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Gostei demais
da reportagem especial que fala sobre a malhação e a genética
("Os limites do corpo", 5 de março). Sou personal trainer e sentia
muita falta de matérias como essa, simples porém informativas,
com uma linguagem clara para o público e que estimulem a prática
de atividade física. Há muito tempo, nós, da área
de educação física, vimos tentando fazer com que
as pessoas se conscientizem e modifiquem seus hábitos e estilo
de vida. VEJA nos
premia novamente com uma reportagem interessante que esclarece os mitos
que cercam a malhação. VEJA marcou
mais um gol de placa com a reportagem "Os limites do corpo". Nascido na
fronteira da selva amazônica, só aos 20 anos tomei contato
com a civilização e, em particular, com a educação
física e o esporte, começando pela natação.
Embora tenha conquistado mais de dez troféus e mais de uma centena
de medalhas, inclusive no triatlo, minha maior vitória é
a boa qualidade de vida que desfruto. Sigam-nos aqueles que ainda não
começaram. Comer e dormir tem efeitos colaterais nocivos. Mexamo-nos! Não
podemos nos esquecer de que cada pessoa é única, por isso
seu programa de exercícios deve ser individual. Somente um professor
de educação física está capacitado para elaborar
um programa e adaptar, se necessário, os treinamentos ao praticante.
O ensaísta
americano Caleb Carr foi brilhante ao esclarecer por que o pacifismo é
um ato de ingenuidade. Por mais que as investidas americanas tenham sido
aterrorizantes, deveríamos nos chocar ainda mais com a forma desumana
com que Saddam dirige o Iraque (Amarelas, 5 de março). Se Saddam
é um "fora-da-lei" por ignorar normas internacionais de desarmamento,
Bush já é infrator contumaz pela inobservância de
tratados ambientais e por outros crimes. A ONU deveria punir os dois,
em vez de se curvar ao "Império". Pobre planeta! VEJA sempre
nos brinda com matérias esplêndidas, bem redigidas, bem orientadas
e, sobretudo, esclarecedoras. É o que ocorreu com as Páginas
Amarelas da edição 1 792. Entrevista de altíssimo
conteúdo e clareza em todos os seus aspectos mostra como podemos
ser cegos diante da realidade sanguinária desse ditador louco chamado
Saddam Hussein. Não
existe outro caminho para a humanidade a não ser o da compaixão
e da paz. O terrorismo contra os americanos comprova a antipatia mundial
pela terra do Tio Sam. Os Estados Unidos são responsáveis
pela morte e pelo desaparecimento de milhares de pessoas no mundo todo,
inclusive apoiando e financiando ditadores tão sanguinários
como Saddam. O pacifismo não é ingênuo. Dissimulada
é a tentativa de dar legitimidade a um ataque a um país
de cultura completamente diversa da do Ocidente, com população
faminta e carente de água e saúde, em parte devido ao embargo
dos EUA. Brilhante
a entrevista com Caleb Carr. Desde o início da ameaça de
guerra pelos EUA, é a primeira mente sensata que faz uma análise
fria e verdadeira sobre Saddam Hussein. Não vamos nos iludir. A
guerra é necessária no sentido de minar por completo qualquer
ação de Saddam. Até agora, ele vem conseguindo a
atenção internacional que o mostra como vítima de
um império em busca do petróleo. É o tempo necessário
de que precisa para se armar completamente e destruir o Oriente Médio
sob os aplausos dos milhares de defensores da paz. Não
é possível que depois dessa entrevista o escritor Caleb
Carr não arranje uma boquinha na Casa Branca. Nunca, em todos os
meus anos de leitura, li sobre alguém que advogasse uma causa tão
repugnante de forma tão visceral. A entrevista tem conteúdo
deletério e presta um desserviço à harmonia dos povos. Preocupante
a entrevista de Caleb Carr, em que exorta o belicismo e demonstra ser
um "intelectual" americano típico: ignorante, desinformado sobre
os assuntos externos e extremamente bairrista. Isso se pode notar em sua
afirmativa de que a tríplice fronteira, local exemplar de convivência
pacífica, é um reduto terrorista perigosíssimo.
