Edição 1 631 -12/1/2000

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Emprego

Fuja dos manuais

As bobagens contidas nos livros
sobre entrevistas de emprego

Alexandre Rielo

Simulação de entrevista:
o importante é manter a naturalidade


Parece piada, mas o caso é real e se transformou entre profissionais de recursos humanos num exemplo extremo de como algumas regras escritas nos manuais podem virar-se contra o candidato a um emprego. A história é a seguinte: o profissional foi aprovado em todas as etapas da seleção e, para ser contratado, dependia apenas da entrevista final com o diretor da área. Na véspera, leu em um manual que as empresas de hoje valorizam o executivo de perfil agressivo. Na hora da conversa, não teve dúvida. A primeira pergunta do diretor foi: "Por que você está aqui?" A resposta saiu em tom irritado: "Ora, estou aqui porque vocês me chamaram". A entrevista terminou na mesma hora.

O desejo do candidato era, seguindo as instruções do manual, demonstrar o tal perfil agressivo. Essa é uma das incontáveis bobagens que vêm sendo ditas e escritas sobre a atitude adequada diante do entrevistador. Algumas regrinhas traduzidas diretamente dos livros de recursos humanos escritos no exterior têm sido apresentadas no Brasil como verdade absoluta. Quem as seguir à risca diminui a chance de ser contratado – quando não anula.

A menos que a vaga seja oferecida por uma empresa americana em início de atividades no Brasil e sem nenhum conhecimento anterior dos hábitos e da cultura locais, o melhor a fazer é não seguir o que os manuais recomendam. Nos outros casos, é preciso levar em conta as condições do mercado de trabalho brasileiro e os aspectos da cultura local. No capítulo das condições do mercado, o candidato nunca deve cometer a besteira de, como recomendam os manuais americanos, se colocar no "mesmo nível" do entrevistador. Isso vale para os Estados Unidos, onde há pleno emprego e os profissionais de ponta são disputados a tapa. No Brasil, existem pelo menos três candidatos do mesmo nível para cada vaga que se oferece.

Bom senso – Não são poucos os manuais que recomendam ao candidato a combinação terno azul, camisa branca e uma gravata vermelha, cujo objetivo é passar a imagem de elegância discreta e usual. É clichê puro. O importante é só não cometer o crime de comparecer de terno roxo. "Em lugar de perder tempo lendo manuais com conselhos absurdos, o candidato deveria buscar informações sobre a companhia que oferece a vaga", diz o consultor Guilherme Velloso, da PMC Amrop, de São Paulo. Isso serve tanto para causar uma boa impressão quanto para evitar surpresas desagradáveis.