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Solidão
entre amigos
ACM
evita o Carnaval e,
refugiado
com nova amiga,
aguarda quieto
o desfecho
do grampo
Ana Araujo
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| ACM:
cinco o acusam de fazer grampo, mas ninguém apareceu com uma prova
documental |

Veja também |
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Esquivo
e arisco, o senador Antonio Carlos Magalhães passou o Carnaval
recolhido à mansão de um amigo, o empresário João
Carlos Di Genio, em Porto Seguro, no litoral da Bahia. Sob a acusação
de ser mentor da central de grampos clandestinos montada no governo da
Bahia, o senador evitou aparecer em público. Segundo um amigo próximo,
ACM passou os dias de folia na discreta convivência de uma nova
amiga, recém-entrada nos primaveris 20 anos e também estudante
de direito, mesma faculdade cursada por sua ex-namorada Adriana Barreto,
uma das vítimas da escuta ilegal. Preocupado com a repercussão
do escândalo no terreno político, em que convive com a ameaça
de cassação do mandato, e também no terreno pessoal,
diante da revelação de seu caso extraconjugal com Adriana,
ACM evitou até passeios à beira-mar, ao julgar inadequado
deixar-se flagrar numa hora crítica em pleno lazer litorâneo,
mas não se desgrudou do telefone. Dias depois de intensas conversas,
recebeu a primeira notícia favorável desde que se puxou
o primeiro fio da grampolândia baiana.
O presidente do Senado, José Sarney, velho amigo e aliado de ACM,
engavetou um pedido da bancada do PT para abrir investigação
sobre o grampo na Comissão de Ética do Senado. Sarney alegou
que não havia "provas ou fatos novos" no pedido, e lançou
mão de um argumento oblíquo: ACM não poderia ser
julgado por quebra de decoro já que, na época do grampo,
entre março e setembro de 2002, não exercia mandato parlamentar
e, sendo assim, o julgamento pelo Senado só seria cabível
se o senador já tivesse sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal.
Trata-se, no fundo, de mais uma polêmica regimental saber se um
parlamentar só precisa exibir retidão ética no exercício
do mandato, e apenas nesse período. A questão voltará
a debate nesta semana. Na quarta-feira, a Comissão de Ética
da atual legislatura será instalada e, por iniciativa dos petistas,
voltará a abordar o assunto. Os petistas, com a senadora Heloísa
Helena à frente, querem retomar a discussão sobre a conveniência
de instalar uma investigação preliminar sobre o caso.
Até agora, não há prova concreta do envolvimento
de ACM na grampolândia, mas sua solidão política é
visível, a ponto de aliados espalharem que já estuda a renúncia
para evitar a cassação. Há cinco pessoas que, grampeadas,
acusam o senador dois deputados e um ex-deputado, além de
Adriana e seu atual marido, o advogado Plácido Faria , mas
nenhuma apresentou indício documental contra ACM. Além dessas
acusações, a central de grampos do governo baiano era movida
por pessoas próximas do senador. Funcionava na Secretaria de Segurança,
então chefiada por Kátia Alves, que ganhou a confiança
de ACM ao esclarecer rapidamente um assalto ao seu apartamento, ocorrido
cinco anos atrás. A investigação, à época,
foi conduzida pelo delegado Valdir Barbosa, que também teve participação
relevante nas escutas ilegais: assinou os pedidos fraudados, encaminhados
à Justiça, solicitando o monitoramento dos telefones de
adversários, ex-aliados e ex-amigos do senador. Por fim, a juíza
que autorizou os grampos, aparentemente sem saber que estava sendo ludibriada,
disse que foi procurada pelo deputado Paulo Magalhães e convidada
a esquecer o caso. O deputado vem a ser sobrinho do senador.
Com quase um mês de investigação, a Polícia
Federal tomou o depoimento de catorze pessoas. Sabe que o técnico
Alan Farias, que operava os grampos clandestinos, ganhava 1.800 reais
na Secretaria de Segurança, mas tem um patrimônio mais vistoso
do que seu padrão salarial permitiria. Também sabe que o
então chefe de Alan Farias na Secretaria de Segurança, o
delegado Valdir Barbosa, é dono de uma empresa de investigação
no interior da Bahia, contrariando as regras do funcionalismo público,
que impedem um servidor de gerenciar empresa privada. Valdir Barbosa e
Alan Farias, embora neguem saber da ilegalidade do grampo, foram indiciados
pela polícia. Nada disso esclarece o caso nem implica o agora solitário
senador. Mostra, no entanto, que por trás do festival de grampos
na Bahia há muito a esclarecer.
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