Edição 1887 . 12 de janeiro de 2005

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Brasil
Tem até antimíssil

Pousa em Brasília nesta semana
o moderníssimo avião presidencial
que custou 154 milhões de reais


Alexandre Oltramari

 
Moreira Mariz

O Santos Dumont, que aparece aqui em sua primeira foto pública, vai aposentar o heróico Sucatão

A fotografia que ilustra esta reportagem foi feita em Dallas, no Texas, no mês passado. É a primeira imagem do novo avião do presidente Lula a ser divulgada desde que ele ficou pronto. O jato, salvo algum imprevisto técnico, aterrissa no Brasil nesta semana. A aeronave, fabricada pela Airbus na Alemanha, vai substituir o Boeing 707, conhecido como Sucatão, que hoje é usado pelo presidente em suas viagens internacionais. O Sucatão tem mais de três décadas de uso, já deu sustos monumentais em autoridades e não opera em vôos comerciais nos Estados Unidos desde 1983. É tão barulhento que está proibido de pousar em muitos aeroportos americanos e europeus. O novo Airbus presidencial é um dos aviões mais modernos que existem. Comprado por 57 milhões de dólares, o equivalente a 154 milhões de reais, o Airbus terá estréia internacional em grande estilo. É nele que Lula vai viajar a Davos, na Suíça, para participar do Fórum Econômico Mundial, o encontro anual que reúne governantes dos países ricos e líderes das grandes empresas multinacionais.

O jato Airbus Corporate Jetliner, batizado por Lula de Santos Dumont, será apresentado aos brasileiros pela Força Aérea Brasileira (FAB) assim que aterrissar no país. O avião permite ao presidente viajar sem escalas de Brasília a Paris, Washington ou Nova York. A semelhança com os jatos comuns pára aí. O Santos Dumont tem capacidade para transportar até 32 passageiros, mas pode ter sua cabine modificada para levar apenas dezesseis pessoas fora da suíte presidencial. Nessa configuração, o conforto e a privacidade dos demais passageiros equivalem aos da primeira classe das companhias aéreas comerciais. Além da suíte e da cabine principal, há ainda um gabinete para despachos com assessores, com acomodação para cerca de dez pessoas e equipado com monitores capazes de receber sons e imagens transmitidos por satélite. Isso permite a Lula conectar-se com qualquer ponto do planeta durante uma viagem.

Outra novidade do Santos Dumont é seu sistema de defesa. Mesmo distante de conflitos, o governo brasileiro entendeu que precisava dotar o avião de um sistema antimíssil. Inspirado no Air Force One, avião da Presidência da República dos Estados Unidos que pode resistir aos transtornos elétricos ocasionados na atmosfera por explosões atômicas, o Santos Dumont possui um mecanismo capaz de defender o presidente brasileiro de um ato hostil. Os radares do avião são capazes de detectar a existência de um míssil a cerca de 100 quilômetros de distância. O piloto pode acionar um equipamento, instalado sob as asas, que dispara um míssil incandescente e faz com que o petardo inimigo desvie sua rota inicial, protegendo o avião. Também por medida de segurança todo o sistema de comunicação do Santos Dumont é criptografado. A FAB não revela detalhes sobre o sistema defensivo por medidas de segurança.

 

 

 
 
 
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