Edição 1 631 -12/1/2000

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Fim de carreira

Maradona, o craque do século da Argentina,
é internado outra vez, derrotado pela cocaína

A mais trágica dupla do futebol argentino retornou a campo. Na semana passada, Diego Armando Maradona, o atleta do século do esporte argentino, voltou a fazer tabela com a droga. O craque foi internado numa clínica de Punta del Este, no Uruguai, vítima de complicações cardíacas provocadas pelo consumo de cocaína. A notícia só surpreende pela freqüência com que se repete e pelo estrago que a droga está causando no usuário famoso. Por uso de cocaína e outras drogas, Maradona já esteve preso, foi reprovado no exame de doping três vezes e submeteu-se a diversos tratamentos médicos na Argentina e no exterior. A carreira de um dos maiores craques da história do futebol mundial praticamente foi encerrada no dia em que foi flagrado pela primeira vez, há quase dez anos (veja quadro). E sua vida corre risco sempre que escorrega. Só que não consegue virar o jogo. "Fui, sou e serei sempre um viciado", declarou à revista Gente, de Buenos Aires, em 1996. "O viciado procura a morte", disse, em outra entrevista recente, à edição argentina da revista Rolling Stone. "Mas não há remédio para essa terrível enfermidade."

Maradona não se encaixa no figurino do ex-ídolo que busca compensar com o vício as desilusões e as limitações da vida comum a que é relegado depois da aposentadoria. Não é um Garrincha, o grande craque brasileiro morto aos 49 anos, esquecido, pobre e intoxicado de álcool. Aos 39 anos e dois depois de deixar os gramados, apenas o físico de Maradona não é o mesmo dos tempos de glória. Está gordo, inchado, resultado de uma compulsão irresistível de comer toda iguaria que esteja a seu alcance. Mas desfruta uma vida luxuosa proporcionada pela fortuna que angariou enquanto jogou. Seu prestígio social também está intacto. Continua sendo convidado para as melhores festas, está sempre aparecendo na mídia e conta com a simpatia e a condescendência da maioria. Sua internação mereceu duas visitas do ex-presidente Carlos Menem, uma referência respeitosa do presidente Fernando de la Rúa e a cobertura generosa da imprensa argentina, que falou muito de doença e quase nada de drogas.

Nos últimos meses Maradona passou ocupado com a produção de dois documentários, um da televisão espanhola e outro de uma produtora argentina, sobre sua vida. No final do ano foi eleito o esportista argentino do século, superando gente de peso como o pentacampeão de Fórmula 1, Juan Manuel Fangio, o ex-campeão mundial de boxe Carlos Monzón e o tenista Guillermo Villas. Mas é nesses momentos, quando mais a vida lhe parece sorrir, que Maradona fraqueja. Na noite do dia 31, viajou com a família para Punta del Este, o balneário dos ricos e famosos argentinos. Passou o réveillon na mansão do empresário de espetáculos Pablo Cosentino e na tarde de terça-feira foi internado na Clínica Cantegril em estado lastimável. Logo surgiram as suspeitas e a confirmação da polícia: ele havia consumido cocaína em grandes doses.