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Verão:
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Adeus Miami e Cancún. Com o dólar acima de 3,70 reais, os turistas brasileiros que ainda se davam ao luxo de tirar férias fora do Brasil estão deixando o passaporte na gaveta. O Brasil, sobretudo seu litoral, está muito mais convidativo neste verão de altas temperaturas e dólar também aquecido. A troca não vai estragar as férias de ninguém, pois a costa brasileira é uma festa por seus próprios méritos. São 8.000 quilômetros com mais de 2.000 praias, a maioria belíssima e uma quantidade delas quase intocada. Há garantia de muito sol, comida boa, agito ou sossego, ao gosto do freguês. O único senão são os preços, que estão de assustar, mesmo em reais. O aumento médio no valor da hospedagem, do transporte e das refeições em relação ao último verão foi quase três vezes o da inflação no período. Um estudo feito pelo Núcleo de Turismo da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, a pedido de VEJA, revela que os pacotes turísticos para janeiro de 2003 estão 25% mais caros que no mesmo mês de 2002. Entraram no cálculo os doze destinos mais procurados, a maioria deles em Pernambuco, Bahia e Ceará, e hotéis de três estrelas a luxuosos resorts.
Neste Ano-Novo,
de acordo com estimativa da Associação Brasileira de Agências
de Viagens, um casal com dois filhos que compre seu pacote em São
Paulo para ir ao Nordeste vai gastar em média 15.000
reais por sete noites num hotel de padrão quatro estrelas. Num
resort de luxo, o desembolso sobe facilmente para 24.000
reais. É o preço de um carro. O pacote turístico
é o termômetro do turismo doméstico. Quatro de cada
dez brasileiros utilizam essa modalidade para viajar, e 49% dos pacotes
são para o Nordeste. Ainda não está claro se os turistas
estão dispostos a pagar tão caro. Até agora, o único
indicativo é o ritmo um tanto lento na venda de pacotes. Três
anos atrás, a crise cambial também frustrou as viagens internacionais.
Como havia igualmente a expectativa de grande demanda no réveillon
do milênio, os hotéis elevaram escandalosamente os preços.
Foi um desastre para os gananciosos: a ocupação dos hotéis
no Ano-Novo de 2000 caiu para 75%, contra a média histórica
de 90%. A explicação para a atual explosão dos preços
é um pouco mais técnica. As operadoras de turismo pegam
dinheiro emprestado nos bancos para reservar lugares nos hotéis
e aviões com antecedência. Como os juros subiram, o custo
maior foi repassado ao consumidor. Os hotéis, sobretudo os das
redes internacionais, que orientam as diárias pelo dólar,
também apimentaram o valor das diárias. Para piorar, as
tarifas aéreas encareceram, ajudando a salgar o custo final. "É
uma das temporadas mais caras dos últimos anos", diz Luiz Gustavo
Barbosa, coordenador e professor de MBA em turismo, hotelaria e entretenimento
da FGV-Rio.
Eduardo Marques/Tempo Editorial![]() |
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É
bom avisar que tal diagnóstico não significa necessariamente
um tiro de morte nos planos de férias do brasileiro. Há
boas saídas para driblar os preços altos e viajar neste
verão. A pedido de VEJA, a equipe do Guia Quatro Rodas,
da Editora Abril, indicou seis regiões de praias lindas, do Rio
Grande do Norte a Santa Catarina, em que os preços saem mais em
conta na comparação com locais com atrações
e conforto semelhantes (veja os detalhes nos quadros que acompanham
as fotos desta reportagem). Não se trata daquele tipo de viagem
em que se gasta pouco e, no fim, tem-se a impressão de que não
valeu nem o pouco que se gastou. Ao contrário, as oportunidades
de um turismo compensador estão em locais que combinam paisagens
exuberantes e boa dose de conforto mas são mais baratos
por ser menos procurados ou devido à oferta hoteleira acima da
demanda. A seleção foi feita com base no trabalho dos jornalistas
que durante um ano percorreram o Brasil coletando informações
para o guia Viajar Bem e Barato, lançado na semana passada.
