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Edição 1 793 - 12 de março de 2003
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Paz, amor e fantasia

Tinha tudo para dar problema: clima de guerra na
cidade-sede e excesso de sambas pedindo paz, um
ensaio de volta dos temas chapa-branca (com um
Lula gigante na campeã Beija-Flor), pobres
desfilando fantasiados de pobres, não de príncipes
(idem), ministros cheios de amor para dar, musas
acima do peso ou excessivamente vestidas, para os
padrões momescos. No final, porém, deu tudo certo
e o Carnaval 2003 não saiu do ritmo: samba, suor,
silicone, muitos beijos, muitas e lindas mulheres.

Ofuscantemente prateada, Adriane Galisteu planou à frente da bateria da Portela com a segurança de seu sétimo Carnaval na Sapucaí e o adereço perfeito: namorado novo, bonito, rico e apaixonado. Filho de pai mexicano e mãe carioca, o cantor Jaime Camil, que só conhece o Brasil de rápidas visitas anuais, descobriu o que estava perdendo ao negligenciar a herança materna. Tirando a uma hora e pouco de desfile, os dois passaram cada minuto grudados, aos beijos, abraços e manifestações de que o amor é lindo. "Para que esconder? Estamos superfelizes", entrega Adriane. Camil só não leva troféu em originalidade: pretende lançar um CD em português e, surpresa, incluir uma música em novela da Globo.


Fotos João Santos/Contigo
ntigo
Luana na avenida: passista e tiete do namorado Palmeira

Tem homem que merece um desfile extra na avenida e a linda Luana Piovani mostrou que o namorado Marcos Palmeira é dessa estirpe. Depois de desfilar no Salgueiro, no dia seguinte ela burlou a segurança e lá se foi outra vez, de penetra, ao lado da Mocidade, onde Palmeira se aboletava no alto de um carro alegórico. Todo compenetrado, ele custou a notá-la. "Até que, quando chegamos ao final, eu olhei para cima e ele estava me olhando. Foi lindo", suspira Luana.


Fotos Marlene Bergamo/Folha Imagem
magem
Gisele cai na folia, Mansur balança no camarote: ela aqui, ele lá

E tem homem que aprende a ficar no seu lugar. Foi o que, com grande competência, ensinou Gisele Bündchen. Embalada por mais um contrato de publicidade, ela pulou sem parar em sua aparição fugaz no Carnaval de Salvador. Já o jogador de pólo e namorado não-assumido Ricardo Mansur foi banido da sala vip do camarote enquanto Gisele esteve lá. Confinado à pista de dança ao lado, junto aos mortais, Mansur, vários copos além da conta, gritou e balançou na passagem de Gisele no trio elétrico. A bela má ainda tripudiou: "Estou solteira".

O ministro Jaques Wagner entrou no ritmo da mulher, Fátima Mendonça. Desinibida, ela fazia uma exigência a todos os fotógrafos que queriam registrar a animação de Wagner: "Só se for me beijando na boca". Trato aceito, o ministro se entregou à estranha prática de passar o Carnaval inteiro beijando a própria mulher.

Para representar Moisés na comissão de frente da Mangueira, o dançarino Carlinhos de Jesus, 50 anos, precisava perder 8 quilos. À custa de regime bravo, desfez-se de exatos 6,96 quilos. Assim desopilado, Jesus (o bailarino) levitou na passarela – coisa que o próprio Moisés, ao que se saiba, jamais fez. Carlinhos não conta de jeito nenhum o truque. Só instiga: "Não tinha nada de mágica nem de elevadores. Era puro ilusionismo".

Com o Rio sitiado por traficantes, não era um momento bom para um condenado por envolvimento com o crime reaparecer, mas o cantor Belo resolveu aproveitar as benesses de um habeas corpus. Loirice e liberdade recuperadas, ele chacoalhou numa ala de sambistas da Império Serrano e flanou, acenando para os fãs, de mãos dadas com a mulher, a estonteante Viviane Araújo. Depois, recolheu-se a seu próprio camarote, com família e convidados.


