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O terninho
é nosso!
Ao
posar para a revista Manequim,
Marisa da Silva levou suas próprias
roupas e deixou claro: é mulher de um
modelo só. As companheiras apóiam
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| Na
sessão de fotos, com a maquiadora Marcely (à esq.)
e a consultora de moda Tata: as responsáveis pelo novo visual
da futura primeira-dama |
Avessa
a situações que a coloquem em evidência e definindo-se
como uma pessoa simplésima em se tratando do visual, Marisa Letícia
Lula da Silva, a futura primeira-dama, prontificou-se a uma senhora guinada:
posou para um editorial de moda da revista Manequim, publicada
pela Editora Abril. As fotos, incomuns, naturalmente merecerão
lugar de honra na capa da revista de janeiro. Marisa não
só enfrentou as câmeras com desenvoltura como levou peças
de seu próprio guarda-roupa. Que modelos escolheu? Terninhos, claro.
Das cinco roupas que usou, quatro eram conjuntos de calça e paletó;
a quinta era um tailleur. A sessão de fotos levou meras duas horas
e meia, um relâmpago para os padrões normais de uma não-profissional
posando com cinco modelos. No intervalo entre um e outro modelo, ela levava
no máximo quinze minutos para se produzir. A seu lado, o tempo
todo, teve as duas responsáveis pela marcante mudança no
visual da futura primeira-dama: Marcely Tobias, 35 anos, cabeleireira
e maquiadora, e Tata Nicoletti, 44, que compra e compõe
tomando o cuidado de balancear o peso e o preço das grifes, de
modo a não privilegiar nenhuma todas as roupas que Marisa
usa. Traduzindo: terninhos e mais terninhos.
Desde
que foi convocada a marcar presença constante ao lado de Luiz Inácio
Lula da Silva na campanha eleitoral, em meados deste ano, Marisa praticamente
só é vista com conjuntos do gênero até
quando o protocolo não recomenda, como nos compromissos oficiais
desta semana na Argentina e no Chile. Não está sozinha na
preferência. Desde a década de 70, o conjunto de calça
e casaco ganhou espaço nos guarda-roupas femininos. A moda muda,
o tempo passa e os terninhos sempre ressurgem. "O crédito é
de Yves Saint Laurent, que inventou o smoking feminino. Prestou um enorme
serviço às mulheres, dando-lhes acesso a uma roupa que é
elegante, disfarça gordurinhas e esconde imperfeições",
diz Miti Shitara, professora de história da moda e do design da
Faculdade Santa Marcelina, de São Paulo.
Na esfera
política, em que as mulheres sempre foram mais coadjuvantes do
que protagonistas, o terninho demorou mais para vencer as barreiras protocolares.
Primeiras-damas como Hillary Clinton e Ruth Cardoso, mulheres com vida
e profissão próprias que acompanharam seus maridos no poder,
quebraram as últimas resistências. Hillary desceu do avião
para uma visita ao Brasil de terninho amarelo-canário. Manteve
o figurino na campanha para o Senado e, uma vez eleita, não sai
de casa sem a dupla paletó-calça. Ruth usou tanto que pode
ser considerada desbravadora: chegou aonde nunca antes uma mulher de presidente
pisara de calça comprida, como programas de TV e passeios em viagens
oficiais. A senadora eleita Roseana Sarney é adepta ardorosa
e invoca problemas de saúde para se permitir a ousadia de eventualmente
combinar os terninhos com tênis, uma parceria que exige muito senso
de estilo para dar certo. A deputada Rita Camata não desgruda deles.
Marta Suplicy, a prefeita de São Paulo, também não
embora seu estilo seja, em geral, mais audacioso que o das colegas
políticas. Tirando a rainha da Inglaterra, que em matéria
de calça comprida só se permite a de montaria, o terninho,
discreto e correto por excelência, pendura-se com desenvoltura em
todo e qualquer closet feminino.
Lula Marques/Folha Imagem
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Beto Barata/Folha Imagem
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Cida Souza
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| Roseana,
de tênis, Marta e Ruth Cardoso na TV: uniforme de quem circula
na política |
A idéia
de que o terninho é uma roupa combinadinha demais, sem imaginação,
também pode ser facilmente detonada. A jornalista Erika Palomino,
35 anos, pajé da tribo dos modernos de São Paulo, tem quatro,
sendo três pretos e um de jeans listrado. "Sou uma jovem executiva
de negócios. Vou a muitas reuniões e acho que terninho impõe
respeito. Depois, as pessoas não esperam me ver com um. Gosto de
surpreender", diz Erika. No extremo oposto, Vera Loyola, a socialite neopetista
da Barra da Tijuca, louca por brilhos, rendas e tapetes persas, tem uns
vinte, entre eles alguns Giorgio Armani e Yves Saint Laurent. Mesmo com
tamanha variedade ensina um truque: "Sempre dá para repetir. Ninguém
percebe" sem falar na possibilidade de usar casaco de um com calça
de outro e parecer roupa nova. Lucília Diniz, empresária
e acionista do Grupo Pão de Açúcar, tem cinco (sendo
um Valentino e um Versace), mas não gosta muito. "Se tenho um convite
para almoçar no palácio do governo, o terninho sai do armário.
Mas acho muito sério. Minha maneira de vestir é alegre",
explica. Estilo por estilo, até Luma de Oliveira, a musa do quanto
menos pano, melhor, acha utilidade para o conjunto calça-paletó:
"Tenho três, que uso quando viajo. No Brasil, acho meio claustrofóbico".
Não faltam, como se vê, companheiras de estrada para Marisa
da Silva.
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