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A
obra de 1,5 bi de reais
Valencia,
na Espanha, cria
uma
bilionária atração turística
Raul
Juste Lores, de Valencia
Divulgação CAC
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Cidade
das Artes e das Ciências: objetivo de atrair turistas e investimentos
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Veja também |
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Quando
um país fica rico, a auto-estima não tem preço. Valencia,
a terceira maior cidade da Espanha, sempre foi um patinho feio perto das
riquezas arquitetônicas (e dos milhões de turistas) de Madri,
Barcelona e Sevilha. Seguindo o exemplo da ex-feiosa Bilbao, que ganhou
notoriedade com o espetacular Museu Guggenheim, Valencia decidiu investir
400 milhões de dólares algo como 1,5 bilhão
de reais na construção de um complexo turístico
de linhas arrojadas. O custo é quatro vezes o preço do Guggenheim
desenhado por Frank Gehry. Em uma área de 350.000 metros quadrados,
o equivalente a dois Maracanãs, a Cidade das Artes e das Ciências
reúne um museu científico interativo, um cinema de terceira
dimensão, um aquário e uma ópera. Depois de seis
anos de obras, a "Cidade" está quase toda pronta. Com tanques que
equivalem a quinze piscinas olímpicas cheias e 10.000 animais de
500 espécies, o aquário, que será o maior da Europa,
será inaugurado nesta semana. Terá também golfinhos,
tubarões e até morsas. Em fevereiro será a vez da
abertura da Ópera, com quatro auditórios e 5.000 lugares.
A bonita cidade mediterrânea de apenas 800.000 habitantes, menor
que Campinas, famosa por ser a terra da paella, vai competir por um naco
maior dos 49 milhões de turistas estrangeiros que visitam a Espanha-
todos os anos.
O megaempreendimento começou com o cinema em terceira dimensão,
há quatro anos, e a inauguração do museu científico,
há dois. Só o museu recebeu 7 milhões de visitantes
nesse período. A aposta do governo valenciano (o projeto é
iniciativa pública) já teve retorno de rechear os cofres
da região. Valencia recebeu 500 milhões de dólares
de investimentos desde que o parque começou a ser construído
catorze novos hotéis foram abertos e outros 22 estão
em construção, além de um grande shopping center
vizinho. Mais de 5 000 apartamentos de luxo foram construídos ao
redor, no que já se tornou o metro quadrado mais caro da cidade.
Os habitantes comemoram os 16.000 novos empregos surgidos graças
ao projeto. O aquário será administrado como concessão
privada e já se fala em privatização, no futuro.
Para
o turista, as atrações são imperdíveis. Com
seu jeito de esqueleto de animal pré-histórico, o Museu
das Ciências Príncipe Felipe tem o dobro do tamanho do Guggenheim
de Bilbao. O pé-direito, com 45 metros de altura, permite que até
aviões-caça sejam expostos em seu interior. O lema por lá
é "proibido não tocar". Atualmente, há mais de trinta
exposições em cartaz, todas interativas, que apresentam
desde os estudos sobre o genoma até objetos da Nasa e da conquista
espacial soviética. O traje original do astronauta Yuri Gagarin
está lá. Há grandes alas infantis, onde as crianças
aprendem como funcionam os cinco sentidos, como se constrói uma
casa e como é o sistema solar. Demonstrações da geração
do laser até as transformações no corpo humano durante
a prática de esportes estão na programação
do museu, que recebe excursões de escolas de toda a Europa.
Ao lado do museu, dentro de uma grande piscina, levanta-se um gigantesco
olho de vidro, chamado Hemisférico. Lá funcionam o planetário
e um cinema em terceira dimensão. Os 1.200 espectadores assistem
às projeções em uma tela esférica de 25 metros
de altura, o tamanho de um prédio de oito andares. Há algumas
excentricidades no projeto. Como o estacionamento que fica escondido sob
uma passarela de 320 metros de comprimento, que imita uma estufa, com
coqueiros, palmeiras e buganvílias. O prédio que mais chama
a atenção no conjunto (e também o mais alto) é
o gigantesco Palácio das Artes, ainda em obras, que será
a ópera de Valencia. Com a forma de um navio, homenageando o porto
da cidade, terá 75 metros de altura, o equivalente a um prédio
de 25 andares.
Carlos Goldgrub
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| Museu
Guggenheim, em Bilbao: ícone turístico e 2 bilhões de reais em novos
investimentos |
A
tarefa de projetar um empreendimento tão ambicioso foi delegada
ao arquiteto e engenheiro Santiago Calatrava, de 51 anos. Valenciano,
voltou à terra natal em grande estilo, depois de ficar famoso por
pontes, aeroportos e museus construídos pela Europa, Argentina
e Estados Unidos. O estilo de arquitetura-espetáculo de Calatrava,
em que os prédios parecem esculturas, é ideal para cidades
que querem atrair turistas e investimentos. Valencia conseguiu dar um
bom destino a uma área pouco valorizada da cidade. Depois de grandes
inundações, a cidade decidiu desviar o Rio Turia do centro.
Várias obras foram criadas no imenso leito seco, de um museu de
arte moderna a jardins. Até um enorme playground em formato de
Gulliver, o gigante das histórias infantis, foi instalado, com
diversos tobogãs e escorregadores para as crianças saindo
do corpo do personagem. Bilbao realizou a mesma façanha com o Guggenheim
desenhado por Frank Gehry, que atraiu quase 2 bilhões de reais
e 5 milhões de turistas nos últimos cinco anos. Berlim também
aproveitou a reunificação para dar uma embelezada geral
nas áreas da velha Berlim Oriental. Por enquanto, Valencia já
garantiu essa grande virada com uma aposta em linhas arrojadas e senso
de oportunidade turística para ter mais dinheiro no bolso.
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