Como professor
de uma escola privada de segundo grau, de curso pré-vestibular
e de uma universidade pública, quero cumprimentar o articulista
Claudio de Moura Castro pelo artigo "Vestibulares indigestos" (Ponto de
vista, 5 de março). Ele conseguiu retratar a realidade imposta
ao vestibulando por algumas universidades na elaboração
de suas provas totalmente fora de critério. O vestibular,
além de ser muito lucrativo, haja vista os valores astronômicos
cobrados apenas para a realização da prova, seleciona pessoas
que, na maior parte das vezes, não condizem com a realidade das
escolas mantidas pelo próprio governo. Tem-se a impressão
de que nas universidades públicas os dirigentes não querem
os alunos provenientes das escolas estaduais. É algo que precisa
ser revisto, pois quem realmente necessita de estudo gratuito é
simplesmente excluído num vestibular injusto que leva em conta
somente informações que jamais usaremos em nosso dia-a-dia. É
imprescindível lembrar nas provas de vestibular o conhecimento
exigido como ferramenta primordial em qualquer carreira: a informática.
Infelizmente, ainda temos um grande número de analfabetos digitais,
e não são tomadas medidas que invertam esse quadro a favor
do crescimento econômico de nosso país. Claudio de
Moura Castro foi mais uma vez brilhante, em seu artigo "Vestibulares indigestos",
furtando-se apenas à percepção de que nas universidades
públicas o cargo de reitor é ocupado por processo eletivo,
permitindo o título a pessoas que nem sempre se mostraram à
altura da responsabilidade e nem mesmo tiveram desempenho acadêmico
destacável. Bom seria se os criadores de vestibulares experimentassem
também as agruras de testes de seleção para a ocupação
de cargos tão importantes.
Como engenheiro
responsável pelas obras da Encol na cidade de Maringá, entre
abril de 1993 e agosto de 1997, confirmo tudo que a reportagem apresentou
no que diz respeito a "maliciar" as obras, dando-lhes aparência
de velocidade de execução, mas com os orçamentos
trimestrais cada vez menores do que no trimestre anterior. O termo "maliciar"
era usado no sentido positivo, ou seja, de gastar de forma que o produzido
em obra fosse atraente aos olhos do cliente. Em meados de 1995, apesar
de ocupar cargo de pouca importância no organograma da empresa,
já podia perceber que a mesma caminhava para a insolvência,
mas a imagem interna de Pedro Paulo de Souza era a de um empresário
sério que lutava para reerguer a companhia que ele fundara com
o "capital de meio Fusca" em 1965 ("As provas do crime", 26 de fevereiro).
A solução
adotada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro é, além
de segmentação racial, uma tentativa superficial e ineficiente
de solucionar um dos maiores problemas brasileiros: a falta de educação
para as famílias de baixa renda. A saída não é
forçar a entrada de candidatos com notas inferiores, mas, sim,
proporcionar condições para que eles possam competir de
igual para igual com os demais concorrentes ("Não deu certo", 26
de fevereiro). Penso que
a questão de cotas é um alerta para a necessidade de um
ensino público de qualidade. Em Apucarana, no Estado do Paraná,
os alunos de 1ª a 4ª séries do ensino fundamental ficam
na escola o dia inteiro. As escolas públicas da rede municipal
de Apucarana não perdem em nada para as particulares. Se todos
os municípios adotarem o ensino em tempo integral, certamente o
futuro será melhor em todos os sentidos.
Após
ler a reportagem "Eles têm a força" (26 de fevereiro), consegui
achar uma "classificação" para a minha filha de 10 anos.
Ela possui todas as características listadas na matéria:
adora internet, sabe muito bem o que quer, faz os próprios penteados
e se acha adulta o suficiente para retrucar aos pais quando alguma idéia
sua não se faz valer. Senti um misto de orgulho e preocupação
ao saber que não estou sozinha ao lidar com esses novos "tiranos". Muitos tweens
pensam que ser adulto é ter uma vida independente, ter tudo o que
se quer, mas não pensam no outro lado: ter de trabalhar para conseguir
dinheiro. Por exemplo: eu estudo bastante para, quando crescer, ter dinheiro
para comprar o necessário e guardar para quando precisar ajudar
meus pais.
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