Edição 1 631 -12/1/2000

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Vídeo

Madonna, the Video Collection 93-99 – Música, escândalo e videoclipe. Foi sobre esse tripé que a cantora Madonna assentou sua carreira. Boa música ela não faz desde Like a Prayer, nos anos 80. Os escândalos também começaram a rarear desde que ela se tornou mãe de Lourdes Maria. Restam os videoclipes, cada vez melhores, como mostra essa coletânea. Neles, a cantora aparece flertando com toureiros, pintando o corpo de dourado e fazendo caras e bocas insinuantes, sob a batuta de alguns dos melhores diretores da atualidade, como David Fincher, criador do filme Clube da Luta. A coletânea abarca a carreira da cantora de 1993 para cá, época em que seu declínio musical se acentuou – exceto por algumas pérolas como Beautiful Stranger, da trilha de Austin Powers. Mas, se suas canções andam chatas, no apelo visual ela continua a número 1.

 

Disco

Como tem Passado!!, Maricenne Costa (CPC Umes/Eldorado) – Este é um raro disco baseado numa idéia. Melhor dizendo, numa curiosidade. Qual a primeira gravação de cada um dos vários gêneros musicais que compõem a MPB? O crítico musical José Ramos Tinhorão, dono de uma insuperável coleção de discos, buscou as respostas e fez a seleção. Todo mundo sabe que o primeiro samba gravado no Brasil foi Pelo Telefone, de Donga, mas quantos tiveram a oportunidade de ouvir a música? E as primeiras marcha, modinha e maxixe, quais foram? Todas essas raridades estão no disco, interpretadas por Maricenne Costa, cantora versátil que soa apaixonada nas modinhas e gaiata nos sambas, tangos e lundus.

 

Filme

Anna e o Rei (Anna and the King, Estados Unidos, 1999, estréia nesta sexta-feira em circuito nacional) – O filme é baseado na autobiografia da inglesa Anna Leonowens, que no século XIX se mudou para o Sião (hoje Tailândia) para ser a professora das quase seis dezenas de filhos do rei Mongkut. É o mesmo enredo que inspirou o clássico O Rei e Eu, de 1956, estrelado por Yul Brynner e Deborah Kerr. Anna e o Rei não é uma fita de visual grandioso e inspiração dramática. Vale sobretudo pelos atores. Chow Yun-Fat, revelado nos filmes de pancadaria de John Woo, está ainda melhor do que a ótima Jodie Foster.

 

Livros

Madame Hermet, de Guy de Maupassant (tradução de Carmen Lúcia Cruz Lima Gerlach e Maria José Werner Salles; Editora da UFSC; 229 páginas; 25 reais) – Considerado um dos maiores escritores franceses do século XIX, Maupassant fez seu aprendizado literário com um dos mestres do realismo, Gustave Flaubert. Mais tarde, viu-se ligado ao grupo dos naturalistas, liderado por Émile Zola. Paradoxalmente, no entanto, não foi no real que ele encontrou a matéria-prima para seus melhores contos, e sim no fantástico, muitas vezes associado ao tema da loucura – na vida real, o escritor acabou num sanatório. É essa vertente de sua obra que esta coletânea privilegia. Nela estão presentes textos fundamentais, como o macabro O Horla e A Cabeleira, cheio de perversas conotações sexuais. A edição é bilíngüe.

O Silmarillion, de J.R.R. Tolkien (tradução de Waldéa Barcellos; Martins Fontes; 467 páginas; 37,50 reais) – Imaginação nunca faltou ao inglês J.R.R. Tolkien. Ele criou um universo com leis próprias, no qual humanos se misturam a entidades fantásticas. Sua obra mais conhecida é O Senhor dos Anéis. Os contos de O Silmarillion estão relacionados a essa famosa saga, mas dizem respeito a um período anterior na cronologia inventada por Tolkien. O escritor trabalhou por décadas nesses textos, que ficaram inéditos quando de sua morte, em 1973. Seu filho organizou o volume, interessante para quem deseja ter um primeiro contato com o autor.

Sobre a Fazenda, de John Updike (tradução de André Cardoso; Imago; 171 páginas; 20 reais) – John Updike é atualmente o mais completo homem de letras americano. Romancista, contista, ensaísta, poeta, crítico literário, crítico de artes plásticas. É sempre um prazer lê-lo. Publicado em 1965, este pequeno livro pertence à fase inicial do escritor. Antes dele, no entanto, Updike já escrevera outros três romances – ou seja, já tinha pleno domínio de suas técnicas e temas. A história é a do publicitário Joey Robinson, que leva sua segunda mulher e seu enteado de 11 anos para uma visita à fazenda onde ele passou a infância. Lá, eles se encontram com a mãe de Robinson, mulher orgulhosa e severa. Com agudeza, Updike fala de amor, sexo e vida familiar, alguns de seus assuntos preferidos.