens
Candidatos a "ficantes"

• ex-namorado
(vantagem: confiança)

amigo (vantagem: carinho)

desconhecido
(vantagem: anonimato)

homem muito mais jovem (vantagem: baixíssima expectativa de compromisso)

homem muito mais velho (vantagem: experiência)

Nas relações amorosas, sabe-se desde sempre, mulher é louca por um compromisso. Mas, enquanto o parceiro ideal não chega, cada vez mais moças estão aderindo a uma prática que já foi exclusiva dos homens: o sexo casual, do tipo uma vez só e adeus. No universo feminino, sexo sem compromisso (definição: você não só não espera um telefonema no dia seguinte como foge dele) virou algo mais generalizado do que em qualquer época anterior, ocorre em qualquer faixa de idade e é praticado de maneira muito mais aberta – inclusive, discutido com as amigas que também fazem. Ao contrário dos anos 70, quando, no auge do movimento hippie e antes do fulminante advento da Aids, o celebrado amor livre era comportamento restrito a grupos alternativos, hoje é atitude que permeia todas as tribos, de punks a esportistas, de clubbers a patricinhas. E artistas, naturalmente: entre um namoro firme e outro, beldades de coração libertário como Vera Fischer e Luana Piovani se divertem com quem podem e querem.

As adeptas das relações casuais têm até um hino, o hit dos Tribalistas Já Sei Namorar. Observe: é só tocar o refrão – "Eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo me quer bem" – que as mulheres presentes se agitam e fazem coro. "O legal do sexo sem compromisso é que você não se preocupa tanto com o parceiro. Você pensa mais é no seu próprio prazer", diz a paulistana Lisandra Maioli, 24 anos, uma das poucas a concordar em se identificar para esta reportagem (os tempos mudaram, mas a experimentação sexual da mulher ainda é socialmente desconfortável). Um exemplo? Durante as férias em Porto Seguro, na Bahia, Lisandra conheceu um rapaz num bar e menos de uma hora depois estavam fazendo sexo na praia. "Eu sabia que seria só aquela noite e tratei de aproveitar da melhor maneira possível", lembra. Para ela, o mais importante nesse tipo de relação é a atração física. "Sei perfeitamente separar sexo de amor", garante. Só lamenta que alguns parceiros insistam em compromisso. "Por mais que eu fale que não precisa me telefonar no dia seguinte, alguns ligam e querem sair de novo."

Em suas pesquisas sobre o tema, Ailton Amélio, professor de relacionamento amoroso do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, vem observando um aumento significativo no número de mulheres que fazem sexo no primeiro encontro. "Muitas não mais exigem segurança ou compromisso. Precisam apenas estar no clima", diz Amélio. Para gerações mais veteranas, é difícil acreditar que isso aconteça mesmo com tanta naturalidade, sem corações partidos nem auto-estimas estilhaçadas. Para especialistas, a adesão feminina ao sexo casual provavelmente foi impulsionada pela prática do "ficar", tipo de relacionamento que cresceu vertiginosamente nos anos 90. "O ficar é um encontro de um dia ou uma noite que pode ir de uma simples troca de beijos a uma relação sexual", define a psicóloga carioca Jacqueline Chaves, autora do livro Ficar com: um Novo Código entre Jovens. No meio ultrajovem em que vingou (meninos e meninas de 11, 12 anos já ficam), o relacionamento em geral acaba não passando de beijos e carícias. Quando a garota se torna mais velha, eventualmente ela continua ficando, só que em estágios mais adiantados.

Bonita e discreta, a estudante de publicidade R., de 22 anos, considera-se uma menina "totalmente normal" e não vê nenhum problema em manter relações sexuais com alguém que acabou de conhecer. "Para fazer sexo, basta eu ter vontade", define. Ela conta que certa vez flertou com um desconhecido no balcão do check-in de um vôo para o Nordeste. O vôo foi cancelado e a companhia acomodou os passageiros em um hotel. "Fomos para o quarto e passamos a noite juntos", lembra R. "No dia seguinte, não trocamos telefones, nada. Foi pura atração física. E foi muito gostoso." Nem todas as experiências, claro, são prazerosas. "Às vezes, o cara não é legal, e no dia seguinte dá uma sensação ruim, meio de nojo. Mas passa." R. também mantém relações eventuais com outro parceiro bem comum entre as adeptas do sexo casual: o ex-namorado. "Quando um dos dois está a fim, liga para o outro", conta. "Sem sentimento e sem esperança de voltar." A vantagem desse tipo de parceria é a baixa expectativa – além do conhecimento do histórico médico dele. A desvantagem é o vai-e-vem derrapar para um relacionamento mal resolvido. "Eu tenho o que chamo de 'amigos de manutenção', rapazes que já conheço e com quem rola quando dá vontade. É melhor do que sair com desconhecidos", acredita M., universitária carioca de 24 anos.


Como a coisa rola

O sexo casual normalmente acontece depois de uma noitada numa boate com muita bebida. Locais mais comuns: carro, praia, lugares públicos.

Para aventuras, elas preferem desconhecidos ou "os amigos da noite", com quem mantêm uma amizade superficial.

Os atributos físicos e a perícia amorosa do eleito contam mais do que qualquer coisa.

Perguntas sobre sexo sem compromisso eram recorrentes no recém-extinto programa Peep, da MTV, no qual as apresentadoras Didi Wagner e Penélope Nova e o médico Jairo Bouer respondiam a dúvidas sobre questões sexuais. "O fato de uma garota querer ter uma noite de prazer, extravasar a libido, não é mais visto com maus olhos", acredita Didi. Que o diga Viviane Silva, hostess de um bar na Vila Olímpia, em São Paulo, reduto de jovens de classe média onde as garotas estão cada vez mais desinibidas. "Elas chegam em grupo e pedem que eu as coloque em uma mesa perto de homens bonitos", entrega. A freqüentadora Camila Moreira, 21 anos, aspirante a cantora, dá nome e sobrenome e comenta abertamente o assunto – até com certo tom de desafio. "Saio à noite para 'caçar', sim, e faço sexo sem compromisso numa boa. Uma vez transei com um cara no banheiro de uma danceteria. Não sabia nem o nome dele", conta. Quais os pré-requisitos de um "ficante", como são chamados os parceiros eventuais? "Ser bonito, beijar bem e saber tocar uma mulher", lista. "Muitas meninas até gostariam de um relacionamento mais profundo, mas não acham homens dispostos a isso", analisa a terapeuta Cláudia Marra, do Instituto Kaplan. "Aí, descobrem que o prazer pode ser algo mais objetivo e concreto." Nem por isso deixam de tomar cuidado – muito cuidado – para não divulgar sua opção pelo sexo casual para além do clubinho de amigas que fazem o mesmo. "Transar com vários homens do mesmo grupo ainda dá o que falar", diz S., carioca, 20 anos, estudante de direito. "Por isso, sempre escolho bem as minhas aventuras." Em tempo: todas as garotas entrevistadas para esta reportagem juram por tudo que é sagrado que exigem do parceiro o uso de camisinha. Por precaução, também carregam um estoque na própria bolsa.

 

Colaborou Silvia Rogar,
do Rio de Janeiro


   
 
   
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