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Edição 1 781 - 11 de dezembro de 2002
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À flor da pele

Americanos testam o primeiro
antidepressivo sob a forma
de adesivo

Paula Neiva


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Está em teste nos Estados Unidos o primeiro antidepressivo sob a forma de adesivo transdérmico. Os estudos conduzidos até agora autorizam previsões otimistas. O último deles acompanhou 177 pacientes, durante seis semanas. Ao término do trabalho, os especialistas verificaram que o adesivo tem eficácia equivalente à dos antidepressivos administrados em comprimidos. A sua grande vantagem está na baixa incidência de efeitos colaterais. Absorvido pela pele, o medicamento cai na corrente sanguínea e vai diretamente para o cérebro, sem passar pelo trato gastrintestinal – o que faz com que a ação da substância seja mais precisa e segura.


O tipo de droga usada no adesivo não é uma novidade. Ela pertence a uma das primeiras classes de antidepressivos, os inibidores da MAO. Na década de 60, pesquisadores americanos descobriram que, ao inibir a ação de uma enzima chamada MAO, era possível equilibrar os níveis de duas substâncias cerebrais importantíssimas para regular o humor e preservar as funções cognitivas. Mas havia um problema: em contato com alimentos ricos em tiramina, como salame, banana, iogurte, coalhada ou queijos do tipo roquefort, o medicamento podia levar o paciente a crises graves de hipertensão. Por causa disso, os inibidores da MAO caíram em desuso. No Brasil, apenas dois deles resistem – a tranilcipromina, vendida sob o nome de Parnate, e a moclobemida, princípio ativo do Aurorix. Na forma de adesivo, não existe essa limitação. O paciente pode comer de tudo sem medo. "A possibilidade de usar um medicamento tão eficiente sem riscos de complicações é uma ótima notícia", diz Marcio Versiani, diretor do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Hoje, a depressão é a quinta maior questão de saúde pública do mundo. Cerca de 15% das pessoas são, foram ou serão afetadas pelo mal. E a tendência é que o número de vítimas cresça. Até o ano 2020, segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde, a depressão será, depois dos distúrbios cardiovasculares, a segunda doença que mais roubará anos da vida útil da população em geral. Na década de 80, com o lançamento do Prozac, foi anunciado com triunfalismo o início da era das "pílulas da felicidade". A previsão não se confirmou. O tratamento da depressão é complicado. Freqüentemente, o médico tem de mudar o medicamento três ou quatro vezes até chegar ao mais adequado a seu paciente. Também não é fácil regular as doses.

Além de investigar novas drogas, os pesquisadores empenham-se em aprimorar as formas de administração dos remédios tradicionais. "O objetivo é facilitar a terapêutica e, com isso, ampliar o número de deprimidos em tratamento", diz a psiquiatra Helena Calil, da Universidade Federal de São Paulo. Recentemente, por exemplo, foram lançadas duas novas versões do Prozac – uma solúvel e outra que só precisa ser tomada uma vez por semana. O adesivo pode ser mais uma novidade nessa frente.

   
 
   
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