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Edição 1 781 - 11 de dezembro de 2002
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Radical chique

Bob Wilson, queridinho
do teatro de vanguarda,
assina linha da Louis Vuitton

Bel Moherdaui

 
Fotos divulgação
Wilson posa em frente a sua obra: vitrine e bolsas fluorescentes

Não se espante quem passar em frente a uma loja Louis Vuitton – seja em São Paulo, Paris ou Nova York – nas próximas semanas. No lugar dos tons sóbrios, típicos da grife, a fachada foi tomada por cores fluorescentes, com um logotipo estilizado que ultrapassa o vidro e alcança as paredes. Exposta desde meados de novembro pelo mundo, e desde a semana passada por aqui, a decoração de Natal da marca francesa foi criada pelo americano Bob Wilson, uma celebridade do teatro experimental, daquelas que ninguém esperava um dia se enquadrar (de terno e gravata) nos contornos de uma grife de luxo. Artista plástico e arquiteto, Wilson ficou conhecido na década de 70 pelas peças e óperas revolucionárias, notáveis por intercalar momentos de beleza sublime e de tédio monumental – caso de The Life and Times (A Vida e a Época) de Josef Stalin, com duração de treze horas e 25 minutos.

A parceria entre Wilson e a Louis Vuitton, selada em um contrato de seis dígitos, em moeda forte, surgiu depois que a grife patrocinou atividades do instituto fundado pelo diretor para incentivar a arte experimental. Além das vitrines, ele criou uma ousada coleção de bolsas, também em cores fluorescentes, com o cobiçado LV estilizado. No Brasil, os novos modelos poderão ser adquiridos por precinhos que vão de 1.990 a 2.650 reais. "Em todos esses anos aprendi muito trabalhando com cenários, teatro experimental, pintura, iluminação, música e outras formas de arte. Essa experiência permitiu que eu me desafiasse a aceitar outras formas de trabalho, como esta da Louis Vuitton", disse Wilson a VEJA. "Nas vitrines de Natal, não quis ser convencional, pois a marca é bem inovadora. Por isso, escolhi cores que lembram vida e alegria e são, ao mesmo tempo, inesperadas."

 
Aposta no moderno: mangá (2003), patchwork (2002) e grafite (2001)

Wilson não foi o primeiro artista de vanguarda a se associar à grife, um dos carros-chefe do maior conglomerado de produtos de luxo do mundo, a LVMH. Impulsionada pelo estilista americano Marc Jacobs, responsável por suas coleções há cinco anos, a Louis Vuitton começou a alterar para valer a célebre combinação do monograma amarelo sobre couro marrom. Em 2001, convidou o artista plástico Stephen Sprouse para criar o que virou um de seus maiores sucessos de venda: as bolsas grafitadas. Sprouse é remanescente da turma de Andy Warhol, que revelou, entre outros, justamente o artista grafiteiro Jean-Michel Basquiat. Na coleção seguinte, foi a vez das bolsas de patchwork de bichinhos e paisagens ingênuas, feitas com retalhos de tela e couro, criação da inglesa Julie Verhoeven. E no ano que vem tem mais. Em março, devem chegar às lojas as bolsas criadas pelo ainda mais moderno Takashi Murakami, desenhista japonês craque nos mangás. Desfiladas na última semana de moda de Paris, as bolsas de monograma colorido sobre fundo branco e preto, enfeitadas com flores, laços e até ursinhos, prometem ser disputadas a tapas.

   
 
   
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