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Radical chique
Bob Wilson,
queridinho
do teatro de vanguarda,
assina linha da Louis Vuitton
Bel Moherdaui
Fotos divulgação
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| Wilson
posa em frente a sua obra: vitrine e bolsas fluorescentes |
Não
se espante quem passar em frente a uma loja Louis Vuitton seja
em São Paulo, Paris ou Nova York nas próximas semanas.
No lugar dos tons sóbrios, típicos da grife, a fachada foi
tomada por cores fluorescentes, com um logotipo estilizado que ultrapassa
o vidro e alcança as paredes. Exposta desde meados de novembro
pelo mundo, e desde a semana passada por aqui, a decoração
de Natal da marca francesa foi criada pelo americano Bob Wilson, uma celebridade
do teatro experimental, daquelas que ninguém esperava um dia se
enquadrar (de terno e gravata) nos contornos de uma grife de luxo. Artista
plástico e arquiteto, Wilson ficou conhecido na década de
70 pelas peças e óperas revolucionárias, notáveis
por intercalar momentos de beleza sublime e de tédio monumental
caso de The Life and Times (A Vida e a Época) de
Josef Stalin, com duração de treze horas e 25 minutos.
A parceria
entre Wilson e a Louis Vuitton, selada em um contrato de seis dígitos,
em moeda forte, surgiu depois que a grife patrocinou atividades do instituto
fundado pelo diretor para incentivar a arte experimental. Além
das vitrines, ele criou uma ousada coleção de bolsas, também
em cores fluorescentes, com o cobiçado LV estilizado. No Brasil,
os novos modelos poderão ser adquiridos por precinhos que vão
de 1.990 a 2.650
reais. "Em todos esses anos aprendi muito trabalhando com cenários,
teatro experimental, pintura, iluminação, música
e outras formas de arte. Essa experiência permitiu que eu me desafiasse
a aceitar outras formas de trabalho, como esta da Louis Vuitton", disse
Wilson a VEJA. "Nas vitrines de Natal, não quis ser convencional,
pois a marca é bem inovadora. Por isso, escolhi cores que lembram
vida e alegria e são, ao mesmo tempo, inesperadas."
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| Aposta
no moderno: mangá (2003), patchwork (2002) e grafite (2001)
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Wilson não
foi o primeiro artista de vanguarda a se associar à grife, um dos
carros-chefe do maior conglomerado de produtos de luxo do mundo, a LVMH.
Impulsionada pelo estilista americano Marc Jacobs, responsável
por suas coleções há cinco anos, a Louis Vuitton
começou a alterar para valer a célebre combinação
do monograma amarelo sobre couro marrom. Em 2001, convidou o artista plástico
Stephen Sprouse para criar o que virou um de seus maiores sucessos de
venda: as bolsas grafitadas. Sprouse é remanescente da turma de
Andy Warhol, que revelou, entre outros, justamente o artista grafiteiro
Jean-Michel Basquiat. Na coleção seguinte, foi a vez das
bolsas de patchwork de bichinhos e paisagens ingênuas, feitas com
retalhos de tela e couro, criação da inglesa Julie Verhoeven.
E no ano que vem tem mais. Em março, devem chegar às lojas
as bolsas criadas pelo ainda mais moderno Takashi Murakami, desenhista
japonês craque nos mangás. Desfiladas na última semana
de moda de Paris, as bolsas de monograma colorido sobre fundo branco e
preto, enfeitadas com flores, laços e até ursinhos, prometem
ser disputadas a tapas.
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