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Elas
bebem demais
Casos
de alcoolismo entre
as
garotas já são
quase tão
numerosos quanto entre
os rapazes
Rosana
Zakabi
Liane Neves
 |
| Chope
entre amigos: livres para adotar os maus hábitos masculinos
|
Sempre
foi assim: na juventude, os rapazes tomam alguns porres homéricos.
A novidade é que isso também está se tornando normal
entre as garotas. Elas vêm abusando do álcool com uma sede
sem comparação com a da geração de suas mães.
Até o início dos anos 90, de cada cinco jovens que procuravam
ajuda médica devido a problemas de alcoolismo, apenas um era do
sexo feminino. Hoje, a média é de dois rapazes para uma
garota. A Universidade Estadual Paulista (Unesp) concluiu no fim de outubro
um estudo com 318 calouros com idade entre 18 e 20 que bebiam pesado mais
de duas vezes por semana. Descobriu que as meninas não só
bebem em quantidade semelhante à dos rapazes como também
se envolvem quase na mesma proporção em acidentes de carro
quando estão embriagadas. "A relação encontrada foi
de três garotas acidentadas para cada cinco rapazes", diz Florence
Kerr-Corrêa, professora de psiquiatria e coordenadora da pesquisa.
Durante o levantamento, a universidade promoveu uma campanha de conscientização
para diminuir o consumo de álcool entre os estudantes. Em seis
meses, o porcentual geral de acidentes de carro envolvendo alunos embriagados
caiu de 15% para 7%. Mas, entre as garotas, a queda foi menor: passou
de 10% para 8%.
A bebedeira é sintoma de uma mudança maior no comportamento
das adolescentes. Na última década, elas ganharam maior
liberdade para freqüentar bares, festas e danceterias. Acabaram adquirindo
alguns dos maus hábitos masculinos. "Elas passaram a ser educadas
em casa da mesma forma que os garotos", diz o psiquiatra paulista Içami
Tiba, autor de livros sobre o comportamento dos adolescentes. "Se os filhos
podem tomar alguns goles de cerveja ou caipirinha em churrascos ou reuniões
de família, as garotas também conquistaram o direito de
fazer o mesmo." Uma complicação é que, nesse aspecto,
também há uma diferença entre os sexos. Estudos mostram
que as mulheres tendem a ficar tão embriagadas quanto os homens
com apenas metade da dose tomada por eles. Isso decorre da maior quantidade
de gordura corporal e, portanto, menor quantidade de água no organismo
feminino. Os médicos acreditam que elas também possuam em
menor quantidade alguns tipos de enzima que metabolizam o álcool
no estômago.
Elas não apenas estão bebendo mais como também começando
a fazê-lo mais cedo. Pesquisadores da Universidade Federal de São
Paulo (Unifesp) entrevistaram 6.417 jovens de 10 a 20 anos para descobrir
como anda o consumo de álcool entre eles. Concluíram que
20% dos meninos e 15% das meninas entre 10 e 12 anos haviam ingerido álcool
nos últimos trinta dias. Entre 13 e 15 anos, o porcentual foi maior:
43% dos garotos e 40% das meninas tinham consumido bebidas alcoólicas.
Grande parte das mulheres que procuraram os 91 postos de atendimento dos
Alcoólicos Anônimos no Distrito Federal tem entre 19 e 20
anos cinco anos atrás, a média era de 30 anos ou
mais. "A maioria das mulheres só busca ajuda quando percebe que
chegou ao limite e perdeu o controle sobre a bebida", diz Denise De Micheli,
pesquisadora do departamento de psicobiologia da Unifesp.
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