Edição 1 631 -12/1/2000

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Automóveis

Encalhou de novo

Estoque de carros chega a 120 000 e projeto
para renovar a frota pode sair da gaveta

Volta e meia, a indústria automobilística brasileira produz mais do que vende, e o resultado é um grande encalhe nos pátios das montadoras e revendedoras. O governo e os fabricantes fazem acordos de redução de preço com hora marcada para acabar, e a história se repete: carros, consumidor arredio e demissão nas fábricas. Na semana passada havia 120.000 veículos na praça esperando por compradores e uma idéia nova no ar: o projeto do Ministério da Fazenda para modernizar a frota brasileira, à semelhança do que se está fazendo na Argentina.

O Brasil tem 20 milhões de automóveis com média de dez anos de idade. Quanto mais velho o carro, mais ele polui o ar das grandes cidades. De acordo com o projeto, quem trocar o carro velho por um modelo zero-quilômetro ganha um belo desconto no preço do novo. As carroças vão para o forno das siderúrgicas para reciclagem. Na Argentina, o acordo está em prática desde o ano passado e vem obtendo sucesso. No Brasil, continua estacionado. Para funcionar seria preciso que cada parte envolvida desse sua cota de sacrifício. As montadoras teriam de abrir mão de parte do lucro, o governo cederia uma lasca na montanha de impostos com que soterra cada automóvel vendido no país e os sindicatos teriam de convencer os filiados a ganhar menos em troca da garantia de emprego que o aquecimento das vendas traria. Talvez o impasse atual provocado pelo pátios lotados comece a amolecer os envolvidos. "Agora aceito qualquer proposta, porque o que quero é vender carros", diz José Carlos Pinheiro Neto, presidente da Anfavea, a associação dos fabricantes. Enquanto não sai coelho da cartola, o jeito é procurar soluções mais tradicionais. A temporada de liquidação está no ar. As revendedoras estão dando descontos de até 15% e vendendo carros a preço de setembro do ano passado. "Os clientes ainda estão achando os carros muito caros", diz Anselmo Louzada, sócio da consultoria KPMG.