O bug do milênio
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Fotos: Carlos Namba, Ana Araújo,
Claudio Rossi

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O general Figueiredo, Bolsonaro
e o brigadeiro Bräuer |
Ninguém poderia prever que o tema dominante na virada brasileira
do milênio seria o humor vigente no meio militar. Mas foi.
Num sinal ameno dos novos tempos, o espectro de uma crise
militar no Brasil de hoje é mais ou menos como o do bug
dos computadores na mudança do calendário: ainda que faça
muito barulho, não produz conseqüência grave. Já foi diferente.
Durante os 21 anos do regime militar, um espirro num quartel
era suficiente para deixar constipada toda a nação. Com
a democracia, o quartel passou a ser tratado como deve,
ou seja, apenas como um dos muitos setores da sociedade.
A reabertura do caso Riocentro, no ano passado, um assunto
explosivo antes tratado com cuidados de cirurgião, não causou
abalos nas instituições e corre normalmente em seu leito
natural, que é a Justiça.
Nesta edição VEJA dedica boa parte de seu espaço aos militares.
As páginas amarelas se abriram
para o brigadeiro Walter Bräuer comentar a crise que custou
seu posto como comandante da Aeronáutica. Na segunda
reportagem de Brasil a revista trata dos atentados verbais
que vêm sendo cometidos sucessivamente pelo capitão da reserva
e deputado do PPB carioca Jair Bolsonaro, agora seriamente
ameaçado de cassação por falta de decoro parlamentar por
ter proposto o fuzilamento do presidente Fernando Henrique
Cardoso, última das agressões insanas do parlamentar. Uma
reportagem de fundo e enorme valor histórico reproduz o
resultado das conversas do veterano repórter fotográfico
Orlando Brito, ex-editor de fotografia de VEJA e do Jornal
do Brasil, com o ex-presidente João Baptista Figueiredo.
Foram conversas mantidas enquanto caminhavam pela orla carioca.
"Vê lá o que você vai fazer com isso", advertiu
o general em um dos mais de vinte encontros que teve com
o jornalista. O que Brito fez com aquilo pode ser visto
na reportagem especial.