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Edição 1 793 - 12 de março de 2003
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A hora da colheita


Delfim Martins
Com notícias boas como a safra recorde de soja, o governo do PT está com força total para fazer o país andar

O Brasil e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se entendem muito bem. O país e seu governante sinalizam para o mundo que há uma coerência de pensamento quanto aos caminhos que podem tirar o Brasil de sua duradoura fragilidade financeira e afastá-lo do espectro das freqüentes crises econômicas. Mesmo com o cenário adverso criado pela iminência da guerra dos Estados Unidos contra o Iraque, todos os indicadores que costumam assombrar a economia brasileira estavam claramente positivos na semana passada. A cotação do dólar caiu, derrubada pelo melhor desempenho da balança comercial desde 1993 e pelo anúncio da safra recorde de soja nacional, que deve superar a dos Estados Unidos no mercado mundial pela primeira vez. Os indicadores que os analistas de Wall Street usam para medir a solvência da dívida externa brasileira e o risco de investir no Brasil estiveram no melhor nível em quase um ano.

Com tudo a favor no campo macroeconômico, o governo Lula está em seu melhor momento para fazer chegar ao Congresso os tão esperados textos das reformas da Previdência e tributária, prometidas para este ano. Essas janelas de oportunidades, que só em raros momentos se abriram para o Brasil no passado recente, não podem ser desperdiçadas. A história mostra que elas se fecham rapidamente. Por isso, é preciso que o governo use esse período de lua-de-mel com os mercados para fazer os ajustes finais em seus projetos de mudanças estruturais para o Brasil e os remeta rapidamente ao Congresso Nacional. Principalmente, é preciso que hipoteque todo o seu capital político no esforço de aprovação das reformas. Há pressa. Até mesmo porque já surgem os primeiros sinais de que a outra lua-de-mel, a do presidente com os brasileiros, pode estar começando a ser arranhada pela demora na transformação das boas intenções em resultados práticos. Veja reportagem.

 
 
   
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