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A
hora da colheita
Delfim Martins
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| Com
notícias boas como a safra recorde de soja, o governo do PT
está com força total para fazer o país andar
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O
Brasil e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se entendem muito
bem. O país e seu governante sinalizam para o mundo que há
uma coerência de pensamento quanto aos caminhos que podem tirar
o Brasil de sua duradoura fragilidade financeira e afastá-lo do
espectro das freqüentes crises econômicas. Mesmo com o cenário
adverso criado pela iminência da guerra dos Estados Unidos contra
o Iraque, todos os indicadores que costumam assombrar a economia brasileira
estavam claramente positivos na semana passada. A cotação
do dólar caiu, derrubada pelo melhor desempenho da balança
comercial desde 1993 e pelo anúncio da safra recorde de soja nacional,
que deve superar a dos Estados Unidos no mercado mundial pela primeira
vez. Os indicadores que os analistas de Wall Street usam para medir a
solvência da dívida externa brasileira e o risco de investir
no Brasil estiveram no melhor nível em quase um ano.
Com tudo a favor no campo macroeconômico, o governo Lula está
em seu melhor momento para fazer chegar ao Congresso os tão esperados
textos das reformas da Previdência e tributária, prometidas
para este ano. Essas janelas de oportunidades, que só em raros
momentos se abriram para o Brasil no passado recente, não podem
ser desperdiçadas. A história mostra que elas se fecham
rapidamente. Por isso, é preciso que o governo use esse período
de lua-de-mel com os mercados para fazer os ajustes finais em seus projetos
de mudanças estruturais para o Brasil e os remeta rapidamente ao
Congresso Nacional. Principalmente, é preciso que hipoteque todo
o seu capital político no esforço de aprovação
das reformas. Há pressa. Até mesmo porque já surgem
os primeiros sinais de que a outra lua-de-mel, a do presidente com os
brasileiros, pode estar começando a ser arranhada pela demora na
transformação das boas intenções em resultados
práticos. Veja reportagem.
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