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Crie
seu grupo

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Beijinho,
beijinho;
tchau, tchau
Cada vez mais mulheres aceitam
e
buscam o sexo sem compromisso,
com amigos ou desconhecidos
Ariel
Kostman
Montagem sobre fotos de Pedro Rubens
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| Candidatos
a "ficantes" |
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ex-namorado
(vantagem: confiança)
amigo
(vantagem:
carinho)
desconhecido
(vantagem: anonimato)
homem
muito mais jovem (vantagem:
baixíssima expectativa de compromisso)
homem
muito mais velho (vantagem:
experiência)
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Nas
relações amorosas, sabe-se desde sempre, mulher é
louca por um compromisso. Mas, enquanto o parceiro ideal não chega,
cada vez mais moças estão aderindo a uma prática
que já foi exclusiva dos homens: o sexo casual, do tipo uma vez
só e adeus. No universo feminino, sexo sem compromisso (definição:
você não só não espera um telefonema no dia
seguinte como foge dele) virou algo mais generalizado do que em qualquer
época anterior, ocorre em qualquer faixa de idade e é praticado
de maneira muito mais aberta inclusive, discutido com as amigas
que também fazem. Ao contrário dos anos 70, quando, no auge
do movimento hippie e antes do fulminante advento da Aids, o celebrado
amor livre era comportamento restrito a grupos alternativos, hoje é
atitude que permeia todas as tribos, de punks a esportistas, de clubbers
a patricinhas. E artistas, naturalmente: entre um namoro firme e outro,
beldades de coração libertário como Vera Fischer
e Luana Piovani se divertem com quem podem e querem.
As adeptas das relações casuais têm até um
hino, o hit dos Tribalistas Já Sei Namorar. Observe: é
só tocar o refrão "Eu sou de ninguém, eu sou
de todo mundo e todo mundo me quer bem" que as mulheres presentes
se agitam e fazem coro. "O legal do sexo sem compromisso é que
você não se preocupa tanto com o parceiro. Você pensa
mais é no seu próprio prazer", diz a paulistana Lisandra
Maioli, 24 anos, uma das poucas a concordar em se identificar para esta
reportagem (os tempos mudaram, mas a experimentação sexual
da mulher ainda é socialmente desconfortável). Um exemplo?
Durante as férias em Porto Seguro, na Bahia, Lisandra conheceu
um rapaz num bar e menos de uma hora depois estavam fazendo sexo na praia.
"Eu sabia que seria só aquela noite e tratei de aproveitar da melhor
maneira possível", lembra. Para ela, o mais importante nesse tipo
de relação é a atração física.
"Sei perfeitamente separar sexo de amor", garante. Só lamenta que
alguns parceiros insistam em compromisso. "Por mais que eu fale que não
precisa me telefonar no dia seguinte, alguns ligam e querem sair de novo."
Em suas pesquisas sobre o tema, Ailton Amélio, professor de relacionamento
amoroso do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo,
vem observando um aumento significativo no número de mulheres que
fazem sexo no primeiro encontro. "Muitas não mais exigem segurança
ou compromisso. Precisam apenas estar no clima", diz Amélio. Para
gerações mais veteranas, é difícil acreditar
que isso aconteça mesmo com tanta naturalidade, sem corações
partidos nem auto-estimas estilhaçadas. Para especialistas, a adesão
feminina ao sexo casual provavelmente foi impulsionada pela prática
do "ficar", tipo de relacionamento que cresceu vertiginosamente nos anos
90. "O ficar é um encontro de um dia ou uma noite que pode ir de
uma simples troca de beijos a uma relação sexual", define
a psicóloga carioca Jacqueline Chaves, autora do livro Ficar
com: um Novo Código entre Jovens. No meio ultrajovem em que
vingou (meninos e meninas de 11, 12 anos já ficam), o relacionamento
em geral acaba não passando de beijos e carícias. Quando
a garota se torna mais velha, eventualmente ela continua ficando, só
que em estágios mais adiantados.
