
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
À flor da
pele
Americanos
testam o primeiro
antidepressivo sob a forma
de adesivo
Paula
Neiva

Veja também |
|
|
|
Está
em teste nos Estados Unidos o primeiro antidepressivo sob a forma de adesivo
transdérmico. Os estudos conduzidos até agora autorizam
previsões otimistas. O último deles acompanhou 177 pacientes,
durante seis semanas. Ao término do trabalho, os especialistas
verificaram que o adesivo tem eficácia equivalente à dos
antidepressivos administrados em comprimidos. A sua grande vantagem está
na baixa incidência de efeitos colaterais. Absorvido pela pele,
o medicamento cai na corrente sanguínea e vai diretamente para
o cérebro, sem passar pelo trato gastrintestinal o que faz
com que a ação da substância seja mais precisa e segura.
O
tipo de droga usada no adesivo não é uma novidade. Ela pertence
a uma das primeiras classes de antidepressivos, os inibidores da MAO.
Na década de 60, pesquisadores americanos descobriram que, ao inibir
a ação de uma enzima chamada MAO, era possível equilibrar
os níveis de duas substâncias cerebrais importantíssimas
para regular o humor e preservar as funções cognitivas.
Mas havia um problema: em contato com alimentos ricos em tiramina, como
salame, banana, iogurte, coalhada ou queijos do tipo roquefort, o medicamento
podia levar o paciente a crises graves de hipertensão. Por causa
disso, os inibidores da MAO caíram em desuso. No Brasil, apenas
dois deles resistem a tranilcipromina, vendida sob o nome de Parnate,
e a moclobemida, princípio ativo do Aurorix. Na forma de adesivo,
não existe essa limitação. O paciente pode comer
de tudo sem medo. "A possibilidade de usar um medicamento tão eficiente
sem riscos de complicações é uma ótima notícia",
diz Marcio Versiani, diretor do Instituto de Psiquiatria da Universidade
Federal do Rio de Janeiro.
Hoje, a
depressão é a quinta maior questão de saúde
pública do mundo. Cerca de 15% das pessoas são, foram ou
serão afetadas pelo mal. E a tendência é que o número
de vítimas cresça. Até o ano 2020, segundo estimativas
da Organização Mundial de Saúde, a depressão
será, depois dos distúrbios cardiovasculares, a segunda
doença que mais roubará anos da vida útil da população
em geral. Na década de 80, com o lançamento do Prozac, foi
anunciado com triunfalismo o início da era das "pílulas
da felicidade". A previsão não se confirmou. O tratamento
da depressão é complicado. Freqüentemente, o médico
tem de mudar o medicamento três ou quatro vezes até chegar
ao mais adequado a seu paciente. Também não é fácil
regular as doses.
Além
de investigar novas drogas, os pesquisadores empenham-se em aprimorar
as formas de administração dos remédios tradicionais.
"O objetivo é facilitar a terapêutica e, com isso, ampliar
o número de deprimidos em tratamento", diz a psiquiatra Helena
Calil, da Universidade Federal de São Paulo. Recentemente, por
exemplo, foram lançadas duas novas versões do Prozac
uma solúvel e outra que só precisa ser tomada uma vez por
semana. O adesivo pode ser mais uma novidade nessa frente.
|
|
 |
|
 |

|
 |