Fim de carreira
Maradona, o craque do século da
Argentina,
é internado outra vez, derrotado pela cocaína
A mais trágica dupla do futebol argentino retornou
a campo. Na semana passada, Diego Armando Maradona, o atleta
do século do esporte argentino, voltou a fazer tabela
com a droga. O craque foi internado numa clínica
de Punta del Este, no Uruguai, vítima de complicações
cardíacas provocadas pelo consumo de cocaína.
A notícia só surpreende pela freqüência
com que se repete e pelo estrago que a droga está
causando no usuário famoso. Por uso de cocaína
e outras drogas, Maradona já esteve preso, foi reprovado
no exame de doping três vezes e submeteu-se a diversos
tratamentos médicos na Argentina e no exterior. A
carreira de um dos maiores craques da história do
futebol mundial praticamente foi encerrada no dia em que
foi flagrado pela primeira vez, há quase dez anos
(veja quadro). E sua vida
corre risco sempre que escorrega. Só que não
consegue virar o jogo. "Fui, sou e serei sempre um viciado",
declarou à revista Gente, de Buenos Aires,
em 1996. "O viciado procura a morte", disse, em outra entrevista
recente, à edição argentina da revista
Rolling Stone. "Mas não há remédio
para essa terrível enfermidade."
Maradona não se encaixa no figurino do ex-ídolo
que busca compensar com o vício as desilusões
e as limitações da vida comum a que é
relegado depois da aposentadoria. Não é um
Garrincha, o grande craque brasileiro morto aos 49 anos,
esquecido, pobre e intoxicado de álcool. Aos 39 anos
e dois depois de deixar os gramados, apenas o físico
de Maradona não é o mesmo dos tempos de glória.
Está gordo, inchado, resultado de uma compulsão
irresistível de comer toda iguaria que esteja a seu
alcance. Mas desfruta uma vida luxuosa proporcionada pela
fortuna que angariou enquanto jogou. Seu prestígio
social também está intacto. Continua sendo
convidado para as melhores festas, está sempre aparecendo
na mídia e conta com a simpatia e a condescendência
da maioria. Sua internação mereceu duas visitas
do ex-presidente Carlos Menem, uma referência respeitosa
do presidente Fernando de la Rúa e a cobertura generosa
da imprensa argentina, que falou muito de doença
e quase nada de drogas.
Nos últimos meses Maradona passou ocupado com a
produção de dois documentários, um
da televisão espanhola e outro de uma produtora argentina,
sobre sua vida. No final do ano foi eleito o esportista
argentino do século, superando gente de peso como
o pentacampeão de Fórmula 1, Juan Manuel Fangio,
o ex-campeão mundial de boxe Carlos Monzón
e o tenista Guillermo Villas. Mas é nesses momentos,
quando mais a vida lhe parece sorrir, que Maradona fraqueja.
Na noite do dia 31, viajou com a família para Punta
del Este, o balneário dos ricos e famosos argentinos.
Passou o réveillon na mansão do empresário
de espetáculos Pablo Cosentino e na tarde de terça-feira
foi internado na Clínica Cantegril em estado lastimável.
Logo surgiram as suspeitas e a confirmação
da polícia: ele havia consumido cocaína em
grandes doses.