João Santos/Contigo
Daniela, a exuberante: garantia de que o decote mostra o que a natureza lhe deu

Pôs ou não pôs? Quem via Daniela Mercury em seu decotadíssimo e esdrúxulo guarda-roupa carnavalesco ficava sob a forte impressão de que tanta pujança peitoral tinha jeito de silicone. "Sempre tive peitão. Basta olhar minhas fotos antigas", nega Daniela.

Vida de princesa não é fácil nem no Carnaval do Copacabana Palace. Paola de Orleans e Bragança, para assumir seu papel – de princesa, naturalmente – no baile de gala do hotel, teve de chegar seis horas antes, amarrar o próprio sapatinho e ainda encarar um emplumadíssimo penteado. "Foi engraçado juntar a fantasia com a realidade. Quando eu me apresentava como princesa, todo mundo achava que eu falava da personagem", diz ela. Ué, e não era?


Cristina Granato
Kayky e Yasmin: juntinhos, sim; beijando, não

Yasmin Brunet e Kayky Brito, ambos de 14 anos, passaram o Carnaval juntinhos, em um camarote na Sapucaí, sob marcação cerrada das respectivas famílias. Assumiram o namoro juvenil e posaram para dezenas de fotógrafos, mas estabeleceram seu limite: nada de beijo na boca. "Não faz sentido fazer foto dando beijo", decreta Kayky. Ouviu, ministro?

Oscar Cabral
Luma: o auge da elegância é de biquíni, sambando na Sapucaí


O milagre do paradoxo de Luma se repetiu pela quinta vez. Seminua, à frente de 200 homens suarentos, como a incomparável rainha de bateria da Viradouro, Luma de Oliveira é uma deusa de graça e beleza, aplaudida do começo ao fim do Sambódromo. "Desta vez, até eu me assustei com o entusiasmo do público", disse, toda modesta. Já com aqueles vestidinhos cheios de decotes e fendas...

Ela era comprometida na época da Casa dos Artistas 2, e, não, de jeito nenhum, absolutamente, os dois deixaram rolar. A coisa começou só há uns três meses e agora Ellen Rocche e Ricardo Macchi resolveram assumir seu namoro. "Quisemos esperar para ver se a relação ia durar", explica Macchi, que também teve outro motivo, muito macho, para marcar presença: "A Ellen é muito assediada. Em um lugar em que as pessoas bebem, então, piora. Não poderia deixá-la sozinha".

Não usar nada em cima e praticamente nada embaixo é normal para uma rainha de bateria do quilate de Fábia Borges. Excepcionais foram os pés nus, vitimados por um salto de bota quebrado logo no início do desfile e cobertos de bolhas no final. Escaldada, por assim dizer, Fábia vira e mexe segurava o minusculíssimo tapa-sexo: "Não queria deixar cair mais nada, para não atrapalhar a escola".


Francisco Silva
João Santos/Contigo
Susana e Deborah repõem as forças: gordurinhas em desfile

O público não perdoa – comenta. Susana Werner tem a desculpa perfeita para as gordurinhas extras que desfilou na avenida: ganhou 18 quilos na gravidez de Cauet, de apenas 5 meses. Agora, só quer perder outros 2 quilinhos, para manter formas mais generosas. "Não quero ficar magrela. Gosto de ter coxas grossas", afirma. Já Deborah Secco culpou pelas dobrinhas em evidência a fantasia, segundo ela muito apertada – mais ainda depois do cheeseburguer que traçou na concentração.

Quando ele passou, de manto branco e quipá, na primeira ala da Mangueira, as mulheres (principalmente) suspiraram, encantadas. Mas, na hora do vamos ver, o jogador Raí teve de fazer o serviço. Joga charme daqui, joga charme dali, acabou escanteando a atriz Paula Burlamaqui. No fim, ela, evidentemente, capitulou.

 

Editado por Lizia Bydlowski. Colaboraram Adriana Negreiros,
Bel Moherdaui, Ronaldo França e Silvia Rogar



 
 
   
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