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Para lá de
malpassado
Vegetarianos
radicais ou
gordinhos ansiosos aderem
à nova moda alimentar:
comida crua
Silvia Rogar
Fotos AP
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| Donna
Karan, em 1998 e agora: 9 quilos a menos e chef para pilotar cozinha
sem fogão |

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Novidade
no reino da gastronomia e dos regimes para emagrecer: a aposentadoria
do fogão. A última palavra em dietas sim, ainda há
o que inventar sobre o assunto é comer tudo cru. Mas nada
de delícias como carpaccios e sashimis. A culinária sem
fogo é de um vegetarianismo radical. Nela só entram verduras,
legumes, frutas e sementes, tudo fresco, orgânico e sem nenhuma
passagem pelas panelas. Como é de praxe, a dieta se propagou entre
celebridades, como o cantor Sting, os atores Pierce Brosnan e Robin Williams
e as atrizes Alicia Silverstone e Demi Moore. A estilista Donna Karan,
54 anos e uma vida de luta contra a balança, perdeu 9 quilos em
um ano e até contratou um chef para preparar suas iguarias cruas.
"Posso ir a dez milhões de restaurantes italianos que não
acho comida tão boa quanto a dele", exagera, com o fervor dos recém-convertidos.
A idéia de rejeitar os pratos quentes um recuo e tanto no
roteiro das conquistas da humanidade, depois das centenas de milênios
que nossos ancestrais penaram até domar o fogo surgiu em
meados dos anos 90, na Califórnia, berço de todas as esquisitices,
e desembarcou recentemente em Nova York.
Os restaurantes
especializados estão faturando com o modismo alimentar. O precursor
Roxanne's, na Califórnia, tem fila de espera na lista de reservas.
O Quintessence, de Nova York, funciona em três endereços
e planeja abrir outros em breve. A filosofia por trás do chamado
crudicismo é de um reducionismo total: prega que a prática
melhora o lado emocional, físico, espiritual e mental das pessoas,
visto que alimentos crus têm mais "força vital" do que os
cozidos ou de origem animal estes, ingredientes "mortos" e que
podem intoxicar o organismo. "Originalmente, a alimentação
básica do homem é a crua, como a natureza oferece. Comida
cozida perde suas propriedades", disse a VEJA Stephen Arlin, autor da
bíblia do movimento, o livro Nature's First Law The Raw-Food
Diet (A Primeira Lei da Natureza A Dieta da Comida Crua).
Na culinária
sem fogo, o kit de cozinha inclui processadores, espremedores e acessórios
para desidratar alimentos. A massa das tortas é de nozes e sementes
misturadas a sucos para dar liga. Macarrão é feito de coco
cortado em espiral, e lasanha leva lâminas de abobrinha e "queijo"
de castanha. Tudo é temperado com gengibre e alho sal também
está proibido. Vinho, só orgânico e que não
passe por processos que usem calor. Nos Estados Unidos, calcula-se que
60.000 pessoas sigam a dieta. No Brasil, ela
já tem uma versão abrandada. A alimentação
que a atriz Tânia Alves consome e implanta em seu spa em Nova Friburgo,
no Rio de Janeiro, tem 70% de ingredientes crus. "É um dos princípios
do higienismo, em que os alimentos também perdem vida quando vão
ao fogo", diz ela, que garante sentir os efeitos: aos 50 anos, veste manequim
38. Teorias à parte, perder peso é mesmo o maior atrativo
da dieta calcula-se que, comendo só coisas vegetarianas
e cruas, a pessoa consuma míseras 800 calorias por dia, contra
as 2.500, em média, de um adulto saudável.
O vegetarianismo a seco não tem endosso científico. "Sem
a proteína animal, a alimentação fica pobre em ferro.
E, como os vegetais são ricos em fibra, a digestão de alimentos
crus é desconfortável", avisa o nutricionista carioca Leonardo
Haus.
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