Edição 1 631 -12/1/2000

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A era das celebridades

Elas são famosas por ser famosas.
Explodem de um dia para o outro.
O público as adora

Isabela Boscov

 
Fotos: Paschoal Rodrigues, João Santos, Frederic Jean e Rodrigo Lopes
Feiticeira: de corista a estrela dos próprios shows. Maria
Fernanda: a mais bela do século, segundo o público
do Fantástico. Padre Marcelo: a religião como espetáculo.
Thiago Lacerda: o primeiro milhão em quatro meses

Mesmo quem não assiste habitualmente às novelas de TV já notou que o Brasil tem um novo ídolo popular. Chama-se Thiago Lacerda e é impossível escapar de sua onipresença. Na pele do imigrante italiano Matteo, ele é a grande sensação de Terra Nostra, a trama das 8 da Globo. Como garoto-propaganda, está por toda parte, anunciando de bancos a temperos. Compra-se um cartão telefônico para falar no orelhão e de quem é o rosto estampado para enfeitá-lo? De Thiago Lacerda. Abrem-se as revistas e os jornais e lá está ele, em fotos caprichadas e reportagens que escarafuncham sua vida. Seis meses atrás, ele era um anônimo pretendente a nadador profissional que tentava a sorte como modelo e ator. Participara do seriado Malhação e fizera papéis secundários na novela Pecado Capital e na minissérie Hilda Furacão. Ganhava menos de 1 000 reais por mês. De repente, em semanas, Thiago ficou famoso e o toque dessa vara mágica, a fama, mudou tudo em sua vida. Há um mês, Thiago Lacerda completou seu primeiro milhão de reais, ganho principalmente com contratos publicitários.

Quem se perguntar que atributos tem Thiago Lacerda para merecer esse sucesso precisa ir além dos dotes físicos do ator. Com 1,93 metro de altura, olhos verdes e físico bem torneado, ele é um rapaz muito bonito, mas há muitos rapazes bonitos desfilando anônimos em passarelas e anúncios publicitários no país. Como ator, Thiago dá conta do recado, mas também não se destaca entre seus jovens pares nas novelas. O que Thiago tem de especial é que, para sorte sua, ele ficou bem na pele do galã romântico de uma novela vista por 30 milhões de pessoas e, graças a essa exposição maciça e positiva, tornou-se muito conhecido, uma celebridade. A partir desse momento, está montada a máquina. Basta saber aproveitar os frutos da conquista, como campanhas publicitárias, e policiar o comportamento, evitando, por exemplo, as experiências que levaram o jogador Diego Maradona de novo ao hospital na semana passada, vítima de consumo de drogas. O resto vem por si mesmo.

A celebridade é um espécime típico do século XX que, nos últimos tempos, vem se reproduzindo com espantosa velocidade nos quatro cantos do planeta. O que caracteriza uma celebridade é que ela não depende de algum mérito tradicional para ter alcançado fama e fortuna. Não precisa exibir no currículo realizações extraordinárias, como o físico Albert Einstein, que criou a teoria da relatividade, ou Pelé, o maior atleta do século. A celebridade pode ter eventualmente realizações que deixam lastro, mas não precisa necessariamente delas para se afirmar. Como define o historiador americano Daniel Boorstin, a celebridade é famosa por ser famosa, e ponto final. Quem turbina a indústria das celebridades são os meios de comunicação e entretenimento. Nos Estados Unidos, o cinema tem um papel destacado nesse fenômeno que, por aqui, é desempenhado pelos canais de TV, especialmente a Rede Globo. Exatamente como no resto do mundo, o sistema brasileiro de criação de celebridades alimenta-se também do rádio e da imprensa escrita, jornais e revistas, como VEJA, entre outras, tendo recebido um bom impulso com o lançamento da revista Caras, o maior sucesso editorial do país nos anos 90.

