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Edição 1 781 - 11 de dezembro de 2002
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O salário não é
mais o mesmo

Pesquisa mostra queda na
remuneração dos formandos
de cursos de MBA. Mas isso não
significa que os alunos ficarão
desempregados

Ricardo Mendonça

 
Antonio Milena
Alunos de MBA no Ibmec, em São Paulo: o curso ainda é diferencial no mercado de trabalho

Circula no meio acadêmico uma piada sobre os cursos de Master in Business Administration, o MBA. Segundo a brincadeira, se o estudante quiser ganhar dinheiro no futuro, o melhor é trocar o MBA pela NBA, a liga profissional de basquete americana. Enquanto a NBA está pagando uma nota graúda para os seus integrantes, os diplomas de maior prestígio no mundo corporativo já não são mais garantia de um bom salário. Exageros à parte, o fato é que a piada tem lá um fundo de verdade. Uma pesquisa recém-concluída aponta para uma queda na remuneração dos que se formam nas principais escolas de MBA dos Estados Unidos. De acordo com o estudo, a média salarial anual passou de 76.000 dólares em 2000 para 75.000 dólares hoje em dia. A redução nos ganhos é suave, mas os estudiosos do assunto identificam uma novidade, pois o segmento se acostumou a lidar apenas com boas notícias no campo da remuneração. Em 2000, os salários haviam crescido 15% na comparação com os de 1998. Estes, por sua vez, eram 30% maiores que os de 1996.


Uma das razões para a queda na remuneração é o fraco desempenho da economia em geral e das empresas em particular. Com a crise nos últimos dois anos, é natural que os salários sejam reduzidos. Mas há uma questão importante a considerar. Nos anos 90, fazer um curso de MBA era privilégio de poucos. A sigla estampada no currículo era a certeza de que o profissional estava à frente da concorrência. Diferenciava-se. Hoje essa realidade mudou. Em razão do surgimento de um grande número de cursos de MBA, pessoas que antes não tinham acesso a esse tipo de programa passaram a poder freqüentá-lo. No Brasil, a explosão ocorreu nos últimos cinco anos. Até 1993 havia apenas três escolas no país que ofereciam MBA. Em 2000 já eram mais de 200. Hoje calcula-se que haja 6.000 cursos. Como não há uma regra específica que determine o que pode ser chamado de MBA, algumas instituições criam cursos sem oferecer os requisitos necessários. Estima-se que sejam menos de cinqüenta os MBAs brasileiros com credibilidade no mercado de trabalho. No geral, os mais valorizados são os que seguem o currículo tradicional dos cursos de Harvard e Wharton, os melhores do mundo.

Do ponto de vista da formação profissional, é inegável a importância de fazer um curso de MBA, mesmo para aqueles que não conseguem ingressar nos melhores programas. Estudar sempre é bom. À exceção dos cursos que são apenas uma enganação, o prosseguimento nos estudos dá ao aluno a chance de aprimorar seus conhecimentos e ampliar os horizontes. E isso pode pesar no momento de lutar por um bom emprego ou na hora de tocar o próprio negócio. Nesse sentido, o valor dos salários pouco importa. A importância da pesquisa realizada é dar a todos um choque de realidade. O que os estudantes precisam saber é que irão defrontar-se com uma realidade financeira diferente da encontrada pelas primeiras gerações que fizeram MBA.

   
 
   
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