Edição 1 631 -12/1/2000

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Congresso

Palpite infeliz

O deputado Jair Bolsonaro corre o risco
de ser punido por falar bobagens demais

Sandra Brasil

Nesta terça-feira, a mesa da Câmara dos Deputados se reunirá para discutir uma possível punição ao deputado Jair Bolsonaro, do PPB do Rio de Janeiro, por ter defendido, pela segunda vez, o fuzilamento do presidente Fernando Henrique. Bolsonaro foi longe demais. Numa democracia, todos têm direito a defender livremente suas idéias. O problema do capitão da reserva e deputado Jair Bolsonaro é que ele ultrapassa os limites em dois aspectos. No penal, Bolsonaro faz discursos de incitação ao crime. No plano do exercício de seu mandato parlamentar, o deputado fere o decoro da Casa que o abriga, a Câmara Federal. Ele é um velho reincidente nesses capítulos, e, até hoje, os colegas toleraram sem reação suas insanidades. A situação parece que está mudando.

Dessa vez, o palco de Bolsonaro foi o Clube da Aeronáutica, durante o almoço de desagravo ao brigadeiro Walter Bräuer, demitido do comando da Aeronáutica por quebra de hierarquia. Sem acesso ao microfone do clube, Bolsonaro aproveitou a presença da imprensa no local para fazer seu já tradicional show de pregações antidemocráticas. "Está na hora do basta", diz o deputado Arthur Virgílio, do PSDB do Amazonas, líder do governo no Congresso, que entrou com um pedido formal de cassação contra Bolsonaro por quebra de decoro. A mesa da Câmara vai analisar se irá acatar a proposta de Virgílio ou se encaminhará uma punição mais branda. A tendência é aprovar uma suspensão de mandato por até trinta dias. "Ele é reincidente e demonstra um contumaz despreparo para lidar com o regime democrático", argumenta Virgílio.

No terceiro mandato como deputado federal, Bolsonaro é o autor das frases mais absurdas que saíram do Congresso nos últimos anos. Ele já xingou Fernando Henrique de canalha, defendeu ditadores, apoiou a prática da tortura e até pregou o fechamento do Congresso. Em 1986, Jair Messias Bolsonaro era um desconhecido oficial do Exército. Nesse ano, começou a sobressair. Primeiro, foi preso depois de defender reajuste salarial em um artigo publicado em VEJA. Em 1987, arquitetou um plano de explodir bombas em quartéis para protestar contra a prisão de um sargento, os baixos salários e a atuação da cúpula do Exército. Dessa vez, Bolsonaro apareceu de novo na revista, mas denunciado por VEJA como um dos autores de um plano terrorista. Nesse mesmo ano, ele chegou a ser acusado pelo então ministro do Exército, Leônidas Pires Gonçalves, de indignidade para com o oficialato. O Superior Tribunal Militar o absolveu da acusação. Com todas essas peripécias era de se esperar que a carreira de Bolsonaro andasse para trás. Ao contrário, tornou-se muito prestigiado entre alguns setores das Forças Armadas como defensor da categoria. Isso lhe rendeu votos no baixo clero dos militares. Ironicamente, o mesmo discurso desequilibrado ameaça seu mandato.

 
"Para o crime que FHC está cometendo contra o país sua pena devia ser o fuzilamento."
(dezembro de 1999)

"Isso é que dá torturar e não matar."
(junho de 1999, sobre as acusações de tortura do ex-padre José Antônio Monteiro que levaram à demissão do delegado João Batista Campelo da Polícia Federal)

"Se fuzilassem 30 000 corruptos, a começar pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, o país estaria melhor."
(maio de 1999)

Orlando Brito

"Se fosse o presidente, fecharia o Congresso, porque ele não funciona."
(maio de 1999)

"O grande erro da ditadura foi não matar vagabundos e canalhas como Fernando Henrique."
(julho de 1997)

"Gastaram muito chumbo com o Lamarca. Ele devia ter sido morto a coronhadas."
(julho de 1996)

Deputado Jair Bolsonaro