A futura celebridade costuma nascer com o apoio de algumas características positivas fáceis de reconhecer. Na maioria dos casos, a pessoa precisa ser bonita, viva, simpática, ter carisma. Não há celebridades feias nem insossas. Isso, porém, não basta. Afinal, muitas belezas e simpatias continuam reconhecidas apenas entre os amigos e colegas de trabalho. Parece contar muito um senso único de oportunidade e a sorte de estar no lugar certo na hora certa. Thiago Lacerda foi parar no elenco de Terra Nostra depois de bater na porta da produtora de elenco Mariana Lobo e pedir-lhe se não tinha um papelzinho qualquer para ele na novela. Mesmo já tendo participado de outras produções da Globo, foi-lhe exigido um teste de interpretação. Acabou escolhido para viver Matteo pelo autor da história, Benedito Ruy Barbosa, que demonstrou aí a sensibilidade para farejar o sucesso que tem caracterizado toda a sua carreira.

Ser filho de outra celebridade é um atalho para ganhar projeção, ainda mais se papai ou mamãe ajudam no processo. A filha dos apresentadores Xuxa e Luciano Szafir, Sasha, é um bom exemplo. Horas depois de vir ao mundo, o país inteiro já conhecia seu rosto e sabia que seu quarto teria 130 metros quadrados e piscina aquecida. Para a atriz Maria Fernanda Cândido, que acaba de iniciar sua carreira como a Paola de Terra Nostra, aplicam-se os mesmos termos da equação que transformou Matteo em celebridade. Maria Fernanda está por aí há bastante tempo. Já fez pontas em novelas do SBT e da Bandeirantes e apareceu na abertura de A Indomada, na Globo, sem que ocorresse a alguém da emissora aquilo que só hoje parece óbvio. Maria Fernanda não se transformou de repente na mulher linda, que na semana passada os telespectadores elegeram, em votação por telefone, "a brasileira mais bela do século" - nada menos que isso. Pergunta-se: como é que a brasileira mais bela do século poderia andar incógnita na rua e entrar em papéis secundários de novelas sem despertar nenhuma emoção na rapaziada? A diferença é que Maria Fernanda é uma das pessoas que se transformaram instantaneamente numa celebridade. Até mais bonita ela parece ter ficado, o que evidentemente é uma ilusão de ótica. Sempre foi linda.

A carioca Vera Loyola, dona de uma rede de padarias na Barra da Tijuca, pouco alterou sua rotina para conquistar o posto de rainha das socialites emergentes da cidade. Trocou desaforos pela imprensa com uma socialite tradicional, Carmen Mayrink Veiga, e passou a freqüentar o maior número possível de festas. De vez em quando, cuida de protagonizar um episódio que faça barulho na imprensa. O exemplo mais recente é a festança de aniversário que promoveu para sua cadela, "Pepezinha", com vários convidados colunáveis e seus respectivos cãezinhos. Ser uma celebridade, muitas vezes, significa ainda estar no lugar errado na hora errada. Como Monica Lewinsky, a ex-estagiária da Casa Branca que fazia hora extra para o presidente americano Bill Clinton.

Criar fatos em torno de si: eis uma regra de ouro para quem pretende conquistar a fama e mantê-la por mais de uma temporada. A mais aplicada aluna dessa lição é a modelo Adriane Galisteu. Ela ganhou notoriedade ao tornar-se "viúva" do piloto Ayrton Senna e, desde então, ficou famosa por conta própria. Para isso, até hoje recebe a ajuda de um tipo de profissional que vem se tornando comum no mundo das celebridades: o assessor de imagem. Na época em que lançou seu livro O Caminho das Borboletas, em 1994, contratou os serviços de Cristina Moreira, uma ex-diretora de agência de modelos que hoje se dedica a traçar estratégias para que seus clientes permaneçam sempre em evidência. "Adriana ficou quatro anos apenas criando fatos, como ir a festas importantes, trocar de carro ou comprar vestidos com a grife Gianni Versace", conta Cristina. Mais recentemente, casou-se com o publicitário Roberto Justus, numa festa de arromba, e separou-se apenas oito meses depois. Não foi uma ação planejada, é claro, mas não se discute que ela ajudou um bocado a manter Adriane em evidência. Alguns conselhos dos assessores de imagem para as mulheres que, tendo belas formas como capital inicial, pretendem tornar-se celebridades:

