Edição 1 631 -12/1/2000

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Ancelmo Gois

 
Cau Gomez

 

DINHEIRO

A roda da fortuna

A formidável valorização da Globocabo na Bovespa desde novembro fez o patrimônio dos controladores crescer 1,7 bilhão de dólares. Uma dinheirama e tanto para dois meses – aliás, para uma vida toda. A felizarda é a família Marinho, dona da Globo.

 

POLÍTICA

Duelo de titãs

Existe no governo um consenso de que, mais cedo do que se imagina, serão expostas as rusgas entre FHC e ACM. Acabarão vindo a público diálogos ríspidos travados entre os dois. Em um deles, o presidente teria dito que, enquanto o senador apoiava o regime militar, ele enfrentava coronéis. "Bobagem, nessa época eu já dava tapa na cara de general", respondeu ACM.

 

ECONOMIA

Surpresas, nunca mais

Pelo menos uma vez por semana a equipe econômica se reúne com economistas chapas-brancas para discutir como enfrentar os terremotos do mundo globalizado. A última rodada contou com a participação de FHC. Não há pacote em gestação, mas ninguém no governo deseja reviver surpresas como a da crise da Rússia em 1998.

 

Compra e venda

Muita gente dá como certo que o espanhol Santander está de namoro animado com o Banco Meridional, pertencente ao Bozano, Simonsen. Por enquanto, o que dá para cravar não é uma compra, mas sim uma venda: o Santander acaba de se desfazer de sua financeira.

 

Apetite

O Pão de Açúcar não esgotou sua fúria comprista. Até o fim do mês, anuncia que está engolindo mais uma cadeia de supermercados. Desta vez, a presa é a rede paulista Sonda, que faturou mais de 260 milhões de reais no ano passado.

 

Parceria à vista

A Telemar fecha o semestre com um sócio estratégico de peso. Neste momento, uma parceria está sendo negociada com duas megaoperadoras americanas. A idéia é que os estrangeiros inicialmente levem uma pequena fatia e, lá na frente, comprem os 25% da empresa que ainda estão nas mãos do BNDES. E, então, a empresa se privatiza de vez. Ufa!

 

Autonomia zero

O Banco do Brasil resolveu dar um aperto na Previ. Desde a semana passada, todas as operações de compra e venda de ações do maior fundo de pensão do país estão passando pelo crivo da distribuidora do banco.

 

SOCIEDADE

Saudosa penúria

Dois em cada três brasileiros, ouvidos numa pesquisa nacional do Ipespe, dizem que têm um padrão de vida superior ao que tiveram seus pais. Mais uma prova de que, mesmo aos trancos e barrancos, a mobilidade social é abundante por aqui. Mas, quando o Ipespe perguntou aos entrevistados se sua geração era mais feliz que a dos pais, o "não" venceu – ainda que raspando (45% contra 44%).

 

JUSTIÇA

Cyber-escrevente

A IBM desenvolveu nos Estados Unidos um software que substitui a figura do escrevente na Justiça. O depoimento de uma testemunha, por exemplo, é gravado por um computador que decodifica o que ouviu. Depois, transforma tudo num texto. O ministro Carlos Velloso, presidente do STF, demonstrou interesse pela engenhoca.

 

FUNCIONALISMO

Festa no interior

O economista Sérgio Besserman, presidente do IBGE, fez a conta. Entre 1992 e 1998, o exército de servidores públicos municipais saltou de 950.000 para 1,5 milhão. Só essa nova massa de barnabés é cinco vezes maior do que toda a turma que trabalha no chão da fábrica na indústria automobilística.

 

IMPOSTO

Destinação

Já ouviu falar em Abdetran, Funenseg e Sincor? Pois saiba que provavelmente você está ajudando a dar-lhes boa vida. Essas siglas esquisitas tiraram do bolso dos brasileiros que têm automóveis 170 milhões de reais nos últimos cinco anos. Como? Uma parte dos 51 reais que são pagos como seguro obrigatório é usada para irrigar os cofres de instituições como a tal Abdetran, um clube que serve apenas para fazer a festa dos diretores dos Detrans de todo o país. Até uma entidade que representa os corretores de seguros fica com uma parcela do butim. Um rematado disparate, uma vez que para receber o tal seguro obrigatório não é preciso de corretor.

 

GENTE

A estrela sobe

Maria Sílvia Bastos Marques, a número 1 da CSN, deve ganhar uma vaga no board da Bolsa de Nova York.

 

Colaboraram José Edward, Julio Cesar de Barros e Ronaldo França