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É
incrível como a inflação disparou nestes últimos
meses. Se os novos governantes nada fizerem, viveremos outra vez o período
Collor. Aqui em Porto Alegre o gás de cozinha chega a até
26,50 reais. O preço do óleo, do arroz, do feijão
e do açúcar disparou. Com essa alta do dólar e a
elevação dos índices IPCA e IGP-M, é realmente
possível que aquela época de remarcação de
preços diária volte ("Ele voltou", 4 de dezembro). Enquanto
houver essa espécie predadora do bem-estar social, os especuladores,
o dragão da inflação não será extinto.
Seja com o dólar, seja com os preços, ele está sempre
de plantão para tirar proveito da situação. Ele voltou.
E consigo trouxe um saco cheio de presentes: desemprego, fome, miséria
e más condições de saúde. Um "verdadeiro"
presente de Natal. O brasileiro,
com seu admirável humor, criou alguns ícones para representar
seus algozes: o leão, do imposto de renda, e o dragão, da
indesejável inflação. Resta apenas ao brasileiro
autodenominar-se burro. Meu filho
Bruno (7 anos) viu o dragão e a frase "Ele voltou" na capa de VEJA
e perguntou quem estaria de volta. Eu lhe respondi: "O dragão da
inflação". Ele pensou um pouco e perguntou: "O que é
inflação? Esse dragão vai destruir a nossa casa?".
Naquele momento percebi quanto fomos felizes durante oito anos e não
sabíamos. O Brasil
precisa de um herói para acabar de vez com esse dragão e
salvar nosso país. Mas quem será ele? Onde estará?
E, principalmente, quando chegará? A capa da
edição 1 780 é um aviso aos eleitores de Serra de
como o PT herdará o governo. Depois não venham com a história
de que a inflação começou a subir em janeiro de 2003.
A Espanha
é o perfeito modelo de desenvolvimento econômico a levar
em consideração. Concordo com muitos dos comentários
feitos pelo primeiro-ministro da Espanha, mas não concordo com
ele quando não reconhece que tudo isso foi possível principalmente
graças às subvenções que a comunidade européia
deu a seu país, a partir do momento em que se tornou um de seus
membros, em 1986. Isso demonstra que sem financiamento barato não
se consegue fazer essa transformação em duas décadas.
As reformas estruturais sozinhas não são suficientes. O
Plano Marshall permitiu efetivamente à Europa sair da crise originada
pela II Guerra Mundial. A comunidade européia foi o Plano Marshall
da Espanha. A pergunta então é: qual será o Plano
Marshall do Brasil? (Amarelas, 4 de dezembro). José
María Aznar é um típico político moderno que
suscita credibilidade e confiança na rota por ele traçada.
É um administrador, um articulador, um comandante enfim,
um profissional de resultados. Fica evidente que o comandante tem o dever
de se articular com todas as forças vivas, sejam políticas,
sejam da sociedade civil, somadas à tripulação em
geral, para navegar com segurança no mar revolto da instabilidade
mundial. "Fazer a
lição de casa." Com essa frase o primeiro-ministro espanhol,
José María Aznar, resume pragmaticamente o caminho às
vezes impopular e difícil para a retomada do crescimento. Somente
agindo assim nosso novo governo talvez consiga um desenvolvimento a longo
prazo, reconquistando credibilidade internacional e investimentos externos.
Sobre o
artigo "Nelson Freire ou Mozart?" (Ponto de vista, 4 de dezembro), de
Claudio de Moura Castro, tenho a dizer que a abordagem utilizada foi brilhante.
Como professora há dois anos, sempre tive a certeza da importância
da sedução e da apresentação do conteúdo
em sala de aula. Pena que os responsáveis pela maioria de nossos
cursos de formação de professores (de graduação
e pós-graduação) não pensem da mesma forma.
Seria necessária uma reformulação nesse sentido.
Gostaria
de demonstrar minha indignação com a frase proferida pela
modelo, menos famosa, Ana Hickmann (Veja essa, 4 de dezembro). Dizer que
a Gisele Bündchen não foi a primeira brasileira a estourar
é muita dor-de-cotovelo. Nenhuma outra modelo brasileira chegou
aonde ela está, e provavelmente nunca chegará.
Aécio
e Alckmin hoje, juntos, enfrentam o próprio PSDB. Depois enfrentarão
Lula e questionarão o PT. Mais na frente se enfrentarão
para disputar a Presidência da República. Nessa última
disputa, o neto de Tancredo tende a ser o vitorioso ("A rebelião
dos tucanos", 4 de dezembro).