• A maneira mais fácil e rápida de detonar o processo é namorar alguém famoso. Mas cuidado para não sair dando entrevistas sobre o namoro antes que ele engate para valer.
• Posar desinibida para uma revista masculina é um passo importante. Nos meses seguintes àquele em que a revista está nas bancas, é preciso aparecer o máximo possível na televisão, em desfiles e festas.
• Expor a vida pessoal é imprescindível. Não existe celebridade que se sustente com um discurso do tipo "só falo de minha vida profissional".
• Nos momentos em que a fama declina um pouco, invente algo para recolocá-la em evidência. Por exemplo, arrume um outro namorado badalado, mesmo que seja de mentirinha.

Muita gente que se debruça sobre o fenômeno das celebridades tenta explicar o que leva uma pessoa a batalhar pela fama. "Essa vontade representa o antídoto à uma sociedade massificada, em que todos se sentem anônimos", disse a VEJA o sociólogo Joshua Gamson, da Universidade Yale, autor de um livro sobre o tema. Talvez a explicação faça mais sentido nos Estados Unidos, onde o mundo é dividido entre vencedores e perdedores. No Brasil, é melhor ir devagar com a sociologia. "As pessoas querem mesmo é sentir-se poderosas para furar fila e conseguir mesa em restaurante lotado", diz, mais pragmático, o apresentador Otávio Mesquita, que em sua extinta coluna social televisiva Perfil cobrava cachê para cobrir eventos de gente famosa. Aliás, as colunas eletrônicas, aqueles programas noturnos que mostram festas bacanas, coquetéis descolados e lançamentos de produtos de luxo, costumam ser muito utilizadas por quem deseja "chegar lá". A coisa funciona assim: você paga entre 5 000 e 10 000 reais ao apresentador e ele o coloca no meio de um agito social qualquer. Lá pelas tantas, como se fosse a coisa mais natural do mundo, ele finge que o encontra por acaso ("Olhe quem está aqui!") e o entrevista.
Conseguir a fama produz dinheiro também. Adriane Galisteu vivia em dificuldades financeiras antes do namoro com Ayrton Senna e logo depois da morte do piloto. Hoje, ela ganha 40 000 reais por mês para apresentar o programa Superpop na Rede TV! e mais 15 000 para comandar o Quiz na MTV. Além disso, tem uma dezena de produtos licenciados com seu nome. Quando começou sua carreira no elenco do programa H, de Luciano Huck, a bela Joana Prado, a Feiticeira, ganhava 1.000 reais por mês. Atualmente, faz em média quinze shows por mês em clubes e ginásios do país e cobra 10 000 reais cada um. Na época em que atuava em Malhação, Thiago Lacerda ganhava 600 reais na Globo. Desde que ele se tornou a principal atração de Terra Nostra, o ordenado pulou para 15 000 reais. Seu novo contrato com a emissora vai até 2003 e estipula reajustes nesse período. Só para anunciar uma marca de produtos alimentícios embolsou 300 000 reais - um cachê próximo ao do veterano Jô Soares. No momento, o galã se dedica a planejar sua carreira para que ela não afunde depois da novela. Para isso, conta com a ajuda do empresário Guilherme Abreu, especializado em atores de televisão.

Hoje, não há celebridade de primeira grandeza que não tenha a seu lado um empresário experiente. O advogado paulista Sérgio D'Antino, que orienta Adriane Galisteu e a modelo Luciana Gimenez - aquela que se tornou famosa por causa do filho que teve com o rolling stone Mick Jagger (ele é que estava no lugar errado, na hora errada) -, diz que uma celebridade precisa da assessoria de três profissionais. Primeiro, um agente que negocie cachês. Segundo, um assessor de imprensa que selecione suas aparições: ela não pode virar arroz de qualquer festa. Terceiro, um consultor econômico que a transforme em pessoa jurídica e programe seus investimentos.