Bonita e discreta, a estudante de publicidade R., de 22 anos, considera-se
uma menina "totalmente normal" e não vê nenhum problema em
manter relações sexuais com alguém que acabou de
conhecer. "Para fazer sexo, basta eu ter vontade", define. Ela conta que
certa vez flertou com um desconhecido no balcão do check-in de
um vôo para o Nordeste. O vôo foi cancelado e a companhia
acomodou os passageiros em um hotel. "Fomos para o quarto e passamos a
noite juntos", lembra R. "No dia seguinte, não trocamos telefones,
nada. Foi pura atração física. E foi muito gostoso."
Nem todas as experiências, claro, são prazerosas. "Às
vezes, o cara não é legal, e no dia seguinte dá uma
sensação ruim, meio de nojo. Mas passa." R. também
mantém relações eventuais com outro parceiro bem
comum entre as adeptas do sexo casual: o ex-namorado. "Quando um dos dois
está a fim, liga para o outro", conta. "Sem sentimento e sem esperança
de voltar." A vantagem desse tipo de parceria é a baixa expectativa
além do conhecimento do histórico médico dele.
A desvantagem é o vai-e-vem derrapar para um relacionamento mal
resolvido. "Eu tenho o que chamo de 'amigos de manutenção',
rapazes que já conheço e com quem rola quando dá
vontade. É melhor do que sair com desconhecidos", acredita M.,
universitária carioca de 24 anos.
| Como
a coisa rola |
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O
sexo casual normalmente acontece depois de uma noitada numa
boate com muita bebida. Locais mais comuns: carro, praia, lugares
públicos.
Para
aventuras, elas preferem desconhecidos ou "os amigos da noite",
com quem mantêm uma amizade superficial.
Os
atributos físicos e a perícia amorosa do eleito
contam mais do que qualquer coisa.
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Perguntas
sobre sexo sem compromisso eram recorrentes no recém-extinto programa
Peep, da MTV, no qual as apresentadoras Didi Wagner e Penélope
Nova e o médico Jairo Bouer respondiam a dúvidas sobre questões
sexuais. "O fato de uma garota querer ter uma noite de prazer, extravasar
a libido, não é mais visto com maus olhos", acredita Didi.
Que o diga Viviane Silva, hostess de um bar na Vila Olímpia, em
São Paulo, reduto de jovens de classe média onde as garotas
estão cada vez mais desinibidas. "Elas chegam em grupo e pedem
que eu as coloque em uma mesa perto de homens bonitos", entrega. A freqüentadora
Camila Moreira, 21 anos, aspirante a cantora, dá nome e sobrenome
e comenta abertamente o assunto até com certo tom de desafio.
"Saio à noite para 'caçar', sim, e faço sexo sem
compromisso numa boa. Uma vez transei com um cara no banheiro de uma danceteria.
Não sabia nem o nome dele", conta. Quais os pré-requisitos
de um "ficante", como são chamados os parceiros eventuais? "Ser
bonito, beijar bem e saber tocar uma mulher", lista. "Muitas meninas até
gostariam de um relacionamento mais profundo, mas não acham homens
dispostos a isso", analisa a terapeuta Cláudia Marra, do Instituto
Kaplan. "Aí, descobrem que o prazer pode ser algo mais objetivo
e concreto." Nem por isso deixam de tomar cuidado muito cuidado
para não divulgar sua opção pelo sexo casual
para além do clubinho de amigas que fazem o mesmo. "Transar com
vários homens do mesmo grupo ainda dá o que falar", diz
S., carioca, 20 anos, estudante de direito. "Por isso, sempre escolho
bem as minhas aventuras." Em tempo: todas as garotas entrevistadas para
esta reportagem juram por tudo que é sagrado que exigem do parceiro
o uso de camisinha. Por precaução, também carregam
um estoque na própria bolsa.
Colaborou
Silvia Rogar,
do Rio de Janeiro
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