Se o estudo
em que se baseia a reportagem "Onde estão os negros?" (4 de dezembro)
é profundo, o produto final é superficial. O fator escolaridade:
esse abismo da permanência do negro na escola poderia ser eliminado
se o ensino oficial cumprisse o quesito de qualidade desejável
de trinta ou quarenta anos atrás. O negro não precisa de
esmola. Ele quer o lugar a que todo brasileiro tem direito. As cotas são
a oficialização do preconceito, reforçado lingüisticamente
pela denominação afrodescendentes. (O corretor de
meu computador sublinhou em vermelho essa palavra! Tomara que ela não
entre para o dicionário!) Tal gentílico só seria
legítimo se a ele se contrapusesse vocábulos como eurodescendentes
(aplicado aos de cor branca), nativos ou indo-descendentes,
para representar a gama de raças que constitui o homem brasileiro.
Cotas não são oportunidade! Mais uma
vez VEJA presta um inestimável serviço à causa da
igualdade em nosso país. Tanto no editorial (Carta ao leitor) quanto
na reportagem, que evidencia o "funil racial" através de texto
irrespondível mesmo pelo mais empedernido racista, VEJA demonstra
a urgência de encararmos o que chama de "desafio da igualdade de
oportunidades para todos os cidadãos". Parabéns! Nesse pingue-pongue
sociológico, os consultores de RH e as empresas continuam vetando
a ascensão dos negros, com o pretexto da "boa aparência",
dando a entender que racismo é algo longe de nossa realidade.
Eu detestava
telefone celular, mas agora estou convencido de que esse negócio
poderá tornar-se a melhor invenção de todos os tempos
("Eu odeio celular", 4 de dezembro). Qualquer brasileiro que não
esteja naquela faixa dos 23 milhões de miseráveis que não
têm o que comer pode comprar um aparelho. O povo poderia usar o
celular para reclamar e protestar, porque na maioria dos números
de atendimento ao cliente a ligação é gratuita. Assim
sendo, deveríamos fazer um movimento para tornar o celular um objeto
útil para a sociedade. Que tal uma campanha com o seguinte slogan:
"Use seu celular para fazer reclamações"?
Cumprimento-os
pela reportagem sobre mensagens de e-mail indesejadas, os spams ("Este
homem manda 5 bilhões de e-mails por mês", 4 de dezembro).
Existe, realmente, a necessidade de algumas adaptações legais
para que haja a punição de ilícitos e também
a garantia de direitos no ambiente virtual, o ciberespaço.
Sobre a
reportagem "A religião da pureza" (4 de dezembro), gostaria de
informar que em Santa Catarina existe uma lei estadual, de autoria do
deputado Afrânio Boppré (PT), que instituiu a merenda escolar
orgânica em todas as escolas públicas estaduais. A lei foi
sancionada em 18 de junho deste ano.
O programa do Gugu e o de seu concorrente, o tal Domingão do
Faustão, são tão repugnantes que merecem somente
uma coisa: uma enorme lata de lixo. É inacreditável a chatice,
a vulgaridade, o ridículo e a breguice presentes em tais programas.
Utilizando-se não poucas vezes de quadros apelativos, sensacionalistas
e piegas, com total desprezo à verdadeira informação,
à cultura e à capacidade intelectual do telespectador, eles
nos brindam todo domingo com um show de imbecilidades. Desejo sinceramente
que em 2003 esses programas grotescos saiam do ar. Se isso acontecer,
estarão fazendo um serviço à nação
e ao meu estômago ("Gugu magoou", 4 de dezembro).
Mary Shelley deixou um súdito: o doutor Gunther von Hagens ("Médico
e açougueiro", 4 de dezembro). No filme Anatomia, com Franka
Potente, os vilões da história fazem "arte" semelhante,
e a polêmica instaurada é o processo. Doutor Von "Hagenstein"
diz que o método para imortalizar cadáveres em esculturas
consiste em substituir todos os líquidos do corpo por uma espécie
de silicone. No filme, o método é o mesmo; porém,
o processo consiste em pegar as pessoas ainda vivas para que essa espécie
de silicone seja infiltrada em todo o organismo através da circulação.
Fiquei intrigado com o processo feito por Von Hagens. Como se dá?
Como ele substitui os líquidos em cadáveres se não
há mais circulação sanguínea?
O anatomista Gunther von Hagens faz arte. Toda matéria pode ser
usada artisticamente, a beleza é diferenciada pela originalidade.
Quem acha que sua exposição explora de maneira vulgar o
corpo humano deve pensar que a decomposição do cadáver
em um túmulo é mais "respeitosa" para o indivíduo.