Os jovens atores de TV, Thiago Lacerda inclusive, usam a fama instantânea como moeda para outro tipo de negócio: a apresentação de bailes de debutantes. Em troca de cachê, transporte e hospedagem, eles encarnam uma versão moderna dos príncipes encantados de antigamente. Thierry Figueira, o Hugo da novela Vila Madalena, perdeu a conta das horas perdidas em estradas do interior do país para apresentar bailes de debutantes. Outra boa fonte de renda para os atores é a chamada "presença vip". Eles comparecem a festas como se fossem convidados comuns, ou simplesmente passam de uma a duas horas numa boate para animar a noite dos freqüentadores. Os cachês para bailes de debutantes e "presenças vip" ficam em geral na casa dos 5.000 reais. No caso de Thiago Lacerda, 15.000 reais.
Quando o ator Tarcísio Meira ingressou na carreira artística, há quarenta anos, distribuía autógrafos nas ruas, mas não conseguia pagar as contas com o salário da TV Tupi. Tinha de completar o orçamento trabalhando como escrevente no fórum de São Paulo. Tarcísio só conseguiu melhorar de vida e comprar uma boa casa em meados dos anos 70, quando já havia muito era o grande galã do Brasil, com novelas como Irmãos Coragem no currículo. Thiago Lacerda, com quatro meses de fama, acaba de arrematar um apartamento no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro. A mesma coisa acontece no futebol. O jogador Ronaldinho embolsou seu primeiro milhão de dólares aos 18 anos e já amealhou uma fortuna estimada em 80 milhões de reais. Ronaldinho há tempos não mostra do que é capaz com uma bola nos pés. No entanto, é presença diária nas notícias de jornais e permanece na mira de grandes empresas de material esportivo. É curiosíssimo: como se tornou uma celebridade, não precisa mais suar a camisa nos campos para continuar a ser "o melhor jogador do mundo". Compare-se sua trajetória com a de Pelé. O maior jogador de futebol de todos os tempos só ganhou sua primeira grande bolada aos 34 anos, quando já estava se aposentando e se transferiu para o Cosmos, time inexpressivo - mas rico - de Nova York. Na ocasião, recebeu 7 milhões de dólares por três anos de contrato.
No Brasil, a febre das celebridades produziu um personagem singular: o padre Marcelo Rossi. Ele é um religioso que vive nas colunas mundanas e de fofocas, corteja os astros da TV como um tiete e em suas missas ao ar livre reúne multidões para cantar e dançar como num festival de rock. Nunca se ouviu falar de nada semelhante no âmbito da Igreja. Recentemente, padre Marcelo acompanhou o apresentador Gugu Liberato numa viagem ao Oriente Médio e "batizou-o" nas águas do Rio Jordão, no qual Cristo recebeu o mesmo sacramento.

Mas o que alimenta o interesse pelas celebridades? Os estudiosos acreditam que, num mundo onde as relações familiares estão cada vez mais restritas ao núcleo central, elas viraram uma extensão daquelas grandes famílias de antigamente. São "parentes" com os quais se pode conviver diariamente sem que se tenha de arcar com as conseqüências que isso acarreta entre pessoas que têm laços na vida real. Com uma vantagem: pode-se trocar de "parentes" quando se está cansado deles - daí a brevidade das celebridades instantâneas. Ninguém simbolizou melhor esse tipo de relação do que a princesa Diana, da Inglaterra. Cada mudança de seu penteado repercutia pelo mundo afora. Diana queixava-se com freqüência do assédio da mídia, mas agia de forma a atrair jornalistas e fotógrafos. Ela se queixava, mas, ao mesmo tempo, queria manter seu estado de celebridade mundial, a maior estrela da categoria. O aparente vínculo de intimidade entre os cidadãos comuns e as celebridades permite, ainda, que os primeiros possam sonhar com a possibilidade de também vir a ser ungidos pela fama. Se aconteceu com ele, por que não comigo? A indústria de celebridades produz ilusões. Bilhões delas a cada dia.