A existência de boas opções com preços variados
tem muito a ver com a mudança positiva pela qual passou o litoral
brasileiro nos últimos anos. De norte a sul, as praias foram submetidas
a uma faxina generalizada no que diz respeito à infra-estrutura
básica. Foram construídos sete novos aeroportos, 280 quilômetros
de estradas em áreas turísticas e restaurados 22.000
metros quadrados de patrimônio histórico. O melhor de tudo
foi a espetacular ampliação da rede hoteleira e a melhoria
dos serviços prestados aos turistas.
Milton Sairata![]() |
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Foram
inaugurados vários resorts, como são chamados os grandes
complexos de hotelaria, lazer e esportes. As pousadas estão mais
confortáveis, há fartura de programas e passeios e o atendimento
em hotéis e restaurantes ficou mais profissional. Sem essas mudanças
teria sido impossível recomendar uma viagem a Imbassaí,
na Bahia, que não faz muito tempo era um local remoto e sem recursos.
Hoje, chega-se lá com facilidade pela Linha Verde, a rodovia que
percorre o litoral norte do Estado. O lugar fica a meio caminho entre
as badaladas Costa do Sauípe e Praia do Forte, com a vantagem de
ter preços muito abaixo. As pousadas são confortáveis
(diárias para casal em torno de 100 reais), dali se podem fazer
passeios para praias semidesertas e para vilas de pescadores que vendem
artesanato. O melhor de tudo é que, de carro, em quinze minutos
se está no agito do Sauípe ou da Praia do Forte. Por 90
reais, pode-se passar o dia no resort SuperClubs Breezes, com direito
a piscinas, quadras esportivas e restaurantes.
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A ampliação
da oferta de hospedagem fez de Florianópolis outro lugar de preços
mais suaves. A região dispõe de infra-estrutura para receber
os 800.000 argentinos que costumavam aparecer a cada
verão. Mas o fluxo diminuiu drasticamente por causa da crise econômica
no país vizinho. Para fugir do prejuízo, os hotéis
catarinenses baixaram os preços. Há também muitas
casas para alugar nas praias dos Ingleses e Canasvieiras, no norte da
ilha. As diárias custam 80 reais em média e a reserva pode
ser feita nas imobiliárias da região. Alugar casa na praia
é o recurso mais utilizado pelos brasileiros para baratear as férias
(confira outras dicas para
uma viagem econômica no quadro). Santa Catarina também
é um destino mais em conta por estar próxima ao Sudeste.
Dos 45 milhões de pessoas que viajam dentro do Brasil a cada ano,
12,5 milhões saem do Estado de São Paulo e 6 milhões
do Estado do Rio. Para o turismo no Nordeste, especialmente para os resorts
caríssimos e para os hotéis de luxo, os hóspedes
paulistas e cariocas são uma questão de vida ou morte. Quanto
mais longe for o local escolhido para as férias, maior o preço
da passagem aérea, que corresponde a cerca de 40% do custo total
de um pacote. Por isso, um passeio de sete noites em um hotel quatro-estrelas
em Florianópolis custa em média 1.500
reais para o paulista, enquanto uma viagem similar para Fortaleza ou Maceió
sobe para 2.000 reais.
