
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
O salário
não é
mais o mesmo
Pesquisa
mostra queda na
remuneração dos formandos
de cursos de MBA. Mas isso não
significa que os alunos ficarão
desempregados
Ricardo
Mendonça
Antonio Milena
 |
| Alunos
de MBA no Ibmec, em São Paulo: o curso ainda é diferencial no mercado
de trabalho |
Circula
no meio acadêmico uma piada sobre os cursos de Master in Business
Administration, o MBA. Segundo a brincadeira, se o estudante quiser ganhar
dinheiro no futuro, o melhor é trocar o MBA pela NBA, a liga profissional
de basquete americana. Enquanto a NBA está pagando uma nota graúda
para os seus integrantes, os diplomas de maior prestígio no mundo
corporativo já não são mais garantia de um bom salário.
Exageros à parte, o fato é que a piada tem lá um
fundo de verdade. Uma pesquisa recém-concluída aponta para
uma queda na remuneração dos que se formam nas principais
escolas de MBA dos Estados Unidos. De acordo com o estudo, a média
salarial anual passou de 76.000 dólares em 2000 para 75.000 dólares
hoje em dia. A redução nos ganhos é suave, mas os
estudiosos do assunto identificam uma novidade, pois o segmento se acostumou
a lidar apenas com boas notícias no campo da remuneração.
Em 2000, os salários haviam crescido 15% na comparação
com os de 1998. Estes, por sua vez, eram 30% maiores que os de 1996.
Uma
das razões para a queda na remuneração é o
fraco desempenho da economia em geral e das empresas em particular. Com
a crise nos últimos dois anos, é natural que os salários
sejam reduzidos. Mas há uma questão importante a considerar.
Nos anos 90, fazer um curso de MBA era privilégio de poucos. A
sigla estampada no currículo era a certeza de que o profissional
estava à frente da concorrência. Diferenciava-se. Hoje essa
realidade mudou. Em razão do surgimento de um grande número
de cursos de MBA, pessoas que antes não tinham acesso a esse tipo
de programa passaram a poder freqüentá-lo. No Brasil, a explosão
ocorreu nos últimos cinco anos. Até 1993 havia apenas três
escolas no país que ofereciam MBA. Em 2000 já eram mais
de 200. Hoje calcula-se que haja 6.000 cursos. Como não há
uma regra específica que determine o que pode ser chamado de MBA,
algumas instituições criam cursos sem oferecer os requisitos
necessários. Estima-se que sejam menos de cinqüenta os MBAs
brasileiros com credibilidade no mercado de trabalho. No geral, os mais
valorizados são os que seguem o currículo tradicional dos
cursos de Harvard e Wharton, os melhores do mundo.
Do ponto de vista da formação profissional, é inegável
a importância de fazer um curso de MBA, mesmo para aqueles que não
conseguem ingressar nos melhores programas. Estudar sempre é bom.
À exceção dos cursos que são apenas uma enganação,
o prosseguimento nos estudos dá ao aluno a chance de aprimorar
seus conhecimentos e ampliar os horizontes. E isso pode pesar no momento
de lutar por um bom emprego ou na hora de tocar o próprio negócio.
Nesse sentido, o valor dos salários pouco importa. A importância
da pesquisa realizada é dar a todos um choque de realidade. O que
os estudantes precisam saber é que irão defrontar-se com
uma realidade financeira diferente da encontrada pelas primeiras gerações
que fizeram MBA.
|
|
 |
|
 |

|
 |