 
Como nascem as estrelas

Algumas das formas de "chegar lá"

Sasha Meneguel Szafir

Como se tornou famosa - Da forma mais fácil: sendo filha de uma celebridade
Manutenção da fama - Xuxa vive expondo a menina. Suas primeiras horas de vida foram ao ar pela TV e sua festa de 1 ano foi um grande evento social
Quanto vale hoje - As aparições no programa da mãe ajudaram a levantar a audiência. Se o Mercado de Futuros incluísse a aposta em celebridades das próximas décadas, Sasha seria um bom investimento

Thiago Lacerda

Como se tornou famoso - Teve a sorte de ser escolhido por Benedito Ruy Barbosa, autor de Terra Nostra, como galã da história. Sua bela estampa conquistou o público feminino instantaneamente
Manutenção da fama - Seu empresário traça planos para quando a novela acabar. Estes incluem a participação de Thiago numa peça teatral. Acabou de gravar um CD com uma entrevista, em que conta intimidades de sua vida, e que será vendido em bancas de jornais
Quanto valia antes e quanto vale hoje - Quando fazia apenas papéis secundários, seu salário mensal na Globo era de 600 reais. Hoje pulou para 15 000. Antes, cobrava 2 000 reais para apresentar um baile de debutantes - hoje, cobra até 15 000. Para estrelar um comercial de extrato de tomate, recebeu recentemente 300 000 reais

Tiazinha

Como se tornou famosa - Encarnando uma personagem sadomasoquista num programa de TV para adolescentes
Manutenção da fama - No ano passado, posou nua para a Playboy. Mas cometeu um erro fatal: ficou fora da TV quando o entusiasmo em torno de sua figura chegava ao auge. Nos seis meses entre a saída do programa H e a estréia de sua própria atração na Rede Bandeirantes, seu brilho diminuiu consideravelmente
Quanto valia antes e quanto vale hoje - Quando era modelo, ganhava alguns trocados. Hoje, sua maior fonte de renda são as "presenças vip", aparições em festas e eventos pelas quais cobra entre 8 000 e 12 000 reais

Adriane Galisteu

Como se tornou famosa - Namorando Ayrton Senna. Com a morte do piloto, em 1994, tornou-se a "viúva" mais conhecida do país
Manutenção da fama - Após a morte de Senna, contou sua história num livro. Posou nua para a Playboy. Hoje participa de desfiles e tem dois programas na TV. Cria fatos que geram repercussão, como o casamento com o publicitário Roberto Justus seguido da separação
Quanto valia antes e quanto vale hoje - Até o namoro com Senna, recebia pequenos cachês como modelo. Em 1999, sua empresa faturou 1 milhão de reais. Como pessoa física, ganhou cerca de 500 000 reais no ano passado

Vera Loyola

Como se tornou famosa - Herdeira de uma rede de padarias, saiu do anonimato quando a colunista social Hildegard Angel a elegeu o símbolo dos emergentes da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, um grupo de socialites de fortuna recentíssima e sem pedigree
Manutenção da fama - Comparece a eventos badalados e a programas de TV. Sonha em ter sua própria atração na telinha
Quanto valia antes e quanto vale hoje - Continua com as mesmas padarias que tinha antes da fama. O que a move é apenas a vaidade

 

Uma breve história da fama

Século XIV a.C.
A crença de que haveria vida após a morte fez com que os faraós construíssem tumbas magníficas, como a de Tutancâmon, e pirâmides grandiosas, onde eles eram enterrados juntamente com suas riquezas. Nesses e em outros monumentos, os reis-deuses faziam-se retratar em pinturas que celebravam seus feitos. Foi assim que estenderam sua fama à posteridade