Artur Ikishima![]() |
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Há várias outras coisas que influem no custo. O horário do vôo, por exemplo. Viajar à noite é sempre mais barato. O tipo de avião fretado também influencia no preço. "Paga-se menos num vôo charter feito em aeronave de 150 lugares do que num avião menor, para 100 pessoas. É bom estar atento a tudo", aconselha Guilherme Paulus, dono da CVC Turismo, operadora responsável por 60% de todos os pacotes turísticos vendidos no Brasil. Outra forma de reduzir despesas é optar por hotéis econômicos nas capitais do Nordeste. Estes são hotéis de redes internacionais, como a Accor e a Blue Tree, que oferecem quartos confortáveis, serviços exíguos e preços mais baixos que a média a diária gira em torno de 60 a 100 reais por casal. Nos últimos dez anos, o número de hotéis desse tipo saltou de 42 para 208, elevando a oferta de quartos de 8.000 para 34.000. Só a Accor, a maior das redes, tem nove estabelecimentos em capitais litorâneas. "Esse tipo de hotel é a melhor opção para a família de classe média que não quer gastar rios de dinheiro num resort", diz o ministro de Esporte e Turismo, Caio de Carvalho.
Uma forma
de economizar é ficar atento às peculiaridades do calendário
turístico. A maioria dos brasileiros viaja para a praia em janeiro.
Não é só porque o sol brilha mais forte. Em dezembro,
a maioria das viagens são para aqueles que vão passar o
Natal com a família. Em fevereiro, as crianças voltam às
aulas na maioria dos Estados e os hotéis dependem dos hóspedes
sem filhos, que são minoritários entre os viajantes de verão.
A alta temporada começa em 15 de dezembro. Na semana do Natal,
as diárias sobem em média 20%. O Ano-Novo tem o pico do
preço e da lotação. Alguns resorts ficam 50% mais
caros em relação à semana anterior. Nos primeiros
dias de janeiro, os preços caem, mas ainda são 10% maiores
que os cobrados na semana de Natal. Baixam na quarta semana do mês,
quando as diárias ficam só um pouco acima das praticadas
no início da temporada. Os valores diminuem em fevereiro e voltam
a disparar durante o Carnaval.
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Apesar dos preços altos, o setor de turismo aposta que fará bons negócios neste verão. Isso porque o dólar nas alturas realmente torna uma viagem internacional impraticável para a maioria. Em 2000, 2,9 milhões de brasileiros viajaram para o exterior. No ano seguinte, o número caiu para 2,3 milhões. Neste ano, estima-se que não passe de 2,1 milhões. Uma leitura possível dessa estatística é que 800 000 brasileiros que no passado iriam para o exterior vão gastar seus reais em viagens domésticas. Numa pesquisa recente realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe), 37% dos entrevistados disseram que vão trocar uma viagem internacional por outra nacional para reduzir as despesas ou por causa da alta do dólar. Essa gente faz uma diferença enorme para o turismo doméstico, pois é quem tem dinheiro para programas mais caros. "Estima-se que existam 4 milhões de brasileiros com poder aquisitivo suficiente para viajar com pacotes que custam mais de 1 800 reais por semana. São essas pessoas que se hospedam em resorts e eventualmente viajam para o exterior", diz José Ernesto Marino Neto, da BSH International, uma consultoria especializada em turismo.
O número de turistas estrangeiros diminuiu no Brasil, em boa parte, devido ao sumiço dos argentinos. Até novembro, o Departamento de Aviação Civil registrou a chegada de 800 vôos internacionais. No mesmo período em 2001 foram 1.900. A lei da oferta e da procura está funcionando com os pacotes internacionais, que em dólar estão 15% mais baratos em comparação com a temporada anterior. Para quem compra um cruzeiro marítimo, o dólar custa apenas 3,30 reais. Os descontos deixam de ser atraentes quando o viajante estima os gastos que terá com alimentação, passeios e compras feitas em moeda americana. A CVC, a maior operadora do país, vendeu menos da metade das viagens para Miami e Cancún, destinos que costumavam ser muito procurados neste período. Apesar de as viagens nacionais também estarem caras, ainda são a melhor saída para o brasileiro.
Com reportagem de Natasha Madov e Marcelo Ventura
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DE OLHO NO BOLSO Dicas para uma viagem econômica
Crédito: Viajar Bem e Barato do Guia Quatro Rodas 2003 Ilustrações Attílio |
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