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Edição 1 789 - 12 de fevereiro de 2003
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O Titanic nazista

James Cameron tenta decifrar o enigma do naufrágio do encouraçado alemão Bismarck

Marcelo Marthe

 

Divulgação
Cameron: os alemães teriam afundado o próprio navio

Depois do sucesso obtido com Titanic, em 1997, o canadense James Cameron recusou vários convites para dirigir novas superproduções. Sua justificativa era que ele queria dedicar-se à sua paixão pelo mar, para "recuperar a sanidade". Cameron pode não ter atingido seu objetivo psicológico, mas aproveitou suas férias de Hollywood para levar a cabo um projeto ambicioso. No ano passado, o diretor desceu a uma profundidade de 4.800 metros, no Atlântico, para captar imagens de um navio quase tão colossal quanto o Titanic e que esteve no centro de uma das batalhas mais espetaculares da II Guerra. Assim nasceu o documentário Bismarck (Estados Unidos, 2002), que estréia neste domingo, 16, às 21 horas, no canal pago Discovery. O encouraçado em questão era o orgulho da Alemanha nazista. Com 250 metros de comprimento e capaz de lançar bombas de 1 tonelada contra alvos a quase 50 quilômetros de distância, o Bismarck foi a mais temida máquina de guerra nos mares em seu tempo. Teve, porém, vida curta. Apenas oito dias depois de ser lançado ao mar em sua primeira missão, ele foi atacado por uma frota inglesa perto da costa da França, e ali afundou. Até hoje há controvérsia sobre a causa do naufrágio. Os ingleses acreditam que seus torpedos levaram o Bismarck a pique. Os alemães sempre sustentaram que eles próprios afundaram o navio, para que não caísse nas mãos do inimigo. No documentário, Cameron defende a tese de que os alemães estão com a razão.

O Bismarck era peça importante nos planos de Adolf Hitler. Escorado na fortaleza marítima, o ditador nazista pretendia cortar as linhas de abastecimento da Inglaterra, e assim forçar o país à rendição. Tão logo o encouraçado partiu para a guerra, em maio de 1941, os ingleses o atacaram de surpresa, com dois navios. O resultado foi um desastre para a Marinha britânica: no embate, o Bismarck afundou o cruzador de batalha Hood, o maior navio de guerra inglês. O fato provocou comoção na Inglaterra. "Vamos afundar o Bismarck, não importa como", conclamou o então primeiro-ministro inglês Winston Churchill. Menos de dois dias mais tarde, desenrolou-se uma batalha de proporções épicas na costa da França: num mar tempestuoso, o Bismarck, sozinho, foi cercado e atacado por uma força composta de mais de 100 navios e também por aviões. Atingido por uma bomba aérea, perdeu seu leme e ficou navegando em círculos, à mercê do bombardeio inimigo, até naufragar. Dos cerca de 2.200 tripulantes do Bismarck, pouco mais de 100 sobreviveram. Cameron entrevistou alguns deles e reconstituiu, com a ajuda da computação gráfica, a batalha e o naufrágio.

A melhor parte do documentário são as imagens colhidas no fundo do oceano. Assim como fez quando filmou os destroços do Titanic, Cameron recorre a um robô para examinar o interior do navio. Chega à conclusão de que, embora tenham danificado o casco, as bombas e os torpedos ingleses não conseguiram romper sua blindagem – sem o que não seria possível afundá-lo. Uma explosão provocada pelos combatentes nazistas depois da ordem de abandonar o Bismarck teria sido a causa real do naufrágio. Os alemães temiam que o inimigo se apropriasse de sua máquina mortífera.

 

BATALHA ÉPICA

No fim de maio de 1941, o encouraçado alemão Bismarck foi atacado por mais de 100 navios e também por aviões ingleses. Na batalha, mais de 2 000 combatentes nazistas morreram e o Bismarck naufragou. Seus destroços estão no fundo do Oceano Atlântico, perto da costa francesa, a 4 800 metros de profundidade.

 

   
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