Edição 1887 . 12 de janeiro de 2005

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Televisão
Os tapa-buracos

Essa é a sina dos seriados americanos
exibidos nas redes de TV brasileiras

 
Fotos divulgação
O elenco de C.S.I.: apesar da boa audiência, séries são usadas para cobrir lacunas

Ultimamente, os seriados americanos andam fazendo sucesso nas redes de televisão nacionais. A Globo usa 24 Horas como trunfo em seus fins de noite, a Record exibe C.S.I. em seu horário nobre e o SBT investe bastante em programas do gênero, como Smallville e Friends. Os fãs de seriados, que costumam ser maltratados pela TV aberta com dublagens horrendas e mudanças de horário constantes (para não falar nas interrupções abruptas de exibição), até imaginam que sua hora, enfim, chegou. Mas eles não devem ser tão otimistas. Houve um tempo em que esse tipo de atração tinha lugar cativo nas grandes emissoras. Hoje, por questões de mercado, eles desempenham um papel menos nobre: são tapa-buracos na programação.

A Globo saca 24 Horas apenas para preencher lacunas como as férias do apresentador Jô Soares. Nem o fato de as aventuras do agente Jack Bauer chegarem à terceira temporada com índices de audiência invejáveis – foram 13 pontos na semana passada, mais que Jô obtém no horário – muda essa realidade. Embora tenha garantido o segundo lugar no ibope para a Record em sua estréia, na terça-feira passada, o lúgubre C.S.I. desempenha função semelhante. O programa, que acompanha as investigações de um grupo de legistas de Las Vegas, veio para ocupar por uns tempos o espaço vago do reality show O Aprendiz. O SBT não foge à regra. Drama sobre a juventude do Super-Homem, Smallville atualmente está em exibição no horário do Programa do Ratinho enquanto o apresentador também goza de suas férias.

O agente Jack Bauer, de 24 Horas: mais ibope que Jô Soares

O tratamento dispensado aos seriados americanos decorre do próprio perfil que a televisão brasileira assumiu. Na década de 70, a Globo tinha obrigatoriamente de se valer dos seriados para completar sua grade. Hoje ela ainda os compra, até para impedir que caiam nas mãos da concorrência. Mas mantém a maioria engavetada, pois produz 2.500 horas mensais de programação – mais do que necessita. Os seriados tampouco são um bom negócio do ponto de vista da publicidade. Eles dão boa audiência, mas seu retorno é pequeno se comparado ao dos filmes e novelas. A sina desses programas nas redes brasileiras de televisão aberta parece ser o ocaso. Seu espaço por excelência tornou-se a TV paga, na qual eles figuram entre os mais populares.

 
 
 
 
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