Emprego
Fuja dos manuais
As bobagens contidas nos livros
sobre entrevistas de emprego
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Alexandre Rielo

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Simulação de entrevista:
o importante é manter a naturalidade |
Parece piada, mas o caso é real e se transformou
entre profissionais de recursos humanos num exemplo extremo
de como algumas regras escritas nos manuais podem virar-se
contra o candidato a um emprego. A história é
a seguinte: o profissional foi aprovado em todas as etapas
da seleção e, para ser contratado, dependia
apenas da entrevista final com o diretor da área.
Na véspera, leu em um manual que as empresas de hoje
valorizam o executivo de perfil agressivo. Na hora da conversa,
não teve dúvida. A primeira pergunta do diretor
foi: "Por que você está aqui?" A resposta saiu
em tom irritado: "Ora, estou aqui porque vocês me
chamaram". A entrevista terminou na mesma hora.
O desejo do candidato era, seguindo as instruções
do manual, demonstrar o tal perfil agressivo. Essa é
uma das incontáveis bobagens que vêm sendo
ditas e escritas sobre a atitude adequada diante do entrevistador.
Algumas regrinhas traduzidas diretamente dos livros de recursos
humanos escritos no exterior têm sido apresentadas
no Brasil como verdade absoluta. Quem as seguir à
risca diminui a chance de ser contratado quando não
anula.
A
menos que a vaga seja oferecida por uma empresa americana
em início de atividades no Brasil e sem nenhum conhecimento
anterior dos hábitos e da cultura locais, o melhor
a fazer é não seguir o que os manuais recomendam.
Nos outros casos, é preciso levar em conta as condições
do mercado de trabalho brasileiro e os aspectos da cultura
local. No capítulo das condições do
mercado, o candidato nunca deve cometer a besteira de, como
recomendam os manuais americanos, se colocar no "mesmo nível"
do entrevistador. Isso vale para os Estados Unidos, onde
há pleno emprego e os profissionais de ponta são
disputados a tapa. No Brasil, existem pelo menos três
candidatos do mesmo nível para cada vaga que se oferece.
Bom senso Não são poucos os manuais
que recomendam ao candidato a combinação terno
azul, camisa branca e uma gravata vermelha, cujo objetivo
é passar a imagem de elegância discreta e usual.
É clichê puro. O importante é só
não cometer o crime de comparecer de terno roxo.
"Em lugar de perder tempo lendo manuais com conselhos absurdos,
o candidato deveria buscar informações sobre
a companhia que oferece a vaga", diz o consultor Guilherme
Velloso, da PMC Amrop, de São Paulo. Isso serve tanto
para causar uma boa impressão quanto para evitar
surpresas desagradáveis.