Século IV a.C.
O conqusitador Alexandre, o Grande, da Macedônia, era habilíssimo no campo das relações públicas. Ele levava em suas expedições poetas e artistas que propagavam seus feitos nos territórios que ia abraçando

Século I
Jesus Cristo é o maior exemplo da construção da popularidade pelo método boca-a-boca

Século XIII
Na Divina Comédia, Dante Alighieri colocou a si próprio como protagonista. Não à toa, o escritor americano Ernest Hemingway referiu-se a Dante como "o egocêntrico de Florença"

Século XV
A idéia moderna de artista - um homem especial - se formou em torno de uma figura: Michelangelo Buonarroti, nascido em 1475, autor do Davi e dos mais belos afrescos da Capela Sistina. Seu funeral foi um acontecimento

Século XVI
Nobres europeus descobrem na pintura uma forma de abrilhantar sua imagem pessoal. Ninguém usou melhor o recurso do que a rainha Elizabeth I, que se fazia representar sempre na mesma atitude, como uma personificação da Inglaterra

Século XIX
Quando o compositor e pianista Franz Liszt subia ao palco, as mulheres deliravam e os homens de mordiam de inveja. O húngaro é considerado o primeiro pop star da História

1904
O presidente americano Theodore Roosevelt era um mestre da autopromoção. Quando salvou um filhote de urso numa floresta, tratou de espalhar a história aos quatro cantos. O episódio motivou a invenção do popular ursinho de pelúcia, o "teddy bear". Teddy era o apelido de Theodore

1913
Nos primórdios de Hollywood, ninguém sabia os nomes dos atores que apareciam no cinema mudo, Mary Pickford foi a primeira a conseguir alardear o seu, abrindo caminho para astros como Charles Chaplin. Estava inventada a idéia de celebridade que dominaria o século XX

1927
O americano Charles Lindbergh cruzou o Atlântico num avião pela primeira vez. Seu assessor de imprensa o convenceu a desembarcar vestido de cidadão comum, e não com seu uniforme militar

1935
O astro Clark Gable foi o primeiro a reclamar publicamente do lado espinhoso da fama: a invasão de privacidade

1939
Com o início da II Guerra Mundial, o mundo conheceu a mais impressionante máquina de propaganda já montada: a do nazismo

1951
A televisão invadia o lar dos americanos e criava novas estrelas. A maior delas foi a comediante Lucille Ball, que nesse ano passou a estrelar a popularíssima série I Love Lucy

1961
John Kennedy assumiu a Presidência dos Estados Unidos e consagrou a imagem da família criada por seu pai, Joseph, também político: a de um clã de democratas que agia como realeza para consumo público. Dois anos depois, seu assassinato só ajudou a consolidar a lenda

1966
John Lennon causou escândalo ao dizer que os Beatles eram mais famosos que Jesus Cristo. Acabou pedindo desculpas meses mais tarde, mas sua frase dá a medida da popularidade do grupo inglês

1967
Ernesto "Che" Guevara está para as ideologias de esquerda assim como a Coca-Cola para o capitalismo: é sua marca mais popular.

1968
Andy Warhol, o papa da arte pop, adorava aparecer. Foi ele quem anunciou que, no futuro, todos seriam famosospor quinze minutos

1977
Morre o cantor americano Elvis Presley. Mas ele continua tão célebre e venerado que muitos acreditam - a sério - que ele não morreu

1997
O mundo ganhou um ídolo inesperado: Leonardo DiCaprio. Hoje, quem se lembra dele? É uma daquelas celebridades de consumo rápido, novidade do final do século XX

1999
A internet produz celebridades instantâneas. Exemplo: o turco Mahir Cagri, um cidadão comum que criou uma home page autobiográfica. Seu sucesso resultou em reportagens em toda a imprensa internacional