As pessoas devem deixar de lado toda religião, ciência e
limitações para admirar um dom artístico. E von Hagens
uniu tudo isso para gritar ao mundo que nosso corpo é uma verdadeira
obra de arte, sendo até mesmo desnecessária a vida para
provar isso.
Quando os nazistas começaram a subir ao poder na Alemanha, deixou-se
de ensinar ética médica nas faculdades germânicas.
Não é de estranhar que tantos médicos participassem
das "experiências" nos campos de concentração. A ética
médica só voltou a ser ensinada na década de 60.
Primeira conclusão: deve haver ainda um bom número de médicos
alemães na ativa que não compartilham os mesmos ideais éticos
de seus colegas ocidentais. Segunda: dois filmes abordam bem o assunto,
Anatomia, que se passa justamente em Heidelberg, e Rios Vermelhos,
na França. Será que os médicos europeus estão
deixando mesmo a ética de lado e se tornando pessoas como o citado
Von Hagens?
Assisti à exposição em Bruxelas e pude constatar
seu caráter didático, o qual, na minha opinião, deve
ser realçado ainda que possa haver dúvidas quanto
à qualidade artística. Aprendi muito ao ter acesso à
técnica inovadora utilizada para mostrar o corpo humano em todas
as suas dimensões e estruturas, com grande realismo. A experiência
foi certamente enriquecedora sob esse ponto de vista. A reportagem de
VEJA me pareceu, pois, parcial e simplista.
De tudo o que já vi até hoje, nada me enojou mais do que
o que esse anatomista está fazendo. Um desrespeito total, desmedido,
à dignidade humana.
O senhor Gunther von Hagens não merece comentário (nem mesmo
este), pois está à procura de exibição.
O piadista inveterado Diogo Mainardi deveria ampliar seus trabalhos, que
atualmente se resumem a artigos no estilo pastelão, para programas
de rádio e TV ("O Show da Fome", 4 de dezembro)!
Diogo Mainardi é um atentado à nossa inteligência.
Em "O Show da Fome", abusou da falta de sensibilidade e de respeito ao
tratar de um tema que atinge 800 milhões de pessoas no mundo: a
fome. Em vez de uma ironia inteligente, seu texto foi uma piada. Sem graça.
O inconformismo é extremo ao ver uma horda de indivíduos
banalizarem o centro de São Paulo, parando centenas de ônibus
no meio de uma grande avenida, impedindo que qualquer veículo pudesse
passar ("Arc e as manifestações de rua", 4 de dezembro).
Sem o intuito de descobrir os culpados por tais atos irresponsáveis,
é necessário deixar enfatizado que mais uma vez a população
foi a grande vítima. O povo mais uma vez ficou desamparado. No
meio do trânsito, dos assaltos, quiçá da martirizadora
rotina de uma metrópole. Sem ordem, sem respeito, sem direito.
O povo sofre, principalmente, em vista da ignóbil consciência
de alguns indivíduos da nossa sociedade. Abraços, Arc!
Arc, faça como eu. Tente entender os adultos. Mas só tente
entendê-los, não seja como alguns deles.
As insinuações vagas contra Brito Miranda, atribuídas
à Polícia Federal, não caracterizam nenhum indício
ou processo que agora venham a deslustrar seu currículo. Em relação
ao governador eleito, seu crime é ser filho de Brito Miranda, filiação
que muito honra a ele e ao povo do Tocantins. No que se refere às
relações entre o futuro presidente e o futuro governador,
VEJA especula, sem nenhuma fonte que as confirmem ("Eles foram rejeitados",
4 de dezembro).
Com relação à reportagem "Não deixe o leão
esmagar seus ganhos" (Edição Especial Investimento,
dezembro de 2002), ao contrário do publicado, esclarecemos que
a gestão de fundos de investimento realizada pelo Citibank não
prevê a compensação das rentabilidades e as conseqüentes
deduções no imposto de renda. Gostaria
de cumprimentar VEJA pela Edição Especial Investimento.
Mais uma vez, a revista vem contribuir para o maior esclarecimento e orientação
de seus leitores num assunto tão importante e discutido atualmente.
Fui entrevistada para a reportagem "Terapia da alma" (4 de dezembro).
Meu depoimento saiu como se eu estivesse agora, aos 40 anos, enfrentando
o meu terceiro tumor. Isso foi dois anos atrás. Agora eu estou
bem.
CORREÇÕES: Na coluna Em
foco
(4 de dezembro), onde se lê que a expectativa de IGP-M seria de
30,52%, leia-se 31,19%.
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