Edição 1 631 -12/1/2000

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O bug do milênio

Fotos: Carlos Namba, Ana Araújo, Claudio Rossi

O general Figueiredo, Bolsonaro
e o brigadeiro Bräuer

Ninguém poderia prever que o tema dominante na virada brasileira do milênio seria o humor vigente no meio militar. Mas foi. Num sinal ameno dos novos tempos, o espectro de uma crise militar no Brasil de hoje é mais ou menos como o do bug dos computadores na mudança do calendário: ainda que faça muito barulho, não produz conseqüência grave. Já foi diferente. Durante os 21 anos do regime militar, um espirro num quartel era suficiente para deixar constipada toda a nação. Com a democracia, o quartel passou a ser tratado como deve, ou seja, apenas como um dos muitos setores da sociedade. A reabertura do caso Riocentro, no ano passado, um assunto explosivo antes tratado com cuidados de cirurgião, não causou abalos nas instituições e corre normalmente em seu leito natural, que é a Justiça.

Nesta edição VEJA dedica boa parte de seu espaço aos militares. As páginas amarelas se abriram para o brigadeiro Walter Bräuer comentar a crise que custou seu posto como comandante da Aeronáutica. Na segunda reportagem de Brasil a revista trata dos atentados verbais que vêm sendo cometidos sucessivamente pelo capitão da reserva e deputado do PPB carioca Jair Bolsonaro, agora seriamente ameaçado de cassação por falta de decoro parlamentar por ter proposto o fuzilamento do presidente Fernando Henrique Cardoso, última das agressões insanas do parlamentar. Uma reportagem de fundo e enorme valor histórico reproduz o resultado das conversas do veterano repórter fotográfico Orlando Brito, ex-editor de fotografia de VEJA e do Jornal do Brasil, com o ex-presidente João Baptista Figueiredo. Foram conversas mantidas enquanto caminhavam pela orla carioca. "Vê lá o que você vai fazer com isso", advertiu o general em um dos mais de vinte encontros que teve com o jornalista. O que Brito fez com aquilo pode ser visto na reportagem especial.